O morcão xenófobo


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O presidente brasileiro Silva veio criticar a anunciada contratação do grande treinador Carlo Ancelotti para seleccionador de futebol do Brasil, clamando – pura e simplesmente – o habitual agressivo “volta para tua terra”, ainda que o mag(n)o italiano ainda esteja em Madrid, sob a nada disfarçada forma de “porque não resolve ele o problema Itália?”.

A dimensão identitária do futebol e sua selecção no Brasil é consabida (entre tantos outros disso bem escreveu o antropólogo Roberto Damatta). Mas isso não chega para apagar o fundo ideológico destas declarações, até o sublinha, essa profunda xenofobia – que tanto vimos ouvindo em múltiplos ataques daquelas gentes da bola contra os treinadores portugueses. Mas agora o presidente da República, este Silva sempre tão gabado pela mole dos “movimentos sociais”…

Se fosse um Orbán a ter uma saída destas como acorreriam os bem pensantes a denunciar. Ou, para se falar daqui, e se tivesse o dr. Ventura (que tem pedigree de comentador da bola) contestado a contratação de Martínez, dizendo que fosse ele antes “tratar do problema da Espanha”, que “fosse para a terra dele”?

Mas a este morcão xenófobo, Silva, ninguém apontará o dedinho punitivo.

11 comentários em “O morcão xenófobo”

    1. Seguramente que os do campo oposto, a quem não é reconhecido o direito de apontar dedos pelos do campo dele, serão logo apontados por estes de ressabiados, ressentidos, fascistas e populistas.

  1. O elogio da merda
    Avatar do autor julmar, 20.12.19

    «Merda: palavra-chave do inspector Otero, de significado amplo e muito pessoal. ‘Merda até ao traço do lábio’: locução que utiliza frequentemente para designar um sentimento ou uma situação de impotência absoluta»

    In, Balada da Praia dos Cães – José Cardoso Pires, Colecção Mil Folhas, pgs 32/33

    Também se pode ter uma conversa de merda de uma forma elevada, tudo depende do tipo de parlatório: tribuna, púlpito ou do alto da burra, mas sempre de um local elevado.

    Tudo é merda, ou porque daí veio ou porque para lá caminha. E a humanidade, em geral, e cada um de nós em particular, deve-lhe mais do que está disposto a conceder. Se os primeiros filósofos andaram em busca da arquê enquanto princípio de que todas as coisas são feitas para explicação do mundo material (o fogo, a terra, o ar, a água em separado ou todos no seu conjunto), se tivéssemos de procurar o princípio da humanidade bem poderíamos dizer que esse princípio é a merda. Biblicamente poderíamos substituir a volatilidade do pó pela maior consistência da merda: «Memine, homine, quia pulvis es et in pulvis reverteris». Igualmente, quando no Evangelho se diz «Pelos frutos os conhecereis» se poderia substituir frutos por merda, porque ela é um sinal da doença e da saúde, ela traça a identidade de cada um – não há duas merdas iguais.

    Num materialismo grosseiro, apesar do qual, ou através do qual se tornou famoso, Proudon afirmava que o homem é aquilo que come. Num materialismo igualmente grosseiro mas mais mal cheiroso poderíamos afirmar que o homem é aquilo que caga. Um homem é medroso no caso de se cagar de medo; é um valentão se mete um cagaço a alguém. Como se vê pelo cagar se mede a personalidade de cada qual. Se se diz de alguém que é um cagão, está tudo dito. Cagões é o mais que por aí abunda e Portugal é cada vez mais um país de cagões.

  2. O povo brasileiro tem toda a legitimidade para mandar-nos a nós, europeus, para a nossa terra. Até porque, quando chegámos à terra deles pela primeira vez, as coisas não correram lá muito bem.

  3. Dois , que me lembre : Uruguai e Paraguai.
    Quanto ao apedeuta, bêbedo e ladrão condenado, limitou-se a ser ele mesmo.
    Coerências…
    JSP

    1. Presidente Eleito e Absolvido. Restabeleceu a credibilidade do Brasil a nível internacional. Aceita que dói menos.
      Ou seja, o Brasil invadiu dois países com os quais fazia (e faz) fronteira. Não consta que tenha invadido algum país europeu, aliás até aconteceu o contrário.

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