O mecenato no Parlamento.


Luís Menezes Leitão,

 

Já tinha achado ridículas as declarações de Assunção Esteves sobre os custos da trasladação de Eusébio para o Panteão, e a preocupação com o facto de eles serem suportados pelo orçamento do Parlamento, a que o Pedro faz referência mais abaixo. Mas fui ver aqui com mais detalhe o conteúdo das declarações. Parece que «Assunção Esteves sugeriu uma “partilha de custos”, ao abrigo de “uma espécie de mecenato”, que em Portugal ainda não está suficientemente desenvolvido, admitindo que o processo não seja suportado pelo parlamento, mas por “um grupo de cidadãos ou uma associação”». Isto quase parece um pedido para que seja um grupo de benfiquistas ou o próprio Benfica a suportar os custos da trasladação de Eusébio para o Panteão, assumindo-se assim o clube como mecenas do Parlamento. E diz-se que esta “espécie de mecenato” ainda não está suficientemente desenvolvida em Portugal, mas que “em termos de crise, é uma cultura que também temos de começar a explorar“. Não sei quais são os países do mundo em que o Parlamento aceita ter mecenas privados, mas não devem ser exemplos a seguir. Já sabia que vivíamos num país falido, mas esperava que as nossas instituições tivessem um pouco mais de sentido de Estado. 

12 comentários em “O mecenato no Parlamento.”

  1. Eu cá acho bem! E acho que a Senhora Presidente da Assembleia da República deveria ir mais longe e proceder a uma angariação de fundos para o funcionamento da Assembleia da República. Podia, sei lá, fazer uma quermesse, utilizando para o efeito o próprio Palácio de São Bento, ou organizar uma ida com os deputados (com dotes musicais) para a Baixa ao bom-modo das Tunas Académicas (aceitam-se sugestões para pandeiretas!), ou aproveitando a contestação ao trabalho parlamentar, porque não cobrar bilhetes com direito a manifestação? Cada minuto de manifestação (apupos diversos) custaria 10 euros, cada insulto a 5 euros e o lançamento de objectos das galerias a 30 euros/objecto (100 euros se contundente, para cobrir eventuais gastos médicos / enfermagem).

    Ou, pura e simplesmente e mantendo o rumo de actuação do actual Governo, pedir o patrocínio da Sonangol e dos nosso amigos da “Three Gorges” e mudar o nome de Palácio de São Bento para Palácio Sonangol e a Legislatura de XIIª para Legislatura EDP. Tenho a certeza que contaria com o apoio do Sr. Eduardo dos Santos e do Dr. António Mexia. E, às tantas, ficava tudo na mesma, com mais uns cobres e muito mais transparência…

  2. Estou em crer que o whisky que o dito alumiou, era o que presidenta anda a beber. E eu julgando que a assembleia era lugar só para gente discreta e saudável. Estava enganado, ou são mesmo tolos ou então é um vírus de diarreia, mas do tipo verbal. Recentemente foi ministro Machete, ontem o Mário Soares e hoje a presidenta… ai ai, que isto ainda acaba mal…

  3. Raramente comento na “bloga”, mas dado o enorme respeito pelo “Delito de Opinião”, creio que os tristes e sucessivos espectáculos a que estamos a assistir, dão bem nota da completa falta de decência, falta de sentido de Estado, falta de vergonha, e impunidade, destas gerações todas, sem grande distinção de cores, que se arrogam o despudor de continuamente ofender os cidadãos, em actos e palavras. Como diria o outro, boa sorte e boa noite. António Cabral.

  4. Pois eu cá acho que, se Assunção Esteves de facto sugeriu isso, então tem toda a razão e todo o cabimento em ter sugerido.
    Até porque o Panteão Nacional já não é o que foi, desde que lá foi depositado o cadáver de Amália Rodrigues. Agora, o Panteão Nacional é do povo, é para os cadáveres de quem o povo gosta. Pois bem, se é o povo que o quer, então que seja o povo a pagá-lo. Se os benfiquistas querem Eusébio no Panteão, então paguem para isso.

    1. “Agora, o Panteão Nacional é do povo, é para os cadáveres de quem o povo gosta. Pois bem, se é o povo que o quer, então que seja o povo a pagá-lo. Se os benfiquistas querem Eusébio no Panteão, então paguem para isso.”

      Então o dinheiro da AR não foi o povo a pagar…?

      Já agora Fado e Futebol vão para o Panteão Nacional.
      Fica a faltar um Padre…mas Portugal nunca teve padres de qualidade…

      1. Eu (que sou parte do povo) estou-me nas tintas para o Panteão Nacional e para quem lá está ou deixa de estar. Portanto, não quero pagar para que o Eusébio para lá vá. Mas não tenho objeções a que, quem queira, pague para isso. Eu é que preferiria não pagar!
        O padre António Vieira foi um padre de (muita) qualidade.

  5. Mas que falta de visão Luís, então não se está mesmo a ver que por baixo do túmulo do Eusébio lá no Panteão se poderia colocar uma placa dizendo “Eusébio by BCP”. E depois passar uns spots do banco na TV com um vídeo daqueles a puxar ao sentimento e ao patriotismo.
    Podíamos também pagar a manutenção daquilo com umas edições em directo da Casa dos Segredos e fazer uma votação para ver qual dos concorrentes é que ganharia um lugar lá no sítio…

    Agora a sério, o que este episódio (entre outros) revela é a total ignorância e alheamento das nossas “elites” em relação ao sentimento da generalidade da população.
    Levantar um problema destes em pleno funeral, por causa de 50.000€ (qual é a % que isto representa do orçamento da AE?) também contribui para a degradação dos símbolos da República.
    Depois do ridículo do inconseguimento e dos carrascos, a Presidenta vem mostrar que não tem nível para ser a número 2 do país… Quase faz desejar que não aconteça nada ao Cavaco!

  6. Não sei que lhe diga. No meio de tanta parvoeira que tenho ouvido e lido, estou convencido que a sugestão feita por Miguel Sousa Tavares no jornal da Sic (ser sepultado nos terrenos do estádio do Benfica) é a mais indicada para o Eusébio e para Portugal. O facto de ser aí sepultado não retira em nada a “pertença” de Eusébio a Portugal e Moçambique.
    Aliás, estou convencido que isto seria o desejo do próprio Eusébio. O Panteão é um lugar demasiado frio para uma personalidade que tanto aqueceu a alma de um povo; e o Eusébio é Povo, do Povo e não de politiqueiros.

  7. Duvido que Eusébio vá para o panteão.
    Em minha opinião, acho que ele devia ficar num monumento localizado no estádio da Luz, junto da sua estátua. Era, não só a maior, como também a mais inteligente homenagem que o Benfica podia prestar àquele que foi uma das maiores figuras do futebol mundial.

  8. O que mais me espanta é o valor de quase 50mil euros pela trasladação! Quanto à Assunção Esteves só tenho 2 palavras: burra e parola, por mais que tente disfarçar com o estilo moderninho do cabelo e da roupa, não passa de uma admnistradora de condomínio que é o que ela deve achar que é o parlamento. E que ao contrário de todos os portugueses que têm sofrido cortes nos salafrários, reformas e direitos, teve a reforma antes de atingir a idade, que acumula com o ordenado de presidente da AR, que recentemente teve aumento, como foi para todos os deputados, tal como Cavaco que acumula 2reformas e ordenado.

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