Já decorreram doze dias. A 18 de Junho, a viatura oficial que transportava o ministro da Administração Interna, ao quilómetro 77 do trajecto Estremoz-Lisboa, atropelou mortalmente um trabalhador que efectuava obras de limpeza em bermas e valetas da A6 – uma das auto-estradas menos acidentadas, com maior visibilidade e menos movimentadas do País.
Até hoje, não se ouviu uma palavra do ministro. Um comunicado do Ministério deu a entender que a culpa do ocorrido foi do infeliz trabalhador, chamado Nuno Santos, que terá atravessado imprevistamente a faixa de rodagem – acusado, portanto, de pouco menos que negligência no desastre que lhe causou a morte. Foi igualmente referido que não existia qualquer sinalização de alerta aos condutores para a existência de trabalhos no local.
Acontece que o homem – com 43 anos e pai de duas filhas – tinha larga experiência nestes trabalhos para uma empresa subcontratada da Brisa, concessionária da auto-estrada. Acontece que a Brisa já desmentiu o Ministério, assegurando que a obra estava devidamente sinalizada. Acontece que o Governo não teve a decência de enviar um representante ao funeral de Nuno Santos. Acontece que a viúva alega não ter meios de subsistência e a imputação com chancela oficial de que o marido terá sido negligente poderá reduzir ou até anular o montante do seguro.
Acontece, enfim, que continuamos sem saber a que velocidade seguia a viatura ministerial. Doze dias depois.

Isto não me dá vontade de brincar, porque é simplesmente uma vergonha!!!
Cabrita é tudo menos um Homem!
Joana Conceição
tirou-me o comentário dos dedos.

Subscrevo e estranheza face à tentativa de colocar um ponto final no acidente que provocou uma morte sem apurar responsabilidade, ou pior, imputando-a de ânimo leve (sem averiguação) à vítima. A falta de um representante do Governo no enterro do trabalhador Nuno Santos revela a total falta de respeito pela vida humana e pelo desempenho digno e responsável das funções de Estado já habitual no protagonista em causa. Um verdadeiro caterpillar.
A falta de um representante do Governo no enterro do trabalhador
É costume os automobilistas comparecerem no funeral das pessoas que atropelam e matam? Que eu saiba, não.
A lógica da batata.
Claro! como é que podem ir ao funeral das pessoas que atropelam e matam se as pessoas que atropelam e matam ou estão presas ou fugiram?
Mortal.
Irrefutável.
Refira-se, em abono da verdade: Do Ministério da Administração Interna chegou um ramo de flores e uma carta de condolências assinada pelo ministro Eduardo Cabrita. no Observador, nesta notícia: https://observador.pt/especiais/nuno-at ravessou-a-a6-e-foi-atropelado-junto-ao-s eparador-central-o-acidente-com-o-carro-d e-cabrita-contado-por-quem-estava-no-loc al/
Hoje há notícias de que o BMW ministerial “seguia a uma velocidade louca” – relato de uma testemunha presente no local.
A mesma testemunha garante que o ministro nem se dignou sair do carro.
Falta saber se foi feito o teste do álcool ao condutor.
À falta de outras versões, para já, esta merece crédito.
Entretanto o ministro permanece em silêncio.
Questiono-me sobre tudo isto.
E fico perplexo com a disparidade do tratamento mediático desta tragédia comparada com outras, noutras paragens: se o atropelado tivesse sido um qualquer cidadão norte-americano já estávamos há vários dias a ser bombardeados com imagens, com protestos, com manifestações, já sabíamos o nome dele de cor.
Aqui, nada. Nem protestos, nem imagens, nem manifestações, nem o nome do falecido. Como se não merecesse uma evocação póstuma. Como se fosse tabu ou pecado. Como se fosse conveniente varrer isto tudo para debaixo de qualquer tapete.
Leopedro, não largam o cabrita.
Vá que a ele, também, mete-se em cada uma. Agora só falta ser acusado não ter tomado as devidas providências para evitar que o zé carlos tivesse pegado fogo à água do chafariz.
Duma coisa ele não é culpado: não foi por causa dos festejos da vitória do Sporting que voltou haver problemas covid em Lisboa e Vale do Tejo. Desta está safo, até haver um benfiquista do contra e culpa-lo de toda esta pouca vergonha pandémica.
Enquanto for útil a parar as bordoadas que encaixariam na perfeição nas costas do amigo chefe, de nada será culpado.
Palpita-me que a resposta à velocidade a que ia a viatura ministerial poderá variar entre os 110 e os 118 km/h……..
Não é difícil determinar a velocidade média percorrida pela viatura naquele troço. Basta calcular o tempo que demorou entre a portagem imediatamente anterior e a portagem imediatamente posterior.
Na verdade creio que isso é impossível, ou o carro continuou a circular depois do atropelamento?
Mas mesmo que pudéssemos obter a velocidade média com base na passagem nas portagens o que nos garante que naquele troço em particular o carro não iria em excesso de velocidade?
Tem razão. Mas a peritagem poderá fazer uma estimativa avaliando por exemplo as marcas de travagem no asfalto.
Se essas marcas não existirem talvez o caso seja ainda mais grave.
Acontece o de hábito, a corda rebenta sempre para o lado do mais fraco; acontece que o governo é inimputável e divino, ali não há erros; acontece que além de se auto considerar inimputável é desumano. Acontece que, por norma, as viaturas do governo passam nas estradas a abrir (bem o reparam todos que habitam no cu de judas), será para não terem de olhar o interior do país e mais depressa regressarem ao ninho quente em que habitam. E pobre, pobre de quem morreu. E mais de quem fica directamente à mercê de gente como esta.
O ministro deve explicações aos portugueses.
Hoje o Presidente da República lançou-lhe esse repto. Mas ele recusou. Em directo, com o País a assistir.
Quem circule regularmente em autoestrada sabe que os trabalhos são sempre sinalizados através de painéis de mensagem variável, no local esta é reforçada com sinalização temporária e muito provavelmente com redução de velocidade máxima para 90km/h. Portanto há a possibilidade de a viatura circular a velocidade excessiva.
Por outro lado, numa estrada com pouco movimento, também não ficou claro se a viatura circulava na via livre mais à direita.
O caso tem pelo menos como testemunhas os colegas do trabalhador.
Espero que a justiça tome a devida nota da sua linear abordagem.
Espero o mesmo. Esperamos (quase) todos.
(1) Os condutores que atropelam pessoas costumam ir aos funerais das suas vítimas? Creio que não.
(2) Como quer que saibamos a que velocidade seguia a viatura? A generalidade dos automóveis não tem “caixas negras” que fixem esses valores. Nem haveria, presumivelmente, radares. Em qualquer desastre rodoviário, determinar a que velocidade seguia a viatura costuma ser um quebra-cabeças.
(3) Será que, por um desastre ter como protagonista um veículo oficial, a vítima passa a ter direitos acrescidos? Passa a ser uma vítima “privilegiada” em relação às restantes vítimas?
Será que uma pessoa atropelada mortalmente por um veículo oficial, confere nessa circunstancia a qualquer responsável envolvido, ostentar o estatuto de privilegiado inimputável?
Claro que não lhe confere tal estatuto.
Mas também não lhe confere o estatuto de culpado. Uma pessoa só pode ser considerada culpada depois de a culpa ter sido demonstrada, em tribunal ou por outros meios. Não é por a pessoa estar a conduzir um carro do Estado que é automaticamente culpada de todos os desastres em que esse carro se veja envolvido.
“Não é por a pessoa estar a conduzir um carro do Estado que é automaticamente culpada”
Nem automaticamente inocente só pelo que declara com antecipada pressa.
(1) Pois não, porque haveria de ser diferente? Foi só alguém em representação do estado que teve o azar de atropelar um cidadão português.
(2) As peritagens também servem para isso e não duvide que têm conhecimento suficiente para avaliar/estimar a velocidade a que ocorreu o embate. Até podem concluir que a viatura podia estar a cumprir com os limites de velocidade naquele local.
(3) Vitimas mortais em acidente de trabalho normalmente são “protegidas” pela lei, porque como sabemos, o trabalhador é o elo mais fraco. Mesmo quando o trabalhador possa ter tido um comportamento negligente este será contextualizado com a regulamentação da segurança no trabalho. Este é será o primeiro caso de acidente de trabalho mortal, que eu tenha conhecimento, em que se tenta imputar total responsabilidade no trabalhador deixando dessa forma uma família completamente arruinada. Talvez o Sr. Ministro seja benevolente e não solicite uma indemnização pelos danos na viatura.
Nem a vítima tem direitos acrescidos nem o ministro tem direitos acrescidos, porque se tivesse sido o Balio a atropelar mortalmente, de certeza que não estava aqui a esta hora a escrever no delito.
Parece que o limite de velocidade nas auto-estradas é de 120 km.
Quando vamos a essa velocidade e passam por nos carros a voar, facilmente poderemos prognosticar a velocidade que levam.
Alguém viu passar o carro chapa branca?
Isso acabará por ser esclarecido.
Se o ministro pensa que o tempo joga a favor dele, nesta questão, está muito enganado.
NÃO HAVENDO NEVOEIRO NO MOMENTO DO ACIDENTE, PORQUÊ TANTO NEVOEIRO NO APURAMENTO DE CAUSAS E RESPONSÁVEIS
-É um atentado contra trabalhadores que fazem manutenção nas auto-estradas, que ainda não se saiba sem qualquer duvida se o local da intervenção estava ou não sinalizado.
-Qual o volume de transito nesse momento, a que velocidade seguia Cabrita, e quais as instruções que foi dando ao condutor na qualidade de responsável pela circulação da viatura. -E ainda quantas pessoas seguiam nessa viatura, qual o volume da comitiva e quantos carros fazendo parte o acompanhavam.
-Parece que ninguém sabe quantos eram e o que cada um deles viu.
-Cabrita como responsável pela circulação da viatura já foi intimado a depor?
-O transito seria assim tão escasso que não se sabe se outros condutores podem
testemunhar sobre o atropelamento ocorrido?
-Há pontos que podem ser esclarecidos desde já e perguntar:
-A Brisa não faz fotografar diariamente os locais de intervenção?
-A amolgadela no automóvel como uma foto mostra, aconteceu na frente à esquerda, lado do contador.
-Se o MAI alega que a vitima mortal atravessou a via junto ao separador central, isto indicia que o veicula seguia à esquerda na chamada faixa rápida.
-Se o código da estrada determina que se deve circular o mais à direita possível, qual a razão porque não foi cumprida essa obrigação.
-Não se vê dificuldade de maior em determinar a velocidade, como por exemplo a começar num ponto de partida ou de passagem sem intervalos de marcha, até ao local do atropelamento quanto tempo foi gasto e quantos quilómetros percorridos.
-Até se pode admitir que o senhor Cabrita possa não ter reparado em sinalização existente.
-O que não pode é adiantando célere a sua versão, ser parte e juiz num processo que lhe diz diretamente respeito.
-Num acidente que causou uma vitima mortal não houve balão?
Já alguém falou com o motorista…???
“Já alguém falou com o motorista…???”
Como já afirmei, muitas pessoas não falam nem sentem vontade de falar com ninguém. Importam pouco os facto, interessa a opção partidária. Quem não gosta de foi erros PS nem de Cabrita, já sabe que a culpa é deles. E prontes, como dizia o outro, não vale a pena discutir….(vale, vale).
O Cabrita seguramente desde que não tenha sido ele próprio a estar ao volante.
O balio toma conta do inquérito oficial até ao arquivamento efectivo.
Coadjuvado pelo Lavoura.
O balio podia ter sido um profissional do Curling
Claro que vão tentar culpar a vítima do sucedido e se calhar vão conseguir. Pagam uma indemnização irrisória á família, julgam o motorista e absolvem-no e se a família recorrer perde.
Vi um filme igualzinho muito perto de mim.
DNO
“Claro que vão tentar culpar a vítima do sucedido” Normalmente as Seguradoras tentam, de todos os modos, livrar-se de pagamentos. O problema aqui é que há muita gente que não grama o cabrita e, portanto, tentam responsabilizá-lo mesmo sem um inquérito rigoroso como é é normal. Ideologia á frente dos factos. Se não és afecto à minha posição política, és culpado!
Discordo. Não tenho opinião sobre o que aconteceu (não sei quem mente nem quem fala verdade) e aguardo que a autoridade competente faça o que deve fazer.
Você concorda, portanto, que o ministro – perante um facto desta gravidade, quando se perdeu uma vida humana – esteja há 12 dias em silêncio. Repetindo o padrão que já adoptara quando foi assassinado o cidadão ucraniano Ihor Homeniuk.
E parece concordar também que esteja a ser ocultado da opinião pública este dado fundamental: a que velocidade se deslocava a viatura oficial?
Que belo modelo de transparência.
As seguradores e a Brisa fogem ao pagamento de indemnização.
E vai o cabrita: nó pagamos a indemnização, coitada da viúva e dos filhos.
Eh pá! Cá estão eles a aproveitarem-se dos nossos impostos a fazer campanha eleitoral.
Afinal, com uma vitima mortal com certeza foram chamadas ambulâncias e exigidas presença das autoridades a tomarem conta da ocorrência. O que está escrito no relatório da ocorrência? Para o cabrita estar a levar porrada parece haver conhecimento do relatório e que este ser-lhe favorável.
Outro pormenor, nem será necessário o registo nas portagens para se apurar a velocidade, até por terem estado parados no acidente, basta a análise habitual às marcas da travagem.
A circulação pela esquerda de viatura governamental é permitida e até pode exceder a velocidade.
Isso não é apenas permitido em circunstância especiais e com motociclista oficiais a abrir caminho?
Tentam passar pelos intervalos da chuva. Absolutamente nojento!
Nem estava a pensar escrever sobre isto, Teresa. Mas à medida que os dias passam e o silêncio do ministro se acentua, senti este impulso.
Há coisas que se tornam intoleráveis.
Estes personagens (aqui incluo além do Cabrita, o Costa, o Medina, etc.) só pensam em salvar a própria pele. Doa a quem doer. Alguma coisa estamos a fazer de errado quando elegemos pessoas deste calibre.
O titular da Administração Interna é um “excelente ministro”, no entender de quem o nomeou.
Quem o nomeou também é “um excelente Primeiro ministro”.
Sim, neste caso não elegemos propriamente o Cabrita, mas o excelente primeiro ministro que o leva ao colo. Elegemos não, elegeram.
Sabe-se agora que o automóvel em causa se encontra na “situação jurídica de apreendido”, sem estar registado na Conservatória do Registo Automóvel. Apesar disso, parece ter uma guia para circular válida até 2023.
Extraordinário.
Ia pela direita dentro dos limites de velocidade.
Quem questionar ou insinuar o contrário está a fazer aproveitamento político e quer é o Passos de volta mais o Ventura
“Quem questionar ou insinuar o contrário está a fazer aproveitamento político e quer é o Passos de volta mais o Ventura” Não digo tanto nem tiro as suas conclusões (que podem ser verdadeiras). Desde que li o Discurso do Método passei a ser mais prudente e a usar mais a dúvida metódica. Mas parece-me que de facto, nos comentários que leio, quase toda a gente põe à frente de tudo as suas convicções políticas e opções (agora diz-se opcionalidades mas eu não alinho) partidárias. Deixando para lugar secundário os inquéritos e, no fundo, o Estado de Direito. Política no posto de comando e …. os factos têm de se conformar. O que vale é que (penso eu) estes comentários não levam a nada (ou levarão?) e caem em saco roto (se calhar estou enganado).
O seu ídolo cabrita já culpou a falta de sinalização e o trabalhador. Sendo uma pessoa com um comportamento irrepreensível, nunca mentindo, é claro que não tem a minima responsabilidade.
” é claro que não tem a mínima responsabilidade.” Tem, tem. Sendo do PS, e ainda por cima chamando-se Cabrita, nem vale a pena inquéritos. Ele é o culpado.
Há gente especializada em defender o indefensável. Parece ser o seu caso.
Só falta escrever que a culpa foi… do morto.
É o que os advogados da seguradora querem ouvir. Para guardarem o guito.
Foi o que o infeliz comunicado do MAI deixou implícito. E explícito.
Lembrei-me agora do saudoso Azaredo Lopes.
No limite nem houve acidente e se calhar nem há ministro (por mim já não havia)
A propósito de “Cabrita”, uma amiga minha viu uma cabritinha a comer num relvado de uma casa e perguntou à dona como e que ela se chamava. “´chama-se chanfana em homenagem à mãe”
Assim também está escrito o destino do nosso Cabrita – a panela da demissão.
Tem piada, essa história da Chanfana.
(Por falar disso: tenho saudades de uma boa chanfana.)
Um “governo” de cabritas…
A (des) propósito : a criatura que faz de ministra da agricultura ( a das vantagens da pandemia , recordam-se ? ) desapareceu em combate?…
JSP
Quem?!
Temos uma ministra da agricultura?
Temos. Já fez figura de nabiça. Talvez para mostrar apego ao cargo.
Não percebo porque se preocupam tanto com a velocidade a que seguia a viatura. Fosse a 80, a 100, a 120, a 140 ou a 160, o resultado teria sido sempre o mesmo: a morte do atropelado. Se uma pessoa se enfia no caminho de um carro numa autoestrada, essa pessoa acaba morta, qualquer que seja a velocidade a que o carro vá.
De resto, é sabido que quase todos os carros circulam em excesso de velocidade nas autoestradas alentejanas. Tanto os carros governamentais como os carros privados: todos. Não vale uma pessoa atirar pedras ao ministro Cabrita por ele circular ali em excesso de velocidade, porque isso é algo que ali todos fazem.
Se é para fazer moral sobre atropelamentos, e eu acho muitíssimo bem que se faça, faça-se para toda a gente, não somente para os ministros de quem não se gosta.
Você faz ao contrário: desculpabiliza o carro ministerial que assassinou um trabalhador que se encontrava a exercer a sua actividade profissional. E que mereceu da parte do ministro, até agora, um absoluto e chocante e insultuoso silêncio.
Quem não se indigna com isto não se indigna com coisa nenhuma. Tem sangue de barata.
Entretanto, em Inglaterra, o ministro só pelo facto de dar um xoxo inocente a uma colaboradora demitiu-se. Não cumpriu o distanciamento social.
Por cá vamos andando..
Que diferença.
Que a motivação e vontade que se vai perdendo, seja a espoleta da indignação que se vai acumulando.
A indignação é pouca ou nenhuma. O maralhal anda domesticado como nunca. Esta caixa de comentários, em larga medida, é bem o espelho disso.