Não sabia de nada. O que se compreende porque como não ando em clima de ondas políticas, só de “os” ouvir falar, gritar ou comentar, entro em estado de letargia total. Ou seja, adormeço, mesmo quando eles gritam…
Eis senão quando soou um alarme e tudo parou no país esta semana. Dado que não vejo a maior parte dos noticiários, não percebi o que se passava. E só fiquei a par do “acontecimento”, na esplanada da pastelaria Cristal, onde bebi um café e fui obrigada a ouvir o discurso que um sportinguista fazia do fenómeno Jesus, pelo telemóvel, a um amigo. No primeiro instante julguei que ele já estaria com uns copitos a mais, mas a facilidade com que falava não me pareceu muito compatível com o excesso de alcool. Aí estiquei as orelhas e fiquei atenta ao que o adepto dizia.
Foi mesmo um sobressalto, um terramoto, num país que apenas se vinha compadecendo com os discursos do Costa e do Passos. Não, agora tudo fiava mais fino. Tratava-se do Jesus cá da terrinha, aquele que, sempre se recusando a emigrar decidira, afinal, migrar dum clube para o seu rival.
E eu, confesso, ainda um pouco baralhada com o que depois fui ouvindo – foram sete dias de Jesus, da sua vida, da sua carreira, dos seus milagres – estou a começar a pensar que se trata, de facto, de um novo milagre. Que urge seja comprovado. Claro que, para isso, a equipa de Bruno de Carvalho vai ter que meter muitos golos…e não meter água nenhuma.
Não há dúvida que somos um grande e original país. E o Sporting é o maior, um leão que quando afia a garra, até se dá ao luxo de contratar milagreiros, mesmo que não tenha dinheiro para isso!
Não há dúvida que somos um grande e original país. E o Sporting é o maior, um leão que quando afia a garra, até se dá ao luxo de contratar milagreiros, mesmo que não tenha dinheiro para isso!


Se estiver atento ao resto do mundo e à telenovela que ocorreu na Suíça na última semana, verá que não é só cá que o futebol se tornou um assunto de máxima importância na política, no sistema financeiro e na política geoestratégica. António Costa devia mudar o nome da 2ª circular!
Eu até me arrepio todo só de pensar nos intermináveis anos que o Jorge Jesus, depois de ter feito 12 (DOZE) jogos no Sporting (como jogador) e tendo ainda actuado em mais 12 clubes, e de em seguida ter sido treinador de 11 clubes, o último deles o Benfica e durante 6 aninhos, sofreu no pelo antes de regressar ao clube do seu coração. É de uma pessoa se comover até às lágrimas.
Eu apenas fazia uma ideia geral do assunto.
Os dados referidos provêm daqui, exactamente daqui:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jorge_Jesus
O sucesso do futebol como espectáculo tem, em parte, a ver com a sua relação com o ritual primitivo, e a ‘dança’ do corpo masculino.
(risos)
A dança, através dos tempos, foi um ritual primitivo, e depois, uma arte ou um divertimento.
Nas origens da dança o apelo propiciatório da sorte, na dança da chuva, o incitamento à força e à coragem, nas danças da guerra e da caça.
Antes de exprimir a sua emoção através do som ou da pedra, o homem usou o seu próprio corpo.
O futebol é pois a única dança divulgada e quase exclusivamente apreciada no nosso país.
Quoque tu, Brutus, falando de pontapé na bola?
Vai muito bem esgalhado, Helena. Concordo consigo, o Sporting é o maior ( e fico por aqui, porque sei que não me contrariará).
Na realidade também estou de acordo, o país anda desatento e só se compadece com o discurso do Costa e do Passos. É uma injustiça. Então e o Paulinho das feiras? Isto é discriminação.
No entanto, eu creio que o que se está a passar é um fenómeno bastante curioso na nação. E também concordo consigo, há um milagre. O milagre reside no facto de os patrocínios começarem a migrar lá para os lados dos futebóis. No que respeita à política o povão já não se deixa fintar. Vamos lá ver se os dribles que estão em jogo aumentam ou diminuem a cegueira e alienação.
Eu sempre tive uma intima ideia que a postura Universal de Jesus traria alguns dissabores às massas associativas.
🙂 Continuo a gostar muito de si, e de lê-la.
Ó de Vento então você não sabe que o Paulinho das Feiras foi amplamente ultrapassado pela simpatia irradiante da Leninha das Feiras ( do Livro)?!
Até fico triste com essa falta de reconhecimento do meu valor…
Ele há com cada injustiça!
:-)))
Pois foi inspirado naquele post da Leninha das feiras que eu desenvolvi esta tese académica. O mérito é seu.
Beijinhos 🙂
A bola ao poder, já!
Já não lá está? A título de curiosidade – e porque temos alguma mania de nos compararmos com Britânicos – quantos políticos ou ex-políticos integram corpos sociais nos clubes britânicos?