O melhor cliente é o que ainda não chegou


blogprimario94472,

exterior.jpg

Há uns tempos aconteceu-me no restaurante Muralhas, em Óbidos: “Essa mesa não pode ser, está reservada”. Perguntei se o autor da reserva tinha pedido especificamente aquela mesa para duas pessoas, encostada à parede. Responderam-me que sim. Só ficámos porque já era tarde e estávamos num desses dias celebrativos em que os restaurantes transbordam. Nunca chegou ninguém para a tal mesa que não podia ser. Nunca mais lá voltámos, claro. 

Agora foi no restaurante Prim, na Ericeira. Éramos dois, já passava das nove e meia da noite, dirigíamo-nos a uma mesa para quatro, num cantinho. A empregada disse-nos que não podia ser, porque podia ainda chegar um grupo de quatro pesssoas, e encaminhou-nos para a outra mesa disponível, para duas pessoas, ao lado dessa e praticamente colada a outra mesa ocupada. Volvidos 20 minutos chegaram mais duas pessoas… que foram encaminhadas para a simpática mesa de quatro, mais isolada, que nós tínhamos pretendido. Só não saímos porque já estávamos a comer. Mas não voltaremos, evidentemente. Para muitos restaurantes portugueses, os clientes que merecem ser bem tratados são os que ainda não chegaram. Sebastianismo gastronómico. 

 

49 comentários em “O melhor cliente é o que ainda não chegou”

  1. Ainda há pouco me aconteceu algo parecido num restaurante onde não voltarei a pôr os pés.
    Não deixo de me espantar com estes restaurantes que trocam clientes certos por “reservas” incertas. Restaurantes onde cenas como as que descreves ocorrem todos os dias.
    Merecem ter os nomes estampados com todas as letras, como aqui fazes. Com o aviso de serem locais a evitar. Acabam de integrar a minha lista de sítios que nunca frequentarei.

      1. Pois, faço ideia… Mas fizeste bem em chamar as coisas pelos nomes. Chegar-lhes-á a mensagem, mais cedo do que tarde, e não deixará de ser pedagógico.
        Sobretudo é pedagógico também para outros, que adoptam igualmente estas más práticas e ainda vão a tempo de corrigi-las.

  2. No segundo caso o restaurante procedeu bem. É verdade que mais tarde poderiam chegar quatro pessoas e por isso guardaram a mesa que daria para elas; é uma atitude racional. Mas entretanto chegaram mais duas pessoas e eles não iam mandar essas duas pessoas embora, portanto puseram-nas na mesa para quatro.

      1. O trabalho de mudar as coisas para a outra mesa valia a pena (uma vez que já estavam a comer)? Essa mesa no cantinho era assim tão fantástica?

        1. Sim, a mesa era fantástica porque não ficava em cima da mesa de outras pessoas, como já expliquei. Por estranho que pareça, há quem aprecie a privacidade.
          De qualquer modo, essa decisão seria sempre do cliente.

  3. Boa tarde,
    Também me irrita esse Sebastianismo gastronómico mas …
    – e se volvidos 20 minutos tivessem chegado 4 pessoas, escreveria este post?
    – e se se tivesse sentado na mesa para 4 e volvidos 20 minutos tivessem chegado 4 pessoas?

    Como disse, também me irrita a importância desmedida que se dá às reservas mas tenho alguma compreensão para quem tem de gerir restaurantes e retira daí o seu (por vezes único) rendimento.

    1. Repito: o certo teria sido perguntar aos clientes que já lá estavam e que tinham pretendido a mesa mais sossegada se queriam mudar de mesa, e sentar os que tinham acabado de chegar na mesa mais devassada.

  4. No 1º caso (que já me aconteceu) imagino que a mesa está reservada para um casal idoso que pode ou não vir, mas a lealdade no restaurante faz com que lhes reservem sempre aquela mesa…

  5. Penso que as coisas estão melhores, mas mesmo assim, de vez em quando ainda se percebe que em alguns restaurantes não apreciam muito os clientes, só não percebo porque razão não mudam de ramo.

    (muitas vezes são forçados, porque só conseguem servir almoços a moscas…)

    Onde as coisas melhoraram muito foi no Sul, onde há alguns anos era normal não existirem listas em português…

    1. Várias vezes saí de restaurantes no Algarve porque só tinham o menú em inglês… A situação melhorou nos últimos anos, sim. Mas parece-me que o atendimento continua a ser um grande problema português – dos serviços públicos às lojas e restaurantes, é, em média, bastante mau. O que, num país com (justificadas) ambições turísticas, é particularmente negativo.

  6. Cara Inês, ter-se-a lembrado que existe um livrinho amarelo, de reclamações, cuja utilização é a adequada para estas situações? Também sabemos que podera não resultar, mas se em casos justificados como estes, todos o pedirem e fizerem a respectiva reclamação as entidades competentes de certeza que tomarão uma atitude. Água mole em pedra dura, tanto da até que fura.

    1. Caro Singularis Alentejano,

      Até já cheguei a chamar a polícia num restaurante em que me foi negado livro de reclamações. Se a água não chega à pedra, garanto-lhe que não é por causa de mim.

  7. Eu vejo as coisas de outra maneira. Há muitas maneiras de ver!!
    Quando entro num Restaurante, geralmente não me sento e aguardo que o empregado me indique quais as mesas que posso utilizar. Então escolho. Normalmente não exijo explicações sobre as mesas que não posso usar.
    Por outro lado aprecio muito os restaurantes que me guardam a reserva quando eu a faço por telefone. Seria muito mau que quando eu chegasse o funcionário me dissesse: como chegou 5 minutos atrasado demos a mesa que reservou a outro. Mesmo assim dava-lhe razão pois penso quem quem reserva não pode chegar atrasado. Aprecio também que quando reservo para 6 pessoas e uma falta o Restaurante me mantenha a reserva.
    Resumindo: nos comentários acima eu daria, de forma geral, razão ao Restaurante (partindo do princípio que tudo o que foi dito respeitou a regras da cortesia). Admito que haja quem pense ao contrário. Daí eu achar que ser dono de um restaurante a agradar a todos é impossível.

    1. Caro Anónimo,
      As regras de cortesia mandariam que, no caso em apreço, o empregado perguntasse aos dois clientes anterires que tinham desejado aquela mesa se ainda queriam mudar para lá, dado que afinal iam disponibilizá-la para um par de outros clientes – em vez dos tais 4. Eu teria aceitado mudar, dado que a mesa que nos foi oferecida era, como expliquei, praticamente colada à dos vizinhos, sem qualquer espécie de privacidade. Mas mesmo que, dado estar já a comer a sopa, não quisesse mudar, pelo menos a pergunta deveria ter sido feita.
      Nos restaurantes em que o cliente espera para ser sentado, as mesas estão em geral suficientemente afastadas umas das outras para que haja privacidade; em todo o caso, deve conduzir-se o cliente à mesa com melhor situação, e perguntar-lhe se gosta daquela mesa ou se prefere outra. As reservas referem-se ao número de clientes e, eventualmente, ao tipo de mesa (nos restaurantes em que existem mesas redondas e outras que não o são, por exemplo) e de localização ( vista para o mar, por exemplo). No caso que referi da mesa reservada, tratava-se simplesmente de uma mesa para dois encostada à parede, e a que nos foi atribuída situava-se a meio da sala, ao lado de outra mesa ocupada, num restaurante com bastantes mesas vagas. Acresce que as reservas têm uma tolerância de 15 minutos em relação à hora estabelecida.
      Estas são as regras elementares da educação e do respeito pelos clientes, em meu entender e no de toda a gente que conheço.

  8. Nada melhor do que lhes falar em inglês
    Até é servida antes dos outros.
    Os “empresários” adoram e os salamaleques são
    mais que muitos. Vergonhoso.

    1. Certa vez saí de um restaurante na Praia da Rocha onde, depois de três quartos de hora de espera, e com crianças pequenas a chorar de fome, entrou um grupo de ingleses que foi prontamente atendido. Assim que vi o peixe a chegar à mesa dos “bifes”, fiz uma arruaça monumental, pedi o livro de reclamações ( que só me deram quando comecei a telefonar para a polícia) e saí – com mais dois adultos e três crianças aos gritos. Não paguei o pão, a água nem as azeitonas – única coisa que, depois de muita insistência, chegara à mesa. Foi há uns 15 anos, e decidi nunca mais passar férias no Algarve, o que tenho cumprido sem qualquer desgosto.

  9. No meu caso, num Domingo de Verão, com a minha esposa, entrei num restaurante do qual tinha boas referências, mas no qual tinha apenas jantado com um grupo de amigos do futsal. Como quando vou almoçar fora ao Domingo, fiz questão de ir cedo e ainda não era meio-dia e já lá estava. A sala, generosa, completamente vazia e , que não, não podia almoçar porque estava tudo reservado. Obviamente que fiquei incomodado e nunca lá mais entrei e não perco a oportunidade de dar más referências e não recomendar. É inadmissível uma gestão desta natureza que não respeita clientes e duvido que seja rentável. Seria compreensível se eu tivesse chegado mais tarde e já com a sala composta, mas não, estava literalmente vazia. Tenho a certeza que teria almoçado nas calmas antes da sala começar a encher. Para além do mais deveria haver um serviço mínimo de mesas por reservar.
    E não me custa dizer qual o restaurante, mesmo desconhecendo se, passados uns 2 ou 3 anos, ainda funciona e se com a mesma ou outra gerência: Sabores do Campo, junto à piscina do Cavaco em Santa Maria da Feira.

  10. revejo-me nas tuas palavras!
    mas nos hotéis já me acontece o contrário…como por norma chego tarde para o check in, fico com os piores quartos!

  11. Se tivesse feito reserva e lá chegasse e a mesa tivesse sido ocupada por alguém que chegou 2 minutos antes tinha a mesma opinião? Não me parece que a razão esteja do seu lado. Num dos casos calhou as pessoas faltarem, não sabe porquê, e qual era a tolerância do restaurante, para que hora estava marcado o jantar. Sem reserva sujeita-se a isso. Se era tarde das duas vezes, mais ainda.

    1. 1) havia muitas mesas livres; aquela era apenas encostada à parede ( sem janela).
      A tolerância das reservas é, na generalidade dos restaurantes, 15 minutos.
      2) Há restaurantes que não aceitam reservas; era o caso do 2º. Sim, devia ter ainda chegado mais tarde, porque aí, segundo os “critérios” daquele restaurante, teria ficado com a melhor mesa: foi o que aconteceu às duas pessoas que chegaram depois de nós.

      1. Na generalidade, não sabe se nesse caso particular são 15 minutos, meia hora ou uma hora.
        Estava reservada, não sabe porquê, da mesma forma como queria aquela mesa em particular, aquela mesa foi antecipadamente reservada particularmente.
        A mesa de quatro podia ter sido reservada para três e uma pessoa por imprevisto à última hora não foi, ou podiam estar à espera dela e não ter aparecido durante a refeição. Fica com a melhor mesa quem a reservou, parece-me normal. Se gostamos ou não é um problema nosso, dão-nos as opções viáveis à chegada, se não estão à altura saímos, já me aconteceu e não acho que a responsabilidade seja, de todo, do restaurante.

  12. Boa. Isto acontece em muitos, muitos lados. Dá vontade de dinamitar aquela gaita toda e vender os ossinhos cremados do dono à bruxa do Mercado 31 de Janeiro.

  13. É bem feita Inês! Então vais à Ericeira e em vez de te encaminhares para o “Mar à vista” ou o “Furnas” aportas num “Prim” qualquer?
    Por outro lado, instituí um princípio com o qual me tenha dado belissimamente: com empregados de mesa e porteiros de discoteca, não há qualquer diálogo ou controvérsia. Um dia, tendo entrado na petulante “Taberna Ideal” embora as mesas estivessem vazias fui informado de que estavam reservadas. Pois que lhe fizessem bom proveito; pura e simplesmente virei as costas e fui – a senhora ficou a pedir desculpa sozinha. Nem eu lhe faço falta, nem ela a mim.

    1. Pois é, Zé: pertencendo eu àquilo que T***p chama “a elite”, não tenho dinheiro para ir às Furnas, que muito aprecio, mais do que um par de vezes por ano… Pertencer à “elite” tem destes inconvenientes.

  14. Minha cara, nada melhor que o Clube Naval.
    Com muita qualidade e sem frescuras. E com o mar a vinte metros.

    Quanto às experiências, más, estou com o Zé Navarro (eu que já estive do outro lado).

      1. Falha minha.
        O bar/restaurante do clube naval da Ericeira.
        Tudo muito informal, mas dos melhores locais da vila para comer.
        (não tenho comissão, mas pode sempre comprar uns robalos ou uns sargos acabadinhos de sair da água, logo ao lado, no Rocha. Ou nos outros pescadores, claro está).
        Ctos

  15. Ao Muralhas nunca mais
    Num dos dias do festival do chocolate resolvemos ir comer ao referido restaurante, fomos tão mal atendidos que quando pedimos o livro de reclamações, pura e dura foi a resposta negativa.
    Saímos direitos a polícia e ao posto de turismo, apresentamos queixa, pior teria sido impossível , ao Muralhas nunca mais me

  16. Já assisti a situações semelhantes, clientes à espera e mesas reservadas vazias. Quando almoço ou janto em restaurantes normalmente reservo e chego sempre muito cedo. Já me aconteceu chegar a um restaurante ao meio dia, éramos dois, e fomos dos primeiros a chegar mas o prato típico da casa já tinha acabado. Fizemos 80 quilómetros e ao meio dia de um Domingo já não havia o afamado cabrito. 1 hora depois vimos sair duas pessoas com dois embrulhos enormes de comida. Chamamos o empregado e manifestamos o nosso descontentamento, outras pessoas também o fizeram.

  17. Os que ainda não chegaram e os estrangeiros.
    Em Portugal existe uma tremenda falta de atenção para com o cliente, em todos os sectores, sem excepção. Devemos ser dos países onde mais se trabalha com má vontade.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *