O inclusivo


João Pedro Pimenta,

Pedro Filipe Soares, o infeliz líder parlamentar do Bloco, escreveu esta semana no Público um artigo a louvar a “linguagem inclusiva”, sendo exemplo disso a expressão que ele usou na convenção do seu partido: “camaradas e camarados”. A esse tipo de linguagem, para “mudar mentalidades”, já George Orwell lhe deu um nome no “1984”: chamou-lhe novilíngua. Seja como for, não deixa de ser estranho vermos alguém afirmar-se “inclusivo” dias depois de afirmar que “não fala da direita porque esta não conta para o futuro do país”. E Pedro Soares, conta para o quê, para além da invenção de novos termos?

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41 comentários em “O inclusivo”

  1. Foram palavras infelizes de facto. Temos de contar com todos: direita e esquerda; não é também por isso que somos democracia?

  2. É isso.
    Quase 40% dos eleitores [e as forças políticas que os representam] não contam.

    São o “basket of deplorables” de que falava a Hillary.

    O cenho até se lhes contorce na face, de nojo.

    Tolerância marcusiana.

  3. Não percebo, falassem todos como falam as gentes das pescas e do mar, e resolvido estaria o problema:
    “ah, amélinhe, ’tás tã benite, sê vaidose”, “Vã doze, vã treze, vã catorze, nã tens nad’a ver com isse qu’o corpe é mê”

    De onde se conclui que substituir “as” e “os” por “es” é hábite endémique e, inclusive, inclusive.

    E, afinal, para que diabo quereria a direita ser falada por um tão conclusivo Pedro Filipe Soares?!

    1. “”ah, amélinhe, ’tás tã benite, sê vaidose”,” Isso já o Presidente Ramalho Eanes fazia há muitos anos.
      Mas se a palavra terminar em @ como é que deve pronunciar-se?

      1. Se o sapato e a sapata se substituirem por sapat@, sapataet fica demasiado snobe e sapatarroba faz lembrar sapatinho pequenino que roi pé… não sei, Manecas, perante tal hipótese melhor descalçar o @

    1. Reforças o estereótipo do brasileiro burro. Espero que nunca venhas viver para Portugal onde há democracia, saúde, segurança e educação.

    1. A língua portuguesa não é sexista, o seu uso e a sua interpretação é que a tornam sexista.

      “Estamos todos reunidos”, os indivíduos que ali estão.
      Mas também “Estamos todas reunidas”, as pessoas que lá podem estar. É opção nossa, a gramática permite-nos tal. Diz lá que não podemos ficar todas bonitas na fotografia, nós gentes 🙂

      1. Um exemplo da Dulce Maria Cardoso :

        Fulano de tal é o maior escritor. Parte-se do princípio que engloba tanto escritoras como escritores.

        Fulana de tal é a maior escritora. Será que é a melhor entre as mulheres, escritoras, ou também entre os escritores, homens?

        1. Pedro, as regras da gramática são semelhantes nas línguas românicas, não apenas na Língua Portuguesa.
          Resolve-se tal questão recorrendo a “indivíduos”, “pessoas”, “gentes” – termos indiferenciados. Não se tem de apelar a alterações por decreto, muito menos cair no ridículo de inventar term@s. Porque continuarão a haver audiências mistas e plateias só de homens e assistências só de mulheres. Quanto às pessoas que se reclamam do terceiro género, a sua indecisão é um problema de cada indivíduo, não da comunidade – e esta deve defender as minorias, não vergar-se às minorias. Caso contrário, não sou eu que preciso de óculos para a miopia, é o mundo que tem de ser maior à distância.

          1. Já que estamos a falar de línguas, já viu, Sarin, o grave erro gramatical que cometeu em “Porque continuarão a haver audiências”.

          2. Não, não vi…
            Agradeço o alerta e a explicação – o alerta já está, aguardo a explicação 🙂

          3. Como não viu? É o verbo haver que é esquisito. A frase correcta é “Porque continua a haver audiências”. Esse erro é muito irritante e está a tornar-se frequente na TV e não só. Por vezes dizem “houveram muitos casos de sarampo …” Mas o correcto é “houve muitos casos de sarampo …”. O verbo haver quando significa existir vai para o singular mesmo que se refira a alguma coisa no plural. Assim, “há muitas pessoas …” e não “hão muitas pessoas…”

          4. Continuo a não ver… esse erro que indica é, de facto, muito irritante; mas, repare, o verbo da frase é Continuar, não é Haver – que se encontra precedido por preposição e é perfeitamente dispensável na frase, funcionando como complemento.

            Talvez tenha ali um erro, e acredite que me fez pensar; de tal modo, que até já submeti ao ciberdúvidas.
            Mas se quiser tentar outra explicação… essa não serve.

          5. Serve. Como não acredita , não vale a pena continuar a discussão. Se me permite o conselho, consulte uma gramática.

          6. A questão não é acreditar, a questão é a sua explicação; porque quer corrigir-me, e talvez tenha motivos para tal, mas para o fazer fala-me da conjugação de um verbo que não é o verbo conjugado. O verbo haver nem é principal nem auxiliar. E se não sabe explicar melhor, talvez deva pensar no que escreve antes de se propor a explicador(a).

      2. Como sou um maníaco da gramática e como cita o ciberdúvidas ainda volto à discussão. Esta é tirada do ciberdúvidas:
        “HAVER
        1. No sentido de existir , é impessoal e fixa-se na 3.ª pessoa do singular [“Há muitas pessoas aqui”]. 2. Nas formas compostas, o verbo haver transmite a sua impessoalidade ao verbo acompanhante [“Deve haver problemas”]. Cf. Cf. VERBOS.”
        Como vê a forma “Devem haver problemas” está errada. Isto segundo o ciberdúvidas. Eu tenho a mesma opinião, diferente da sua.

        1. Cf. lhe disse, a sua explicação anterior não servia.

          Esta fala em verbos compostos, aproxima-se do caso mas ainda não me esclarece totalmente: “Continuar a haver” considera-se verbo composto, apesar da preposição?

          É isto que Manecas não soube explicar antes, nem agora. Como maníaco da gramática, penso que lhe poderia ter sido mais fácil perceber o que lhe respondi antes.

        2. Já recebi resposta do Ciberdúvidas: “continuar a haver” é um verbo composto.

          Cf. lhe disse antes, agradeço o alerta. Lamento que não tenha percebido o meu pedido de explicação e, por isso, não me tenha explicado onde residia o erro, mas espero que isso não o impeça de apontar outros erros.

          1. Sabe o que é, efectivamente, erro? Ser civilizado e dar atenção a quem tolamente envereda por matérias que desconhece. O meu pseudónimo, talvez contrariamente ao seu, tem história pessoal e não se esgota no limitado conhecimento que aparentemente o Manecas tem do assunto. Assusta-o? Manneken, go piss elsewhere.

    2. O substantivo e a substantiva foram ambos passear, o substantivo traqueou e a substantiva foi ao ar.
      Olha! ?? Vai ver ?? está a chover lá fora e a chuva é mó-lhada.
      (ou vice-versa)

  4. Indigência intelectual, mascarada de “modernidade”.
    Escavando sob o delgadíssimo verniz que cobre estas imbecilidades, lá está o funcionário a “aviar a “encomenda” da transaccional transatlântica…
    A filial portuguesa está em Coimbra.

    JSP

  5. Uma saída muito infeliz. Decidem à viva força que temos que partilhar e vivenciar as políticas que eles entendem para não dizer impõem. Com que cara este pessoal fala em democracia e está sentado na AR?

  6. “E Pedro Soares, conta para o quê, para além da invenção de novos termos?”
    Eu responde:
    Novos termos só se forem estapafúrdios; ele não dá para mais.

    1. Não será pelo baptismo que são mais violentas as furacões (queria ver o Pedro Filipe Morais fazer o feminino disto!)

      Quem as baptiza sabe que eram as Fúrias quem mais destruía, e a essas a mitologia fez fêmeas.

        1. Nem todas. Eu assumo o meu nome.

          Durante anos fui Sarin sem que os meus interlocutores me soubessem mulher ou homem. Fui tratada com respeito e fui chamada de paneleiro e de puta. Nunca me dei ao trabalho de esclarecer o meu género, e do meu sexo trato eu e quem comigo.

          Há alguns que efectivamente destratam as mulheres por serem mulheres. E para esses até nos poderíamos chamar todas João. Algumas de nós somos risonhas o suficiente para encarar tais imbecis com a seriedade que merecem

  7. O Bloco, o tal da bicefalia, e que nem presidente ou lider tem, apenas coordenador(a).
    Novilíngua é tramada.
    Colaboradores, busca de oportunidades, deslocalização.
    Bem podem pregar, mas há sempre um Robles que estraga o discurso.

    1. O Robles não fez nada de ilegal. A dever justificações a alguém, deve-as ao seu antigo partido e a quem votou nele.
      Já no PS, PSD e CDS há muitos políticos que cometem crimes, pelo que a direita radical não tem qualquer moral para falar em Robles, que não quebrou lei nenhuma.

  8. “Mulher” a palavra e no fim a sua identidade é que está a ser apagado pelo centro mundial do Marxismo : EUA(e Anglo Sáxonico) e depois claro chega cá pelo complexo político-jornalista Marxista: Publico+BE+ etc…

    Não é Politicamente Correcto usar a palavra mulher quando se fala de soutien…
    logo temos “pessoas com grandes seios”
    https://www.dailytelegraph.com.au/blogs/tim-blair/women-the-word-that-cannot-be-uttered-when-discussing-bras/news-story/

    British Medical Association disse que os seu empregados não devem usar o termo “mulheres grávidas” pois pode ofender os transexuais. Logo “pessoas grávidas”.

    https://legalinsurrection.com/2017/01/british-medical-association-using-expectant-mother-could-offend-transgender-people/

    Entretanto os Monologos da Vagina passaram de peça progressista a peça discriminatória porque nem todas as mulheres têm vagina…

    Michigan College Cancels ‘The Vagina Monologues’ Because ‘Not All Women Have Vaginas’

    ‘ lacks diversity and inclusion,”

    https://www.mlive.com/news/ann-arbor/index.ssf/2018/11/emu_group_ends_the_vagina_mono.html

    Num suposto jornal conservador inglês a palavra actriz desapareceu passou a ser actor.
    https://www.telegraph.co.uk/tv/2018/11/24/actor-hayley-atwell-sexism-classism-cant-wait-cut-loose-corsets/

  9. “camaradas e camarados”

    Fucking lol. Não tenho dúvidas nenhumas de que este fulano é muito mais estúpido do que parece logo à primeira vista. Estes zelotas de merda não fazem cá falta nenhuma.

    1. Ele não é estúpido, mudar a linguagem neste sentido quando o Jornalismo tem base Marxista é uma táctica de poder na competição social pois será aceite. O jornalismo já manipulou o suficente a Overton Window de modo a aceitar coisas destas.

      Como é ele que dispara um dos primeiros tiro, é ele a vanguarda e fica com o poder social-político respectivo.
      Ele diz mata, a seguir vem alguém e diz esfola para não ficar a atrás e não o deixar ficar com os louros. O mecanismo social da radicalização existe desde o início dos tempos.

      1. Esse truque de blindar o discurso resulta sempre, de facto — e com todo o tipo de barbaridades. Mas não sei se resulta com uma imbecilidade deste calibre…

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