O meu juízo


Sérgio de Almeida Correia,

22257374_uneIh.jpeg(Evgenia Novozhenina/Reuters)

“Se havia quem tivesse dúvidas relativamente à posição chinesa em matérias de respeito pela soberania de todos os Estados e pelos princípios de direito internacional constantes da Carta da ONU, a crise ucraniana veio remover essas dúvidas e destacar a incoerência da sua posição e a forma como esta oscila em função dos seus interesses conjunturais. Nesse ponto, os comunistas portugueses são bem mais convictos no convívio com a duplicidade e na aceitação da opressão putinesca.” (Público, 05/03/2022)

7 comentários em “O meu juízo”

  1. Acompanhei sua crónica no Público da qual sublinha a parte que aqui posta. Os países asiáticos e africanos que se pronunciaram na resolução da onu são aqueles mesmos que continuarão a manter relações formais com a Rússia. Serve isto para sublinhar que as resoluções estão aí para fazer jeito a Biden e não para se constituírem como defesa de valores que tal personalidade diz defender.
    O princípio da soberania é defendido por todos, porque ninguém quer deixar de ser soberano ou perder sua soberania para outros. Outra coisa será se essa soberania disser respeito a outros. E é aqui que entram as relações de poder que sempre funcionaram ao arrepio do direito. Os exemplos mais próximos são a Líbia, a Síria, o Iraque, o Afeganistão, o Iémen, a Costa do Marfim, o Tibete…
    Os valores e a moral só existem em quem não tem poder e naqueles que deste se desapegam. Sendo este último a verdadeira moral.

    As hipócritas democracias ocidentais varreram o Tibete para debaixo do tapete, exactamente porque a China passou a ser o seu El dourado. O regime opressor chinês é a consequência da força que o ocidente em sua ganância ofereceu ao PCC para continuar a exercer ainda mais forte as suas políticas internas e externas.

    Como poderia a China condenar formalmente a legitima acção dos russos na Ucrânia contra os poderes ocidentais, se esse mesmo ocidente – hipocritamente defensor de valores, do direito e outras mais retóricas – não avançou com um boicote contra a China em prol da devolução do Tibete?

    A Ucrânia só é importante porque os russos acabaram de cortar as vazas a Biden e colocaram a europa mais dependente deste.

    1. Não há “hipócritas democracias ocidentais”, ou de outro lado qualquer, é coisa sem sentido, hipócritas são as pessoas.
      Custa a entender o que é que o Vento anda pela net a defender.

      1. Não vi de sua parte qualquer argumento sólido e até mesmo académico que me ajudasse a alterar a visão. Diga de sua justiça e eu tornarei ainda mais claro meus argumentos em torno da matéria. Mostre-me o que sabe e eu responder-lhe-ei, se for permitido.

  2. Cada um vê o que vê e deduz as suas conclusões, de estimação. Interessante.
    Um teste manchas de Rorschach a reação aos recentes acontecimentos na Ucrânia dos nossos políticos (no activo ou não), jornalistas e comentadores.

  3. E porque é que a China deveria tomar uma posição sobre a Ucrânia? Por acaso os europeus tomaram uma posição quando os EUA invadiram o Iraque? A Europa tem de parar de esperar dos outros aquilo que nem dela própria espera.

  4. Na Federação Russa de Putin -como no Portugal de Salazar e por esse mundo fora- existem vários “oligarcas” afastado do centro do regime, mas sempre à espreita.
    Na Fed. Russa de Putin existem também vários políticos na prateleira bem assim como generais preteridos nas promoções, etc. O usual.
    Só falta a proverbial gotinha extra na opinião pública, cansada da guerra.
    Depois tudo pode pender para um lado ou para o outro.
    Por cá ou pendia pró general do monóculo, para o Vasco/PC ou ala Melo Antunes. Foi pendendo. A ver vamos.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *