O major Kong, Putin e os seus capachos


Pedro Correia,

 

O ditador de Moscovo ameaça sem rodeios os países vizinhos – incluindo nações neutrais, como a Finlândia e a Suécia – de agressão com armas nucleares, parecendo imitar o paranóico major “King” Kong do filme Dr. Strangelove, de Stanley Kubrick.

Bombardeia cidades e alvos civis indiscriminados, como aconteceu ontem em Carcóvia, a segunda maior cidade ucraniana – visando duramente, por trágica ironia, a emblemática Praça da Liberdade.

Provoca o maior êxodo de refugiados de uma nação europeia registado desde a II Guerra Mundial.

Declara sem a menor hesitação que a Ucrânia – país com mais de mil anos de história hoje com 43 milhões de habitantes, membro fundador da ONU e reconhecido pela comunidade internacional – não tem direito a existir como nação soberana.

Imita Hitler no seu criminoso expansionismo imperial, tornando-se neste momento a maior ameaça à paz não apenas no continente europeu mas à escala global.

 

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Edifício do governo regional em Carcóvia, segunda maior cidade ucraniana, após ser bombardeado

(foto: Associated Press)

 

No campo político, sofre desaires após desaires.

Teve de recorrer ao veto para evitar in extremis os efeitos práticos da condenação da esmagadora maioria de membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas, sem um só Estado a alinhar com Moscovo.

Viu o seu ministro dos Negócios Estrangeiros humilhado em Genebra quando quase todos os diplomatas presentes na conferência sobre desarmamento da ONU abandonaram a sala, recusando ouvir Serguei Lavrov.

Enfrenta um processo, já iniciado, por crimes contra a Humanidade no Tribunal Penal Internacional.

E acaba de sofrer uma duríssima derrota no Parlamento Europeu, reunido em sessão plenária extraordinária, onde a agressão da Rússia à Ucrânia foi condenada por cerca de 94% dos eurodeputados: 637 aprovaram uma resolução condenatória, 26 abstiveram-se e apenas 13 votaram contra. 

 

Entre esses 13, incluíram-se os dois eurodeputados do PCP, que se comportaram neste palco internacional como capachos de Moscovo. Ao lado do agressor contra o agredido. Entre o verdugo e a vítima, escolheram o verdugo. De braço dado com alguns representantes da mais rançosa extrema-direita ali sentada.

Chamam-se João Pimenta Lopes e Sandra Pereira.

É importante que os nomes sejam destacados, para que não fiquem confundidos numa nebulosa imprecisa. E para que nenhum deles tente um dia mais tarde fingir que nada disto aconteceu em Bruxelas a 1 de Março de 2022.

44 comentários em “O major Kong, Putin e os seus capachos”

  1. Daqui a alguns anos o herdeiro de Pacheco Pereira terá muito a dizer sobre este dia, o do “compromisso histórico” entre a extrema-direita europeia e os comunistas portugueses, gregos e da Alemanha oriental, polvilhados com alguns patuscos grupelhos da “burguesia ocidental”.

  2. Boa noite, Pedro Correia
    Comentário escrito em

    1999/04/15 (A OTAM bombardeava Belgrado)

    Quando das asas do espanto
    Nos dias passados caímos,
    Cerramos os punhos e o pranto,
    Pelo sonho prosseguimos.

    Quando o negro e bafiento manto
    Do passado, secar os cravos vimos,
    Fechamos os olhos com ardor tanto
    Que, negando o que vimos, persistimos.

    Elegemos, dos cravos, o seu aroma breve,
    Como o mais puro e genuíno talismã.
    Hoje, atónito, o sonho de Abril treme

    Ao ver sepultado nos céus dos Balcãs,
    Em auroras de ensanguentada neve,
    Os mais belos cravos que jamais haverá”
    Zé Onofre

      1. Boa tarde, Pedro Correia
        Já estava escrito antes do seu desafio.

        022/02/27

        Quero escrever.

        Em palavras simples expressar
        O desespero que me envenena.
        Em palavras simples expressar
        A desilusão que me acabrunha.
        Em palavras simples expressar
        O negrume que me consome.
        Em palavras simples expressar
        O caos em que mergulhei.

        Não encontro palavras
        Para falar de dores
        Que não se manifestam
        Em sintomas.
        Não encontro palavras
        Para descrever
        Uma dor tão funda
        Que me afunda
        Que lentamente me corrói.

        Há sombras tão negras
        Que apenas me deixam
        Chorar.

        Homo insanus, Homo insanus,
        Que fizeste ao Homo Sapiens?
        Para que mundo escuro o remeteste
        Que há tanto tempo desapareceu?
        Será que algum dia
        O voltaremos a ver,
        Ou será que para sempre o desterraste?
        Zé Onofre

  3. A sorte do PCP é que as eleições já passaram. É lembrar o que se passou em 1991, depois do fim do bloco de leste e logo a seguir ao golpe falhado contra Gorbatchov, quando a URSS agonizava. Se fossem agora ganhavam na melhor das hipóteses uns três deputados. Vão ficar na história como os lambe-botas de serviço, assim como algumas personagens da direita mais rançosa, como dizes, que até há não muito tempo erigia Putin como modelo e agora disfarça.

    1. Quanto mais residuais vão ficando nas urnas, são cada vez piores as companhias que escolhem. Não admira que já andem quase ao nível do MRPP.
      Sorte teve Costa, João Pedro. Libertou-se destes aliados no momento certo. Continuar a depender dos amigos do Putin para governar seria o pior dos pesadelos

    2. A sorte do PCP é um partido anti-democrático que defende regimes de partido único viver à custa dos contribuintes portugueses e alambazarem-se com regalias parlamentares e empregos que nao merecem

    1. Excelente pessoa.
      Ainda havemos de ver Jerónimo de Sousa, João Ferreira, João Oliveira, Matteo Salvini, Marine Le Pen e Jair Bolsonaro, em uníssono, proporem-no para Nobel da Paz.

  4. Muito bonito. mas os chamados não alinhados não querem nada com isto pelo contrário muito vão continuar a comprar armas a Putin.

    Paises que representam mais de metade da população mundial farão nada ou muito pouco:
    China
    India
    Indonésia
    Brasil
    Irão
    Mexico e generalidade dos países da América do Sul.
    Países Islâmicos
    Países Africanos
    Países Asiáticos – com excepção da Coreia do Sul, Japão, Singapura, Taiwan que estão mais ligados ao Ocidente.

    1. “Não alinhados”?
      Isso é linguagem do tempo da Guerra Fria.
      A geopolítica actual é outra. E a geoeconomia, com a sua vasta rede de interdependências, também.
      Em apenas seis dias, a Rússia derivou de média potência euroasiática para um Estado pária, olhado com desprezo pelas opiniões públicas e por quase toda a comunidade internacional. Nem um voto a ser favor conseguiu no Conselho de Segurança. E está a reprimir a própria população, impondo-lhe medidas restritivas numa escala sem precedentes desde a queda do regime comunista.
      Sintoma de fraqueza, não de força.

  5. Sinto um profundo nojo dos comunistas que envergonham a democracia portuguesa. Não servem para nada. São uns penduricalhos de Putin!!!

    Alice Cruz

    1. Os treze crápulas que ontem serviram de tapete para o Putin limpar as botas cheias de lama.

      Ei-los, no Quadro de Desonra divulgado pela ‘Newsweek’:
      Marcel de Graaff (Holanda, extrema-direita)
      Francesca Donato (Itália, extrema-direita)
      Ioannis Lagos (Grécia, extrema-direita)
      Lefteris Nikolaou-Alavanos (Grécia, extrema-esquerda)
      Kostas Papadakis (Grécia, extrema-esquerda)
      Clare Daly (Irlanda, extrema-esquerda)
      Mick Wallace (Irlanda, extrema-esquerda)
      Özlem Demirel (Alemanha, extrema-esquerda)
      Martin Schirdewan (Alemanha, extrema-esquerda)
      Sandra Pereira (Portugal, PCP)
      Pimenta Lopes (Portugal, PCP)
      Urbán Crespo (Espanha, extrema-esquerda)
      Tatjana Ždanoka (Letónia)

      https://www.newsweek.com/here-are-members-parliament-who-voted-deny-ukraines-eu-admission-1683808

  6. Continua o delírio, agora até a cidade de Carcóvia é na Ucrânia.
    Bem quis arranjar umas ramagens para compor a jarra de cardos ressequidos, não tem cura e quer contagiar as criancinhas.

  7. Muitas resoluções e pouca habilidade em evitar a guerra quando era possível. Muitas palavras de insulto e pouca racionalidade nos argumentos. Os nazis também adquiriram legitimidade através do voto. E foram apoiados.

    1. Os nazis cometeram crimes de guerra e crimes contra a humanidade.
      Putin está a seguir o manual nazi. Oitenta anos depois de Nuremberga.
      Esmagando o próprio povo russo. Censurando, silenciando, prendendo, torturando e matando. Não apenas os ucranianos mas também os russos.

      Em Portugal, nos anos 1940, não faltaram apoiantes do carrasco Hitler.
      Infelizmente, nos anos 2020, também não faltam.por cá apoiantes do carrasco Putin. Quase todos de focinho tapado nas caixas de comentários.
      Como se tivessem asco de si próprios.

      1. Os nazistas pronunciam-se em nome do povo russo para amaciar as consciências de suas delirantes acções. Em 2014 estava o povo ucraniano na mira de oligarcas na Ucrânia e nos EUA, mentores dos políticos, que negociavam outros interesses. A Crimeia pouco importava.
        Os nazis tiveram tempo para evitar esta situação se conhecessem o porquê de seus congéneres alemães na segunda grande guerra terem incorporado tropas ucranianas em suas fileiras. Os russos são mais bem formados em assuntos académicos.

        1. Conversa de chacha, ao jeito da cartilha do PCP, para evitar condenar a bárbara agressão de Putin à Ucrânia – assumindo-se como “herdeiro espiritual” de Hitler.
          Invade o soberano Estado vizinho, rasgando o direito internacional, ameaça-o com ogivas nucleares, estende esta ameaça a outros Estados, declara alto e bom som que a Ucrânia não tem direito a existir. Apesar de ser uma nação com mais de mil anos de história.
          Está em curso, portanto, um verdadeiro etnocídio em solo ucraniano. Pelo qual o ditador moscovita responderá perante a justiça internacional mais cedo do que tarde.

          1. O território conhecido por todos como Ucrânia existe há mais de 34.000 anos. O que formou a identidade da Ucrânia foi uma federação tribal conhecida como Rússia de Kiev. Não existiam rivalidades. Kruchev era ucraniano e governou a URSS. Mas a questão agora não é esta.
            Putin alerta somente para o facto de uma escalada para uma guerra nuclear. Não é uma ameaça. É uma realidade.

          2. A Ucrânia acedeu em 1994 a ficar sem armamento nuclear.
            Toda a ameaça, nesse aspecto, está do lado do genocida do Kremlin. Que já mais de uma vez declarou estar disposto a fazer disparar ogivas nucleares sobre os Estados vizinhos.
            Mais perigoso que o Hitler. Porque o Hitler nunca dispôs de bomba atómica.

          3. Não percebi o seu receio entre morrer com um tiro de carabina ou com uma bomba atómica.
            A Ucrânia apresenta outro problema que não possuir bombas nucleares. Possui 9 reactores nucleares em seu território, que não convém estar nas mãos de inimigos europeus e americanos. Possui ainda a península da Crimeia que dá acesso estratégico a suas bases navais e possui pessoas pouco credenciadas e respeitáveis a governar na Europa e EUA que muito ambicionam poder ter um pé nesse território e até mesmo poder instalar material ofensivo pouco recomendado que retiraria à Rússia eventual capacidade de resposta em tempo adequado. Como eles sabem pensar, porque pensam longe, agiram preventivamente e avisaram com antecedência para estas consequências.
            Creio que anda a ver demasiados fascistas e comunistas para que possa abrir seu olhar para perspectivas mais amplas e abrangentes.

          4. Os seus amigos em Moscovo matam de muitas formas. Adoram matar opositores politicos e jornalistas, por exemplo. Um chazinho envenenado também serve quando outros métodos falham.
            Claro que a culpa disso é dos EUA e da NATO e da UE. E também do Passos.

          5. Sim, segundo os serviços secretos ocidentais eles costumam usar esse tipo de chás. Mas se as chazadas forem em sentido contrário você concorda. Mas acabei de verificar que somente usou uns mimos literários por não ter como contestar as afirmações por mim manifestadas em anterior comentário.
            Fico com a impressão que a Vexa. quando lhe falta o latim opta pelo vernáculo.

          6. Se há coisa que me repugna ainda mais que um lambe-botas de um ditador que espezinha o seu próprio povo e ameaça os vizinhos com bombas nucleares é que esse lambe-botas ande sempre de focinho tapado, «assinando» ‘anonimus’.
            Podia ter assinado ‘caninus’. Ficava mais consentâneo com as lambidelas.

        1. Exactamente.
          E, sem querer ir a Abel e Caim, teria sido bem melhor se a Conferência de Versalhes não tivesse deixado a Alemanha no estado em que deixou Tal como teria sido melhor se o Ocidente, se tivesse apercebido em 1889/1991 que a Rússia precisava de apoio para consolidar uma democracia.
          Na mesma linha de ideias, tenho esperança que se possa destruir Putín sem humilhar a Rússia mas, com as barbaridades que o exército russo já está a cometer, receio que a opinião pública condene os russos na generalidade. Depois, na Europa e EUA há políticos mas não estadistas e os primeiros seguem sempre a opinião pública.

          1. As atrocidades no terreno já são tantas que deixarão marcas fundas em pelo menos uma geração de ucranianos.
            E não só de ucranianos: também de russos. Porque – não esqueçamos – esta figura sinistra começa por oprimir o seu próprio povo. Algo que certos comentadores parecem esquecer em todas as “análises” que vão bolçando.

          2. Enquanto uns imbecis, por cá, continuam a dar a pata ao dono Putin. Abanando a cauda de alegria por verem o “homem forte” a esmagar população civil na Ucrânia.

      1. Qual parte? Nenhuma parte deseja guerra alguma. Só o Putin deseja incendiar a Europa. A população russa certamente que não.
        Aliás muitos soldados russos – e alguns oficiais – estão a recusar combater na Ucrânia. Há relatos disso todos os dias.

  8. O ilustre , e, sobretudo, ilustrado anónimo, atrapalhou-se com o ” r”…e julgou-se na Polónia.
    Já agora , P C P = Partido CANALHA Português…

    JSP

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