O insulto


eventhorizon,

O célebre post de Francisco José Viegas que anda a correr os jornais e as redes sociais é sintomático, sim, mas não de uma qualquer má educação. Vamos lá ver: em Portugal, a quem é que ocorre dizer “vá tomar no cu” no dia-a-dia? Nenhum adepto manda o árbitro “ir tomar no cu” quando o pénalti claríssimo ficou por assinalar. Nenhum cidadão manda um Ministro das Finanças “ir tomar no cu” quando os impostos aumentam. Nenhuma pessoa normal – excepto Francisco José Viegas, pelos vistos -, em situação alguma, mandaria outra pessoa ir “tomar no cu”. Note-se como até no insulto os nossos políticos – ou, no caso, ex-políticos – vivem desligados do país real e dos cidadãos. 

 

De resto, convenhamos que como insulto a expressão utilizada é incomparavelmente mais ridícula para quem a profere do que insultuosa para o eventual destinatário. “Tomar no cu”? A sério? Já chegámos a este ponto? Já nem insultar sabemos? 

38 comentários em “O insulto”

  1. Se se procurar a expressão na net vê-se que os resultados devolvidos pela busca são brasileiros.
    A condizer: é uma expressão brasileira, de um negociante brasileiro que foi secretário de estado da cultura (!!!) num governo em que Relvas é ministro. Tentou impor o acordês, usando os métodos que agora são usados usar para impor a factura – pouco ou nenhum respeito pelos portugueses e igual ausênsia de honestidade e vergonha na cara – pelo que, a esse respeito, se lhe pode devolver o brasileirismo, juntado-se-lhe o texto do acordo, para colocar no mesmo sítio.

    1. Que é uma expressão brasileira sei eu bem. Mas que eu saiba, ainda estamos em Portugal – e em português de Portugal, pré ou pós-Acordo, não se manda ninguém “tomar no cu”..!

      1. E sabe muito bem…infelizmente ainda estamos em Portugal, não fosse isso e estaríamos vivendo cima desta miséria real e moral!
        Para mim esse Sr. é um vendido.
        Vendeu-se aos destruidores da nossa cultura ao mesmo tempo que mantinha duas páginas de opinião na revista do Correio da manhã, onde expunha a sua veia cultural e o que o seu exercício ia executando.
        O ” tomar ” provavelmente ele entende como tomar um remédio… 😉

      2. Viegas poderá estar a pensar na publicação no Brasil e nem todos são o Miguel Sousa Tavares, que recusou mudanças de ortografia e de léxico propostas pelos editores brasileiros.
        Não esquecer, também, o desvelo com que Viegas e Relvas (e agora o Portas) tratam os brasileiros.
        Quanto à coisa em si, é a receita antiga de proferir umas boçalidades – grátis.
        No meio disto tudo, como estará o assunto da dívida do Viegas às Finanças? Ainda eram umas dezenas de milhares de euros.

      3. Estamos em Portugal mas isto está infestado de retornados, sobretudo nas TV, a fabricar um País falso. FJV é um deles.

  2. Não se trata de saber ou não. As elites “cultas” falam assim.Os plebeus é que dizem de outra maneira. Eu sempre achei que o FJV estava lá a “encher chouriços”

    1. E eu que pensava que as tais “elites cultas”, tão preocupadas com as maneiras, jamais mandariam alguém tomar o que quer que fosse, onde quer que fosse. Vivendo e aprendendo, lá está 🙂

        1. Com o prediozinho manhoso com que estragou o Saldanha, não era no cu que o Taveira devia apanhar. Era mesmo no focinho.

          1. Não apreciando especialmente os marramachos, acho que no caso a culpa é menos do arquitecto e mais de quem permitiu que a coisa fosse feita. E a malta que está agora na CML tem repetido a graça com frequência.

          2. O arquitecto é que o desenhou, sabendo perfeitamente os limites dos regulamentos. É estranho que num País tão dado a fascismos do Estado, não se utilize um critério estético mais rígido para evitar o expressionismo selvagem dos labregos.

      1. Tomar no dito não mandam nem nunca mandaram. Usam o verbo levar ou ir: “Nunca te foram ao cu,/nem nas perninhas, aposto! (…) como escreve António Boto.
        Assim falam as élites, que tinham muito talento e tanta vergonha quanto arrojo.
        Mas o que tem o negociante Viegas a ver com élites?

  3. JCampos,
    Parece-me que tem toda a razão em tudo. Mas não chega.
    No que toca a insultos em torno do tema “fiscal das finanças à porta da pastelaria a pedir-nos a fatura da bica e a multar-nos se não a tivermos”, o tema insulto não está esgotado.
    E não se trata de “reverso da medalha”, nem tão pouco do complemento.
    O insulto “vai tomar no cu” é um complemento ao insulto propriamente dito, e esse é haver dentro do bunker (em que o Ministério das Finanças se transformou) quem esteja tão desligado do país que nem sequer percebe que há coisas que não se dizem nem por graça, muito menos a sério.

    Quanto à sua pergunta, “já chegámos a isto?”, a resposta é: “chegámos”, não, já passámos.

    1. O tema é o brasileirismo do Viegas, não as trapalhadas do governo de que Viegas foi um membro menor e o qual saiu apenas por motivo de doença – a não ser que tenha mentido.

  4. O Viegas é um parvo convencido que é uma pessoa importante. O melhor é não lhe passar cartão e mandá-lo àquela banda. E não falar mais nisso. Já fede.

  5. No post de FJV, apenas discordo do verbo “tomar”. O usual é mandar alguém levar no dto cujo. Veja-se, a propósito, o poema de António Botto:
    “Nunca levaste no cu
    Nem nas perninhas, aposto
    Mas de um rapazinho como tu
    Lavadinho, todo nu…”

    1. Bom, ao menos o António Botto, depois de lhes “tomar” o cu, compensava-os, aos fedelhos, dando-lhes conselhos.
      «nobless oblige»
      Até porque actualmente, já ninguém da nada a ninguém. Pelo contrário, andam todos a tentar tomar aquilo que pertence aos outros, Ex: o Ministro Gaspar e o seu Ministério… e para além de nos obrigar a exigir factura, não nos permite que haja “almoços grátis”.

  6. Primeiro de tudo não é um comentário desligado da realidade. Segundo, o comentário até tem alguma classe, pois é de português brasileiro que se trata. E terceiro, o Governo tem razão quando defende os seus interesses sobre os consumidores reclamarem as facturas.
    Como tal, você cheira-me a algo de bacoco.

    1. E V. cheira-me a troll. Enfim, ninguém é perfeito.

      O Governo tem toda a razão em defender os seus interesses. Mas não tem razão em colocar os consumidores a servir de fiscais.

  7. Eu comprometi-me, mudamente, comigo mesmo (mas tenho testemunha interna ao DO), a não usar “palavrões” no Delito de Opinião, ainda que noutro blog onde escrevo (e na vida real) reclame não só o direito ao como também o dever do insulto, qual haddockismo radical. Mas sinto-me bem mais livre nestas catacumbas dos comentários, e muito em particular face a um postal destes.

    Sendo assim, nada concordo com o que aqui está. Uso, em voz alta ou muda, o “tomar no cu”. Sai-me mais o “vai” ou “ide” “levar no cu” ou na “peida”, e prefiro o “vaiparaaputaquetepariu”. Serei eu um estrangeirado abrasileirado? Talvez, diante desta gente que comenta em blogs ou neles escreve, até mesmo comenta “posts”.

    Ridículo.

    E fica um abraço ao FJV. Não pelo tema, que conheço exactamente aqui. Mas exactamente pelo “tomar no cu”.

    Raisparta (lá está) a volúpia da criticazinha

    1. Pois o que falta é a volúpia feroz da crítica e mesmo a do escárnio e maldizer, mergulhados que estamos no contentinho e no meio dele, e fazendo parte dele, indignações todas conformes às melhores práticas do comércio e da impunidade (até o Relvas conpreende – e não havia de? ), pois então e porque não, a par dos negócios.
      Tudo gente porreira, que é preciso defender da ralé baixa que lê os comentários, velhas ruelas de província por onde às tardes se afogam mágoas e, já se vê, invejas, enquanto as famílias merendam. Ah os desmandos, até o Sr. Dr. Viegas insultam, isto não há respeito, pegam por tudo, uma canalha, sem teres nem haveres, fez V. Exia muito bem em calar os miseráveis. E os negócios do Dr. Viegas, benzinho? Sim? É o que é preciso, é o que é preciso.

    2. No que aos meus artigos diz respeito, esteja à vontade para usar o calão. Mesmo que as nossas preferências no que ao calão diz respeito sejam, como se vê, muito diferentes.

      (pessoalmente, também prefiro o seu “vaiparaaputaquetepariu”. Enfim, manias)

  8. Tanta conversa e nem sabem que o Viegas estava apenas a relembrar uma expressão que ficou célebre por ter sido usada por Rochemback, na altura jogador do Sporting, para o seu treinador, que era o Peseiro, ao ser substituido, num jogo no Dragão.

    1. Ah, foi o Rochemback. Eu sabia que tinha havido algo do género no Sporting, mas não me lembrava quem tinha sido o autor da pérola (confesso que julgava ter sido o Liedson). Obrigado por nos avivar a memória.

  9. o xicozé piegas é um piegas cheio de xicoestertisse,e escrevendo o que escreveu da forma que escreveu, diria que apenas escreveu o que escreveu, caso fosse processado por ter escrito o que escreveu.

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