Em 13 de Fevereiro de 2016, a seleção espanhola de futsal sagrou-se campeã europeia. No dia seguinte, os 3 jornais de referência do país tinham grandes manchetes de primeira página sobre tão extraordinário feito, certo? Errado. Não lhe fazem, sequer, uma minúscula referência. Compare-se isto com o que se pode ver hoje no DN, no JN ou até no Público, ou nas aberturas dos jornais televisivos. Com as homenagens, as condecorações e as recepções a que já assistimos ou que já foram ameaçadas nas últimas horas. Uma das características de sermos pequeninos, não de geografia mas de cabecinha, é não termos a mínima noção da real e relativa importância das coisas. Outra, que no fim é a mesma, é este entusiasmo infantil com qualquer sucesso, por irrelevante que seja, em que se ostente a nossa pobre bandeira. Cada vez que um luso-canadiano, um luso-francês, um luso-nepalês ganha na carica, o país abana em espasmo. Quando a gesta é daqueles portugueses mesmo daqui, quase caímos todos ao mar. No sábado, o fulano que exerce de primeiro-ministro, com apenas 5 minutos de jogo decorridos na primeira parte, já festejava um golo no twitter. Dói ser-se tão tacanho. Dói esta doença a que podemos chamar luso-portuguesismo.

Rui, talvez isso se deve a termos tão poucos motivos de orgulho. Há bem pouco tempo , penso que a Francisca Prieto, em terras birmaneses, mostrava- nos, num post , um pôster do Ronaldo pendurado numa parede de café.
Penso que nesse caso apontado foram os espanhóis que estiveram mal, não nós. Agora coisa bem diferente é levar semanas a fio , dias a fio, a falar de bola.
O problema é que o Ronaldo é um luso-madeirense, ele não é um “português mesmo daqui”, nas ilustre palavras do Rui.
E também não é nem foi do Benfica.
E futebol sem bola, sobretudo!!
Sobretudo. Justiniano recomendo sobre esta temática o último Expresso da Meia Noite
Não percebo o sentido da distinção que o Rui faz entre os “luso-nepaleses” e os “luso-canadianos” e os “portugueses mesmo daqui”. Muito menos percebo a relação entre essa distinção e a vitória no campeonato europeu de futebol.
Talvez seja melhor não perceber.
não termos a mínima noção da real e relativa importância das coisas
Não. Temos a perfeita noção. É que, por Portugal ter 10 milhões de habitantes enquanto que Espanha tem 40, é quatro vezes mais fácil arranjar-se bons jogadores de futsal em Espanha do que em Portugal. Por isso, se a seleção portuguesa ganha à espanhola, isso é notável. Trata-se, precisamente, de uma questão relativa – é relativamente difícil um país pequeno vencer um país grande.
Camarada Lavoura…
Dá para imaginar o que seria de ganhássemos à China!!!!
(Onde todos os portugueses cabem numa vilareca!)
Menoridade mental, adolescência retardada , à escolha.
Tudo natural no fatal “torrãozinho de açúcar” do fatal “Zé Maria” ( por interposto brigadeiro Chagas…).
Mas como os Alemães continuam a ser um povo esmoler…
Como se diz na minha terra, este post não tem “ponta por onde se lhe pegue”, para ser civilizado no comentário…
Pois, e o pior é que, se uma pessoa tenta pegar por alguma das pontas do post, sai lá de dentro um mau cheiro que não se aguenta. (Como por exemplo naquela dos “portugueses mesmo daqui”.) Por isso, é melhor nem lhe tentar pegar.
Se não tem ponta por onde se lhe pegue, este post, é porque a realidade portuguesa – que este povo embrutecido e incivilizado tão fervorosamente cultiva, sob a batuta de um poder venal e absolutamente desprovido de vergonha – não tem ponta por onde se lhe pegue.
Isto para ser civilizado neste comentário ao seu comentário.
Costa
O Costa é “embrutecido e incivilizado”?
Cada um que fale por si. É que quando se invoca o povo , no final, feitas as contas, nunca ninguém se reconhece do povo.
Fale por si, Vlad. Por mim, faça favor…
Costa
Por acaso não tem mesmo. É para esquecer.
Estava a ficar assustada que ninguém se manifestasse.
Fiquei imensamente desgostosa que o meu país voltasse
a ser campeão. Quero com muita força ser uma pessoa de
grande nível. Uns quantos anormais com uma bola… só mesmo
as massas para perderem tempo com um feito tāo desprezível.
Realmente este post não tem ponta por onde se lhe pegue.
Também faço tudo para ser civilizada..
Situação saloia no mesmo andamento do progressivo atavismodo “metoo”…
Muito bem, Rui.
E o vinho, meu Deus e o vinho.
Em 1 de Julho de 2012 a selecção espanhola sagrou-se pela 3.a vez campeã europeia de futebol. Em 2 de Julho de 2012 os 3 maiores jornais de referência do país tinham grandes manchetes de primeira página sobre tão extraordinário feito, certo? Quase certo: não apenas os 3 maiores mas quase todos, e no dia 3 e no dia 4, continuando alguns no dia 5.
Não percebi se o seu problema é com a luso-tacanhez, e nesse caso escolheu mau exemplo, ou se é com a modalidade, e nesse caso talvez a tacanhez do “luso-portuguesismo” (?!) ataque mais uns que outros.
Que ela existe, existe. Mas não é exclusivo tuga.
Trata-se aqui de futsal. De futsal. E se fosse de futebol, o exagero repugnante não deixaria de o ser. Não será exclusivo português, de facto (a máquina de impor futebol é um polvo mundial, não é invenção nossa), mas isso não é desculpa para a bola-dependência que por cá vigora e é incrivelmente cultivada pelo poder e pela generalidade dos alegados fazedores de opinião.
Um dia destes inventa-se o campeonato mundial de fut-recreio-de-escola-primária. O pontapé na bola, bem se sabe, nunca pode faltar e jamais será excessivo. E havemos de ser campeões, pois claro! Com abertura de telejornais e mensagens das excelências aplicáveis (do descaramento oportunista ao afecto inevitável).
Costa
Não, trata-se aqui de atribuir tacanhez genética a uma socuedade usando realidade distorcida.
E a sua resposta em nada explica o porquê de os espanhóis serem aparentemente melhores que os portugueses por fazerem longa festa ao futebol mas não ao futsal.
Já agora, eles também fazem longa festa a atirar tomates uns aos outros ou a queimar gigantescos e elaborados bonecos de papel. E?
Fale-se de virtudes e defeitos mas não como se fossem atributos de todo um país, e não se caia nas comparações com outros povos como se o padrão dos outros fosse melhor. Essa é a maior tacanhez.
Precisamente, não se caia aqui em comparações justificativas. Os tomates que eles atiram e os bonecos que queimam, legitimam o quê de nossa parte?
Costa
Não sei, foi Costa comentador quem legitimou a comparação, frisando tratar-se de futsal e sugerindo até futuros campeonatos…
Comparação de futsal com futebol. Não entre portugueses e espanhóis (ou quem quer que seja); decerto que você sabe argumentar melhor, não ofenda a sua inteligência.
Ou ofenda. É lá consigo.
E o que é que sugerir novas variantes do pontapé na bola tem de comparativo? Com o quê? Aliás nem é preciso dar-lhes ideias, é certo. A “famiglia” da bola, em precisando de ainda mais dinheiro e atenção das massas, inventará qualquer coisa. E o estado – os estados – logo servilmente a secundará.
Costa
A minha inteligência poderia ofender Costa quando tenta alterar o teor dos meus comentários, mas eu não tenho a sensibilidade tão frágil. Ou frágeis serão as tentativas, mas não interessa.
Começou por tentar corrigir-me ao, solicita mas não solicitadamente, explicar ser o tema da conversa o futsal. E agora tenta explicar que o tema era comparação com futebol. Assim não vamos lá…
Ao contrário de Costa comentador, não vou presumir que Costa comentador poderia ter argumentado melhor se quisesse, por exemplo, sublinhar o nacional servilismo aos internacionais interesses do império Futebol – se pudesse ou quisesse, tê-lo-ia feito. Ditou-lhe a vontade que começasse pela modalidade em causa e deixasse o verbo correr por conta da bola, em salão ou na relva; mas a sagacidade não lhe permitiu perceber nos meus comentários o ácido desagrado com a abordagem ao cerne do postal. Uma pena. Pesada.
Ou não terá no postal visto o beliscar aos jornalistas acusados de distrair as hostes e o morder à sociedade (e à saciedade), do Costa PM – que deveria ignorar tais passatempos (ver jogos e tweetar) – ao cidadão comum – que deveria, e aqui não percebi bem qual a correcta, ou importar fleuma em doses cavalares ou dedicar o seu entusiasmo de nação exclusivamente a feitos de alto coturno (os quais, por omissão de Rui Rocha, ficaram por balizar)? É que o futsal foi mero pretexto. E o exemplo muito mal escolhido.
E sabe o que é mais triste no postal? É que eu até concordo com o cerne – poderíamos inconsequentemente rebentar de orgulho com qualquer prémio além-fronteiras, do chinquilho à miss mundo, se cá dentro nos premiássemos com feitos de boa gestão patrimonial e crescimento social. Mas cada festejo tem consequências e a distracção não é inocente, independentemente de quem a encomenda ou com ela beneficia.
Mas isso não implica não festejarmos os nossos e muito menos legitima comparações pífias com atitudes de outros.
Resta dizer que também concordo um bocadinho com outra questão marginalmente aflorada pelo Rui: a nacionalidade anda a ser atribuída em troca de medalhas e sem qualquer respeito pela nossa pátria língua ou cultura. “Serviços relevantes ao Estado Português” o caraças!
Caro Sarin,
“Assim não vamos lá”, escreve. E escreve muito bem. Assim não vamos lá, não com exercícios de virtuosismo de redacção que sacrificam o conteúdo – e com este a clareza de exposição – do que se escreve e daquilo a que se pretende responder, à exuberância barroca (dir-se-ia gongórica) com que os dedos, suponho, pululam sobre o teclado.
Muito aquém se fica, parecendo querer ser-lhes igual, dos grandes das grandes polémicas de outros tempos.
Sugiro que fiquemos por aqui, se lhe parecer bem: discordamos. E aceitemos o efémero que é próprio destas trocas de comentários. Aliás, há-de admitir que legitimamente pretenda moderar a minha exposição a gases tóxicos.
Costa
Nada a obstar ao encerramento da questão, apenas lamento que a minha escrita o tenha confundido e assumo responsabilidade pela falha – estivesse eu mais atenta e, após Costa comentador me ter explicado qual o tema da discussão, teria revisto o estilo para um que Costa comentador pudesse entender. Bem-aja pela compreensão. Oxalá!
E fico-lhe grata pela excelente demonstração da sua perspicácia e finura, usar ironia sem resvalar no óbvio que o meu pseudónimo suscita não está ao alcance de todos.
O problema que Rui Rocha expõe tem solução fácil. Assim: lemos primeiro os jornais espanhóis e depois imitamo-los. Deixamos de ser parolos. Que tal?
Caro anónimo: está a gozar, não é?
A minha resposta é: cada roca tem seu fuso e cada terra tem seu uso. Ou seja, os espanhóis não ligam pevide ao futessal e nós ligamos. Ponto final.
O problema que Rui Rocha expõe tem fácil solução. É assim: lemos primeiro os jornais espanhóis e depois imitamo-los. Deixamos de ser parolos. Que tal?
Os brasileiros deliram com as vitórias no futebol (lembram-se de quando perdeu a favor do Uruguai?). Portanto são mais bestas que os portugueses. Ah, ah, ah, ah.
Pois a mim não me dói nada. Fico contente quando Portugal ganha seja o que for. Compreendo quem vai esperar as equipas ao aeroporto e as apaparica. Na verdade, somos um país pequeno e pobre que vive com a corda na garganta quanto à economia que por acaso é aquela coisa que manda em quase tudo. E, portanto, festejemos o pouco que temos ou nunca haverá festa.
” Na verdade, somos um país pequeno e pobre ” Isto é uma mania que se meteu na cabeça de alguns. Não tem ponta por onde se pegue (é como o post em apreço). Quantos países há mais pequenos que Portugal quer em área que em população? Ora conte. E quantos mais pobres existem? Ora conte.
“Chorei por não ter sapatos até ao dia em que vi uma criança sem pés.”
Não sei quem é o autor da frase, mas lembro-me do que pensei a primeira vez que a li, ainda uma criança de 8 anos a admirar um calendário pintado por pintores sem braços: “sim, às vezes fico triste por coisas que não são assim tão importantes. Coitados dos que têm menos.”
Dois anos mais tarde, numa aula de Língua Portuguesa, estudávamos rifões e frases célebres (“estudávamos” como em “líamos, pensávamos e discutíamos o significado”) e, perante a mesmíssima reacção dos meus colegas, eu disse alto “isso é aceitar o mal que temos por haver quem tenha pior, e é isso que os ditadores desejam, que nos contentemos com menos”. Eu tinha tido dois anos além dos 10minutos que os meus colegas tiveram para pensar.
Hoje chamo-lhe nivelar por baixo.
Sarin, podemos também aprender , com a desvirtude de outros, lições de humildade. E a humidade em qualquer lugar e tempo é cardeal de virtude. Não nivelar por baixo.
Aliás é a ambição fonte não de satisfação, mas de frustração.
Por isso as duas leituras.
Mas quando nos enaltecemos por não sermos pobres porque outros há mais pobres que nós, não apenas não é humildade como é mesmo comodidade.
Sejamos humildes, não ufanos da mediania.
Também me rebelo com “o óptimo é inimigo do bom” em alguns contextos – frases de ordem para apelar à ponderação são usadas muitas vezes como travão à criatividade e à inovação.
Como em tudo, deve imperar o equilíbrio. Que não é exactamente uma média estatística 🙂
E as ambições são fonte de frustração, mas é com ambição que se aprofunda conhecimento, é com ambição que se superam as falhas, é com ambição que se cresce como pessoa.
Vlad, não circunscrevamos a ambição à cobiça – pelo que lhe leio, o seu vocabulário aparenta ser inversamente proporcional às suas ambições materialistas; que tal conceder a outros o benefício da dúvida?
Rui Rocha, não me parece justo comparar o destaque que demos à primeira vitória de Portugal no europeu de futsal, com o que a imprensa espanhola deu à… sétima vitória de Espanha. É natural que a primeira vez seja mais “saborosa”.
Para além disso, é uma lufada de ar fresco ver os jornais de reverência realçarem feitos ainda que desportivos, em vez dos “feitos” de António Costa e do governo.
“Para além disso, é uma lufada de ar fresco ver os jornais de reverência realçarem feitos ainda que desportivos, em vez dos “feitos” de António Costa e do governo.”
Há tipos inteligentes, não há dúvida!
“jornais de reverência”
Boa!
Reverência? Isso é Marchismo.
Raptado! https://lishbuna.blogspot.pt/2018/02/blo g-post_13.html
https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/as sociacao-de-ciclismo-do-minho-acusa-marc elo-de-discriminar-modalidades
Acusar todos os Portugueses de uma doença de jornalistas de inspiração tropicalista é o cumulo da sacanice. Nós não somos o que passa nas televisões. Isso é o que vocês são. Exclusivamente.