O léxico dos candidatos (3)


Pedro Correia,

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AFECTO

«Iniciamos neste preciso instante uma caminhada de cinco anos. Uma caminhada feita por Portugal, com independência, com sentido nacional, com espírito de convergência e com afecto.»

CATÓLICO

«Sou católico, influenciado pelo Vaticano II, concílio bem presente hoje no magistério do Papa Francisco.»

CONSTITUIÇÃO

«Honro-me de ter sido constituinte e de ter modestamente contribuído para a feitura da Constituição, antes mesmo de a ensinar aos meus estudantes.»

CONTROLO

«Presente na cena pública há mais de 40 anos poucos terão sido mais escrutinados, mais avaliados, mais sujeitos ao acompanhamento crítico. Sempre fiz questão de abrir a minha vida a esse controlo no que penso, no que faço, no que ganho, no que gasto, respondendo por tudo o que fiz, melhor ou pior.»

CRISE

«Estou consciente de como o estado do mundo e da Europa não deixam antever anos fáceis e de como Portugal tem de sair claramente de um clima de crise financeira, económica e social, pesada e injusta, que já durou tempo de mais.»

DESPRENDIMENTO

«Encaro o serviço da comunidade com o desprendimento exigido de quem não precisa de lugares, de promoções ou de popularidade.»

DEVER

«Foi para dizer que cumprirei o meu dever moral de pagar a Portugal o que Portugal me deu que aqui vim e aqui estou.»

DISTÂNCIA

«Sei, como um sem-número de portugueses, o que custa a distância e o que vale sermos uma pátria dispersa pelo mundo em que muitos dos nossos melhores tiveram de partir porque não encontravam entre nós condições para ficar.»

INDEPENDÊNCIA

«Recusei, fora da comunicação social, cargos empresariais para que fui convidado desde o começo da minha vida profissional trocando lugares e honorários por independência e liberdade crítica.»

INGOVERNABILIDADE

«Não há desenvolvimento, nem justiça, nem mais igualdade com governos a durarem seis meses ou um ano, com ingovernabilidade crónica e sem um horizonte que permita aos governados perceberem aquilo com que podem contar no quadro da composição parlamentar resultante daquilo que votam.»

JUSTIÇA

«O fim maior na política é o combate à pobreza, a luta contra as desigualdades, a afirmação da justiça social.»

PONTES

«Ninguém se salva sozinho. É preciso construir pontes e não criar ou manter fortalezas ou barreiras.»

SORRISO

«Os portugueses que têm penado tanto nestes anos de crise esperam de quem os represente o afecto de uma palavra, de um gesto, de uma solidariedade, de uma lágrima, de um sorriso.»

TOCADO

«Sou há 42 anos professor na universidade e gosto de o ser. Foi e é a vocação da minha vida, tendo sido tocado e tocando a vida de milhares de alunas e de alunos.»

 

Do discurso de apresentação da candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa

32 comentários em “O léxico dos candidatos (3)”

  1. O canto de sereia em que muitos (a esmagadora maioria) vão cair, vai sair-nos muito caro.

    Um homem que nunca teve qualquer cargo decisório e que viveu sempre de criticar quem os tinha e que nos últimos anos não quis confrontar de forma frontal e directa quem pisava a Constituição que ajudou a fazer não pode servir.
    A PR precisa (assim como outros órgãos do Estado) de homens frontais e que não estejam dependentes de nada a não ser do poder que lhes foi conferido pelos seus concidadãos.

      1. Que se saiba o professor Nóvoa foi Reitor duma Universidade onde tinha de decidir muita coisa e muitas delas, nada fáceis. O Professor Marcelo não passou de professor e comentador de tudo e mais alguma coisa.

          1. Lamento que fique esmagado, mas é a realidade. Tem um currículo invejável e o Pedro sabe disso, negá-lo não é justo.

          2. Invejável, claro. Qual deputado, qual ministro, qual conselheiro de Estado, qual líder de partido… reitor de universidade é que dá currículo.

          3. Pela sua lógico isso não vale nada, mas ser comentador ora numa estação ora noutra, isso sim, dá todo o currículo. Olhe para Cavaco e observe bem que com todos os cargos que teve, o único que conseguiu foi ser um péssimo Presidente.

          4. Comentar “ora numa estação ora noutra” é mau?
            Olhe que não…
            Você está a ser demasiado severo para o dr. Pacheco Pereira.

          5. Não desvie o assunto para o Pacheco Pereira que não é chamado para aqui, mas já que falou nele, tenho a dizer-lhe que é muito bom, no que faz e no que diz.

          6. É bom? Mas pelo seu critério jamais poderia candidatar-se a Presidente da República. Por ser (cito-o a si) “comentador de tudo e mais alguma coisa”.

          7. Não distorça o que os outros dizem que é o que o Pedro quer fazer crer e é perito. Pacheco Pereira podia ser Presidente tem tudo para o ser, mas não quer. Não compare os comentários de Pacheco Pereira com os de Marcelo porque são incomparáveis.

  2. O que é que dá currículo para se ser presidente da república? Ser comentarista da TV? Ser um breve presidente do PSD, mesmo não tendo Cristo vindo à Terra?

    1. Consulte a lista dos últimos reitores da Universidade de Lisboa. Talvez se sinta capaz de responder às suas dúvidas:
      Marcelo Caetano (1959-62)
      Paulo Cunha (1962-65)
      José Vasconcelos e Castro (1965-69)
      Fernando Barreira (1969-73)
      Veríssimo Serrão (1973-74)
      Barahona Fernandes (1974-77)
      Ilídio Amaral (1977-79)
      Raul Rosado Fernandes (1979-82)
      José Toscano Rico (1983-86)
      Meira Soares (1986-98)
      José Barata Moura (1998-2006)
      Sampaio da Nóvoa (2006-13)

  3. Ser reitor da Universidade de Lisboa, não é ter currículo suficiente para ser presidente da república. É isso que quer dizer? Mas ser comentador da TV, já é. É isso?

  4. Políticos em Portugal de primeira mão, com a representatividade de quem foi eleito em nome, que venceram eleições perante outros demais candidatos, só Presidentes da República e Presidentes de Camara Municipal.

    O vasto eleitorado de uma grande urbe, o Porto, na realidade constituído por relativamente menos funcionários públicos e mais empregados do privado do que em Lisboa, optou por votar num independente (a sério) o actual PdCM do Porto R. Moreira, com evidente prejuízo dos outros pré-consagrados candidatos.

    No sistema político português afastar-se, com méritos, do seguidismo ao todo poderoso chefe partidário, e/ou PM, é uma “medalha”, um assinalável sinal de independência.
    Estão neste caso H. Neto e outros no seu grupo.

    MR de Sousa poderá ser, a nível nacional, vítima do mesmo fenómeno eleitoral, pró-independentes, que germinou no Norte?.

    A seu tempo veremos.

  5. Um feroz Socialista que não aceita diferenças e que por isso terá um Portugal estagnado, parado, sem ideias, sem criatividade, sem desenvolvimento.

    O Portugal de Marcelo é um Portugal a apodrecer onde todos se controlam uns aos outros para poder existir igualdade.

    Se fazes alguma coisa diferente e tiveres sucesso Marcelo encarrega-se de te punir.

    1. Marcelo, “um feroz socialista”?
      Você continua fiel à sua grelha de análise: duas ou três palavras servem para tudo.
      Esqueceu-se desta vez de mencionar o marxismo. Veja lá: MRS é capaz de ser um perigoso marxista.

  6. Basta atentar no comentário que Marcelo fez na tv a propósito do Banif para definitivamente desistir de esperar algo de novo e diferente deste candidato: comentário mais redondo, mais banal e mais vazio é impossível.

  7. A técnica é hábil, e não ofende. A uma pergunta, responde-se com outra pergunta.
    Mas eu não vou servir-me de tal habilidade e vou responder-lhe sem subterfúgios:
    sim, Pacheco Pereira pode ser PR, Marcelo pode ser PR, Sampaio da Nóvoa pode ser PR, independentemente do currículo de qualquer deles. Dos três, eu votaria no último, quanto ao Marcelo, por absurdo, só votaria nele se o opositor fosse o P.P. Coelho ou P. Portas.

    1. Nunca diga nunca, meu amigo. Lembre-se dos milhões de franceses que votaram no detestado Jacques Chirac na segunda volta das presidenciais francesas para travar o passo ao velho Le Pen.
      Por cá, Cunhal disse “nunca” a Soares. E acabou por votar nele e a recomendar o voto nele em 1986.

  8. Não percebeu ou fingiu que não percebeu. Claro que votaria sempre Marcelo se o opositor fosse algum dos que mencionei, ou de igual perfil.

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