O jornal “Público” vê-se grego


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Volta e meia leio algo publicado no “Público” – o “boletim da SONAE”, como digo em dias mais mal-humorados, nos quais me interrogo, sem me dar resposta, sobre que interesse(s) terá aquele grupo económico para estas décadas de financiamento a um jornal com tamanho, e progressivo, viés político.  O apoio aos “poderes fácticos” (o PS, entenda-se) – sob o sempre reclamado cognome “jornalismo de referência” – é compreensível economicamente. E o acolitar do bloquismo terá tido causas também sociológicas, dada a atrapalhada adesão à coalizão m-l de feixes de uma geração letrada lisboeta pequeno-burguesa. Mas o mais recente coito dado aos constantes dislates do marxismo racializado, ecoando esta incessante tralha “decolonial” avessa à “branquitude” e papagueada entre nichos académicos desnorteados (sem Norte e nisso julgando-se pró-“Sul”), sitos nos eixos Campo Grande-Campolide e “do Choupal até à Lapa”, será menos compreensível, advirá mesmo de causas internas à empresa, de um enquistamento ideológico na sua redacção. 

Muitos, crentes nessa tal entidade benfazeja “jornalismo de referência”, negam tal viés. E escudam-se no pluralismo presente no jornal, lembrando ocasionais investidas sobre derivas mais esconsas nos poderes instalados e, acima de tudo, a presença recorrente de colunistas menos geringôncicos, dos quais o exemplo mais referido é João Miguel Tavares. Nisso não faltam à verdade, aquele ramalhete opinativo é orlado desse e de alguns outros nomes, constantes ou episódicos. Mas isso não obsta ao frenesim esquerdista encapsulado pela agenda socialista que comanda o jornal.

Enfim, avante. O viés do “Público” é notório e não justifica o tal epíteto “de referência”. Não porque uma linha editorial política não se possa articular com qualidade. Mas porque o estratégico servilismo face ao poder político é o avesso dessa propalada valorização. Exemplo radical dessa agenda político-ideológica é o noticiar do processo grego. É certo que os directores do jornal vão mudando. E é também certo que há alguma diferença entre o contexto actual neste 2023 e o vigente em 2015, então ressaca da crise do final da década transacta e das políticas de austeridade que provocou. Ainda assim, muito se denota a essência do “Público” na comparação entre o relevo dado aos resultados das eleições legislativas gregas do passado domingo – enorme vitória do centro-direita – e o atribuído aos resultados de 2015. Quando o Syriza ganhou, Tsipras foi para o poder (cumprir as políticas europeias…), António Costa rejubilou, Varoufakis se catapultou como sex-symbol académico e best-seller e best-speaker.

Para quem ache que eu estou a exagerar deixo as capas dos dias subsequentes às duas eleições. E  nem faço análise aos conteúdos do que o “Público” foi noticiando sobre os dois processos eleitorais. Pois bastam estas duas imagens para demarcar mesmo o que é o tal “boletim da SONAE”.

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(26 de Junho de 2023)

(26 Janeiro 2015)

36 comentários em “O jornal “Público” vê-se grego”

  1. AS SURPREENDENTES AVENTURAS DO BARÃO DE MUNCHAUSEN
    Por Rudolph Erich Raspe / Publicado em 1895
    barão parlapatão

    O FLAUTISTA DE HAMELIN
    Ratos!
    Lutavam com os cães e matavam os gatos,
    Mordiam os bebés nas suas alcofas,
    Comiam os queijos das cubas e pratos,
    Às cozinheiras roubavam as sopas,
    Pilhavam as arcas das salgadeiras,
    Faziam ninhos nas roupas domingueiras
    Estragavam até as conversas soalheiras,
    Abafando os arrazoados
    Com seus guinchos e chiados
    De mil tons e maneiras.

    1. sô raiano, quando essas transcrições vêm na nossa língua pátria até que são mais agradáveis – nada contra o poliglotismo da internet, diga-se.

  2. ‘Virar a página da austeridade’ – haverá projecto mais aliciante para a cambada que, montada na dívida e nos subsídios’ faz da política o enunciado do ‘dever ser’ de curto prazo?
    E no ‘dever ser’ passam o tempo por tanto tempo, que parece religião que os levará ao paraíso carregados de boas intenções e estúpida obra.

      1. Tão «prazenteira para os da “direita”…» que sempre retorna pela mão dos que se dizem de esquerda!

  3. Este sem nada que valha 10 paus, até eu, ou jpt, director do jornal também daria mais página ao acontecimento de 2015 que ao de hoje tinha mais que fazer.
    (nem sequer tenho na ideia aquela de carregar no comando dos canais da tv)

  4. Quando na segunda-feira serviu de veículo para Costa transmitir as tretas que mais lhe convinham (que não está disponível para Bruxelas, que está casado com a Pátria, que é o único garante da estabilidade, etc) e não impôs, como condição para tal, que Costa também – pelo menos! – lhe explicasse a história do jogo da bola, o Público mostrou (de novo) claramente ao que vem: disponibilizar-se para servir de capacho da Situação.

  5. A. Costa queria ir para um cargo UE?. Sim, mas sobretudo queria ir para fora “disto”, pois bem sabe que o ainda pior vem aí e a vergonha de ser Kalimero, a oposição, é casca de ovo que não quer meter na cabeça.
    O Azar é que os seus pares socialistas “os latinos”, o Sul da UE, já não o podem co-optar, nem pouco, Itália, Grécia,e… Espanha. Quanto aos donos disto tudo, a Alemanha, ja sabemos, não há dinheiro, não há palhaços. .
    E quanto ao chefe da mediterrânea tropa fandanga nas reuniões da UE, a França/Macron, cai, cairá sempre, com destreza, para o lado aonde está o poder.

  6. A tendência é o fim da unanimidade nas votações do Executivo da UE.
    A Alemanha e a França querem… e estão prestes a consegui-lo. A última facada nesta coisa de um, já muito impotente, PM por aqui.
    Vai daí os pequenos ex-Países na UE passarão de “Câmaras Municipais”, pedintes, com os seus orçamentos aprovados em Bruxelas, a “Freguesias” à espera das migalhas de bom comportamente.
    Entretanto, a Alemanhã e França querem implementar a “flat tax” em toda a UE.

    1. são uns malvados, esses europeus… (o comentário era para este postal? Ou é apenas um desabafo, diante dos males da… Europa?)

  7. Eu deixo oficiar estes capelistas do rato e evito os wokismos dos legumes e das carnes torturadas.
    Se dou a cheta suspendo a desanda.(Conde de Abranhos,Tio Marçal)

  8. > o tal “boletim da SONAE”.

    Desculpe, mas tem um erro de ortografia, escreveu mal “orgão central do Bloco de Esquerda”.

        1. Pois, pois, qualquer um entra na licenciatura de jornalismo, depois dá nisto.
          Devia de haver uma selecção muito rigorosa: só para pessoas de bem e arredores.

          1. Mas no tempo da tarimba saiam para “A República”, “Notícias da Amadora”, “Jornal do Fundão”, “Diário de Lisboa” e “Diário Popular”, depois os filhos e netos por aí ainda andam.
            Só lá vai com uma selecção rigorosa.

          2. Não era o Comércio do Funchal que era impresso em papel cor-de-salmão, a la Financial Times, e que hilariantemente se tornou um megafonezito de já não sei que esquerda revolucionária, com um bonzo que depois pontificou no Expresso?

            Estas coisa davam uma comédia de truz.

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