O infortúnio de Hillary


fiodeprumo,

Decorridos dezoito anos, Monica Lewinsky resolveu quebrar o silêncio para dizer que se arrepende «profundamente» do que aconteceu entre ela e Bill Clinton, então presidente dos Estados Unidos.

«É altura de «queimar a boina e enterrar o vestido azul», escreve num artigo na  revista «Vanity Fair», a antiga estagiária da Casa Branca, hoje com 40 anos.

Na altura dos acontecimentos Lewinsky tinha 22 anos. Agora insiste na ideia de que o que se passou foi uma relação consensual entre adultos. Num artigo intitulado «Vergonha e sobrevivência», hoje divulgado na íntegra, a antiga estagiária considera que Bill se terá aproveitado dela e que os “abusos” só terão ocorrido posteriormente, quando a transformaram no bode expiatório necessário para proteger a posição do presidente americano.

A relação de Monica e Clinton foi revelada por Linda Tripp, uma colega de Lewinski, que gravou em segredo as conversas entre ambos. Foi ela que entregou as cassetes ao procurador Kenneth Starr que já investigava o presidente norte-americano por obstrução à Justiça e este decidiu avançar com o caso.
Clinton foi acusado de perjúrio e obstrução à justiça mas acabou por ser absolvido pelo Senado e terminou o seu mandato.

Esta é uma das piores notícias que Hillary poderia receber, numa altura em que tudo aponta para a sua candidatura à Casa Branca.

Há, de facto, no casamento grandes riscos. E quando se trata de políticos, eles são ainda maiores. Não me admiraria muito que Hillary se divorciasse do marido para se candidatar…

17 comentários em “O infortúnio de Hillary”

  1. Fosse Bill Clinton um presidente républicano e outro galo teria cantado. Mas isto sou eu a supor. Uma história sórdida nunca deixa de o ser, mesmo que passados dezoito anos. Não li o artigo da Mónica da bóina, mas presumo que não traga nada de novo; a minha curiosidade é outra: o que será feito da colega “garganta funda”, a tal Linda Tripp.

  2. “Any ‘abuse’ came in the aftermath, when I was made a scapegoat in order to protect his powerful position”. Não consegui entender a (fiel) tradução e fui à procura do original, mas fiquei na mesma, devo ser um bocado tapado… Então uma estagiária 27 anos mais nova que o presidente dos EUA foi, diz ela, transformada no bode expiatório destinado a protegê-lo?!

      1. Agradecendo a resposta, no meu entender, um mulherengo como o ex-presidente Clinton, na época homem dos seus 50, metido com uma estagiária de uns 23, simplesmente não dá para transformá-la a ela num bode expiatório que permitisse protegê-lo. Embora, evidentemente, o poder estivesse do lado dele.

        1. Foi justamente porque o poder estava do lado dele que Monica entende que não lhe deram qualquer chance de se explicar e lhe moveram uma tal perseguição, manipulada, que a pôs a pensar no suicídio.
          Pessoalmente julgo que a moçoila e sua mãe viram ali uma bela fonte de rendimentos, guardando as peças de vestuário comprometedoras. Mas Hillary não dessistiu e a estagiária “tramou-se”. É a vida!

  3. Tenho precisamente a ideia contrária, esta conveniente ressureição da Monica só irá fortalecer a candidatura de Hillary e ela até irá fazer sempre campanha com o marido ao lado e mostrar que aquele casamento será para sempre.
    Se assim for, haverá poucas americanas que não votarão na Hillary.

    1. Pode ser Sérgio. Mas pessoalmente – se fosse americana – não acharia muita graça à comédia!
      Respeito a capacidade que ela teve. Mas a política é outro xadrez e creio que se ela se candidatar correrá um grande risco em ter a seu lado um homem que mentiu à nação inteira.

      1. O Clinton já foi mais que perdoado, é de longe o mais popular dos ex presidentes vivos, principalmente entre negros e hispanicos. Por outro lado quantas e quantas mulheres não se vão rever na história da Hillary?
        Bom, logo se vê como correm os próximos capitulos.

        1. Isso é um facto. Mas acha que se a mulher se candidatar não é um risco leva-lo de novo para a Casa Branca?!
          Enfim pode ser que tenha razão e que todas as “mulheres enganadas” se revejam em Hillary. Eu admiro-a, mas seria incapaz de aguentar o que ela aguentou! Até porque, no fundo, talvez achasse que não valia a pena.

          1. O único risco seria pessoal, o de acharem que ela seria uma especie de pau mandado ou testa de ferro do Bill, mas com a forte personalidade que ela tem certamente vai colocar rapidamente os pontos nos is, ou ele terá sempre um lugar muito discreto ou então terá um papel muito específico e bem delimitado, talvez ligado a alguma organização da ONU, por exemplo.
            Lembro-me agora que há algum tempo um jornalista perguntou-lhe a ela qual era a opinião do presidente Clinton acerca de determinado assunto (enganou-se, queria dizer presidente Obama, na altura ela era a sec. de estado) e ela desancou em directo o jornalista, de forma muito frontal e agressiva disse-lhe que se estava interessado na opinião nele o melhor era perguntar-lhe pessoalmente.

  4. Se há país onde os falsos puritanismos podem ser encontrados ao virar de qualquer esquina, esse país leva por nome USA.

    Compreendo que a rapariguinha Mónica tivesse uma perspectiva da vida que a levou a entrar numa embrulhada da qual, também nos USA, só se sai com a ajuda de puritanismos bacôcos. E também compreendo que agora a senhora Mónica queira revelar, entre outros, que a sua visão da vida e dos acontecimentos mudou. Também acredito que em qualquer das circunstâncias se ganhe protagonismo e algo mais, e que o algo mais tenha maior peso que o protagonismo. Aliás, é mesmo assim também na América.
    Com Dominique Strauss Khan a situação não foi diferente. Basta alguém incomodar para que tudo aconteça como tem acontecido.

    Porém, tudo isto para dizer que, não obstante os enredos em torno do circo, é tão perigosa a situação descrita quanto o conceito de puro e impuro que leva a usar artimanhas para se alcançarem fins.
    Num e noutro caso não vejo diferenças. E se Hillary foi mulher para suportar isto tudo, espero que não caia nas tendências calculistas comuns. Sim, estamos sempre necessitados de uma excepção luminosa. E só assim ela poderá merecer os votos que lhe confiarem; ou não, depende da perspectiva e do enquadramento social.

    Recordo-me da entrevista, posterior a estes acontecimentos, a Bill Clinton. O jornalista colocou-lhe a seguinte pergunta:
    Por que fez isto?
    Resposta:
    Porque pude.

    Fazemos sempre o que nos é possível fazer.

    1. O cerne da questão é mesmo esse: Clinton fê-lo porque pôde. É esse “poder” que eu julgo ser discutível. Pôde porque a mulher consentiu, pôde porque ser Presidente o permitiu, pôde porque a ex estagiária achou que lhe seria vantajoso. Enfim, pôde o que nem todos “poderiam” da mesma forma!

      1. Sim, Helena, é esse mesmo o cerne. Pôde também porque ambos quiseram, independentemente de ele ser Presidente e ela estagiária. A mesma situação ocorre a vários níveis, por isso mesmo referi a caso de Dominique Strauss Khan. Mas há imensas situações análogas na vida dos comuns. Claro que não desvalorizo a exposição de Clinton, e esta não desvalorização também se centra em aspectos da segurança.
        Aonde pretendi também chegar era o facto de se Hillary tomasse a atitude que a Helena equacionou, se eu fosse votante não contribuiria para sua (dela) eleição. Porque nada mais me mostraria que para além de ter usado a exposição do marido para poder ser conhecida se estava a aproveitar de uma situação para benefício pessoal. Situação essa que, por seu comportamento em suportar o escândalo, não só revela força como carácter. Logo, só por si esta atitude é mais do que suficiente para se confiar nesta mulher.

  5. Li o “Living Story” há cerca de 10 anos, ainda em Inglês. Não me parece que uma mulher daquela fibra vá agora descartar o marido se não o fez após sucessivos escândalos ( Paula Jones, Whitewater, Lewinksy , o Impeachment)… o que não nos mata, torna-nos mais fortes e Hillary pode estar doente, mas sem dúvida que está viva e tem uma vontade férrea.

      1. Por isso mesmo. Ela é quem tem os trunfos e ele terá de se limitar a ver jogar e a ser um bom piqueno… 🙂
        Um Denis Thatcher made in USA, com uns quantos escalpes à cintura, but who cares ? A Administração Clinton com um “depravado” à frente, não deixou o país de cangalhas…
        Beijinho, D. Helena e bom fim de semana

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