O mago das Finanças.


Luís Menezes Leitão,

 

A previsão que aqui fiz de que Cadilhe, ao propor um imposto extraordinário de 4% sobre o património líquido dos contribuintes, estava a anunciar uma medida já decidida por Vítor Gaspar, vai confirmar-se integralmente. Vítor Gaspar já admite que o défice está descontrolado e os resultados da execução orçamental que vão ser divulgados hoje irão seguramente demonstrá-lo, por muito que os assessores de comunicação o tentem maquilhar. Bem pode o Governo andar a repetir o mesmo discurso cacofónico de que “Portugal não precisa de mais tempo nem de mais dinheiro“. Pelo menos de mais dinheiro precisa desesperadamente, tanto assim que vai continuar a sugar os portugueses até ao tutano.

 

Ao contrário da maioria das pessoas da minha área política, nunca acreditei em Vítor Gaspar. Estava à espera na sua primeira comunicação ao país de assistir à apresentação de um programa ambicioso e exigente de redução da despesa pública. Em vez disso, ouvi-o a anunciar em voz arrastada o lançamento de mais um imposto extraordinário, sem nada dizer sobre a redução da despesa. Durante este ano tive oportunidade de confirmar que a sua política financeira é tão arrastada como o seu discurso. Quanto à redução sustentada da despesa, nicles. Os buracos do défice tapam-se sucessivamente à custa de receitas extraordinárias ou de cortes de salários. Mas com estes sucessivos aumentos de impostos, o efeito mais provável é o aumento da recessão e até a diminuição da receita fiscal, como qualquer estudante de economia sabe.

 

Vítor Gaspar tem sido qualificado por alguns como um mago das Finanças. Mas a sua gestão do Ministério das Finanças está a ser a de um aprendiz de feiticeiro.

6 comentários em “O mago das Finanças.”

  1. Esperemos com o devido respeito, que se engane.
    Tal como nas suas previsões quanto à Grécia: nem saiu do Euro do futebol nem da moeda!
    Há supostos Magos que surpreendidos por supostos aprendizes de feiticeiro, conseguiram transformar sapos em príncipes.
    Normalmente quem tem tanta certeza pouco acerta.

    1. Há alguém que tenha conseguido transformar sapos em príncipes? Eu não conheço. E asseguro-lhe que, se existir, não é Vítor Gaspar.

      Quanto às minhas previsões quanto à saída da Grécia do euro, arrisco-me a dizer: espere só mais algum tempo.

    1. assessores, comissões, “especialistas”, antónio borges, o sr. pentelhos e tantos outros que mamam e não fazem nada. ah e claro, os bancos, porque os resgates (tuga, grego, etc) são todos para ajudar os amigos banqueiros

  2. Esqueceu-se de referir que, nessa mesma notícia e segundo o ministro, o “buraco do défice” que é preciso tapar não é pela despesa – não se confunda défice com despesa. Terá havido quebra nas receitas, enquanto as despesas estão sob controlo (com uma descida superior ao esperado), também diz a notícia.

    1. O défice é a diferença negativa entre a despesa e a receita. Se houve quebra das receitas, apesar do brutal aumento de impostos, tal só demonstra o disparate que foi essa política, uma vez que o défice fica fora de controlo. Quanto à quebra da despesa que houve, não me espanta que seja superior ao esperado. Afinal, não se esperava nada porque nada foi feito nesse sentido.

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