O menino Jesus possível *


Paulo Sousa,

“Quando era criança, os presentes eram do menino Jesus e o Pai Natal quase não existia, salvo num anúncio ou noutro. Não sendo de uma família católica, ainda assim recolhíamos os brinquedos e fazíamos um presépio com musgo a sério e tudo. Nunca me disseram que Jesus era Deus, e menos ainda conhecia as complexidades teológicas de ser “gerado, não criado, consubstancial ao Pai”, como reza o credo.

Nas aulas da faculdade lembro-me de um professor afirmar que não havia prova coe­va (ou seja, na mesma exata época) da existência de Jesus, A minha vida passei-a a ser exceção de um lado (pais não casados pela Igreja, falta de educação religiosa) para outra exceção: dar importância à religião e perceber o impacto que ela deve ter nas nossas vidas, que teve na nossa História.

Não me proponho discutir a divindade de Jesus, menos ainda a sua existência histórica comprovada. Cada um terá a sua opinião; mas muito gostaria que todos interiorizassem a importância da mensagem que lhe é atribuída: o amor, a fraternidade, o perdão, a misericórdia, a igualdade, a liberdade, o desprendimento, a fé, a convicção, a superação, a aceitação… enfim, tantos valores em voga, outros em desuso, mas todos de uma atualidade impressionante.”

 

* Excerto da coluna semanal de Henrique Monteiro no Expresso

15 comentários em “O menino Jesus possível *”

  1. Para mim, apenas desafinou o AO, para me recordar que comigo se passou exactamente assim. O Menino Jesus, pais casados pelo registo civil, a religião obrigatória e a firme convicção de que Jesus Cristo foi um homem com um entendimento invulgar para a sua época e cujos ensinamentos sempre actuais, em sendo postos em prática operariam milagres entre os homens, nas suas vidas e relações pessoais e sociais. Teríamos sem dúvida pz e um mundo melhor.
    Festas Felizes Paulo

  2. Em acordês não dá: o HM pode meter as lamúrias dele no sapatinho. Qual fraternidade qual perdão e qual caraças. Não se compactua com traidores.

  3. a mensagem que lhe é atribuída

    Exatamente, a mensagem que lhe é atribuída. Lá se essa foi de facto a mensagem dele, é uma questão muito espinhosa.

  4. Assino por baixo dessa crónica, sobretudo no último parágrafo.
    Boas Festas. E que fique de nós, nesta data, o esforço de cumprir os desejos desse menino-homem – seja ou não um deus; não há dúvida que propõe um mundo melhor.

    1. E, permita-me acrescentar, a mensagem só trará benefícios se quem a recebe aceitar algumas das mudanças propostas. Sem essa vontade e essa abertura à mudança, a mensagem perde o valor. Bom Natal Bea. Obrigado

  5. Não sou uma pessoa religiosa mas admito que, a mensagem de Jesus é realmente extraordinária ainda para mais há 2000 anos atrás. É verdade que muitos deturparam a sua mensagem e em seu nome cometeram os mais terríveis crimes mas a verdade é que isso sempre aconteceu em todo o mundo, haver pessoas e grupos que manipulam ou interpretam tendenciosamente e que usam essas interpretações para a satisfação de ambições pessoais – e isto muito para além da religião pois é um facto que também muito boa gente escudada em ideologias políticas de “igualdade” fez as mais inacreditáveis patifarias. No fundo se realmente se seguisse mais à letra o “dar a outra face”, “o quem nunca tiver pecado que atire a primeira pedra”, etc, etc, o mundo seria um lugar melhor mas somos humanos e isso é decisivo no que fazemos com e em nome de ideias, religiões, políticas, etc, etc.

    1. A fronteira entre a força da mensagem revolucionária da religião cristã e o comportamento dos seus mensageiros, é demasiadas vezes tão notória que se torna difícil separar uma coisa da outra. Mas são coisas muito diferentes. Feliz Natal Luis

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