Para uma imensidão de portugueses a maior probabilidade de enriquecer, e assim de mudar de vida, passa pelos números da lotaria. Por isso podemos dizer que não é muito provável que alguma vez deixem de ser pobres.
Nem todos os jogos têm a mesma probabilidade de acertar na chave certa mas em qualquer um deles as hipóteses de vencer são tão reduzidas que toda a dinâmica se resume em pagar para poder sonhar.
É voz corrente que em Portugal se fazem os maiores volumes de apostas per capita de toda a Europa. Procurei dados sobre isso e encontrei apenas uma relação dos cinco maiores prémios pagos até hoje pelo Euro-Milhões, em cada um dos países que fazem parte desta lotaria europeia. Saltou-me à vista que, considerando esses cinco maiores prémios, em Portugal foram distribuídos 63€ per capita, enquanto que na Áustria esse valor não ultrapassou os 28€. Como não nos podemos considerar três vezes mais sortudos que os austríacos, julgo que isto é explicado por apostarmos três vezes mais do que eles, o que diz um pouco sobre a diferença das nossas expectativas de vida.
A dependência que este tipo de jogos provoca está estudada e comprovada. À distância poderá ser apenas mais uma estatística sobre uma adição, mas quando falamos dos jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) falamos de apostadores pobres, e nas terras pequenas esse fenómeno tem nomes e rostos. Não são casos raros em que até os donos dos cafés se entusiasmam com o produto estrela da SCML, que são as Raspadinhas, e depois de começarem à procura de um prémio que lhes pague o prejuízo anterior, acabam por perder a licença por incumprimento na entrega dos valores “cobrados”.
Aposto que será nos bairros mais pobres que os balcões de apostas angariam proporcionalmente mais receitas.
Nas povoações que têm mais do que um café, aquele que tem a máquina da Santa Casa está sempre em vantagem. A máquina de apostas até pode motivar a hipótese de trespasse de um estabelecimento desta natureza. Além da receita do jogo (7% do valor das apostas, segundo soube) esse é sempre o local onde se vende mais café, cigarros e bagaço.
Os jogos da Santa Casa são um negócio de milhares de milhões de euros. As receitas brutas da SCML ascenderam em 2019 a 3.360 milhões de euros. Ando a ganhar o hábito de converter os grandes valores da nossa economia em SMN, e assim essa receita equivalerá a mais de 5 milhões de SMN. Nada mau.
Podemos dizer que estes jogos canalizam recursos de todo o país para os cofres de uma das muitas Santas Casas da Misericórdia, neste caso para a de Lisboa. É como se fosse um imposto pago pelos pobres de todo o país e que é gasto em Lisboa.
Claro que os responsáveis da SCML entrarão logo em defesa do seu ganha-pão e dirão que deste valor cerca de 1.000 milhões de euros (aprox. 1,6 milhões de SMN) são transferidos para os beneficiários sociais da SCML, entre os quais encontramos o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ministério da Saúde e Ministério da Educação, dando razão à ideia do imposto.
Em pleno confinamento pandémico os cafés estão impedidos de vender bicas, ou cimbalinos conforme a região. Nem cafés, nem bares podem agora vender os seus produtos “ao postigo”. Até o Elefante Branco se queixa desta medida destruidora da economia.
Aqui na minha terra o café, onde já há uns anos deixou de se poder fumar, deixou agora também de poder tirar cafés. Mas como tem uma máquina da SCML, esticaram duas fitas plásticas vermelhas e brancas para, qual curro, assinalar o caminho mais curto das moedas dos bolsos do pobres até à gorda conta da SCML. Para que dúvidas não haja, a santidade está-lhe intrínseca no nome. É como a publicidade subliminar, nem damos por ela, levamos com o produto, com a embalagem e com o recado, tudo junto antes de ter tempo de respirar. E santa que é, consegue sem pestanejar, apelar à nossa ajuda para poder ajudar a dar uma resposta extraordinária à pandemia. Fiquei curioso e após vasculhar no site da dita, acabei por encontrar um link que nos leva ao respectivo relatório e contas (https://www.scml.pt/sobre-nos/relatorios-e-contas/), mas afinal não leva. Diz que é o erro 404, seja lá o que isso for. Mas, como quem dá uma resposta extraordinária à pandemia, quase como quem nos abraça, conforta-nos dizendo “Todos nós perdemos o rumo de vez em quando. A Santa Casa ajuda-o a encontrar o caminho” e, preocupada, encaminha-nos de volta à página principal.
Provavelmente durante um dos seus drinks de fim de tarde a Ministra da Cultura lembrou-se de criar mais um imposto especial sobre os pobres, para angariar receitas que serão canalizadas – e esse é o nobre destino das receitas, serem canalizadas – para ajudar a responder a “necessidades de intervenção de salvaguarda e investimento” em património classificado ou em vias de classificação. Diz que tem o objectivo de “envolver todos” e arranca já em Maio.
Quem nunca teve uma epifania depois de beber uns copos que atire a primeira pedra.

A população há muitos anos que vive resignada, com a noção que dificilmente poderá ambicionar a uma vida melhor através do seu trabalho, e refugia-se nos jogos de sorte e azar como a última esperança.
Tudo bem traduzido pela expressão: “Cá vamos andando”.
A Ministra também se lembrou da raspadinha como última esperança para conseguir dinheiro. Isto numa época em que nunca se pagou tantos impostos, nunca se recebeu dinheiro da UE e nunca o país esteva tão endividado.
Cá vamos andado.
404 é o erro de não encontrado, neste caso a página foi apagada ou movida..
Pode entrar versões anteriores da página no site archive.org
http://web.archive.org/web/2020100100000 0*/https://www.scml.pt/sobre-nos/relator ios-e-contas/
Se clicar nos dias destacados no calendário, verá como estava a página nessa data. Do que vi, há um padrão de os relatórios de contas não estarem disponíveis (erro ao descarregar os ficheiros).
Se houvesse vontade em apresentar o Relatório e Contas imagino que não surgisse o erro 404. Não será informação classificada, mas apenas indisponível.
Um 404 é uma página de erro gerada pelo código do webserver e apenas nos diz que aquele url já não corresponde a nenhuma página — a página pode existir mas com um endereço diferente. Neste caso, parece ter sido substituída por um novo endereço e uma nova página:
https://www.scml.pt/sobre-nos/documentac ao/
onde se acede aos documentos directamente (basta clicar nos + para aparecer os anos todos)
Não que isto retire alguma pertinência ao seu post, evidentemente.
Afinal será informação disponível. Não a encontrei por falta de teimosia.
Obrigado pela nota.
Já deve dar para ver quantos SMN a menos entraram nos cofres da SCML, no ano de 2020.
Desde que os relatórios são feitos por agências de publicidade, nunca sabemos se as bolinhas e os passarinhos não estão por cima das tabelas puras e duras 😉
O mesmo que antes? Este mesmo “imposto sobre os pobres”, ao fim de 47 anos de Abrilismo? Então para que serviu? Quando ocorrerá a verdadeira mudança?
Em 47 anos de Abrilismo evoluiu-se muito, mesmo muito.
Triste é sentir que houve condições para muito mais, e se nada for feito continuaremos a encarquilhar social e moralmente, até que um dia chegará inevitavelmente a mudança.
Por não termos boa tradição de planear, não duvido que acabará sempre por haver uma bem elevada dose Tuga de “logo se vê”.
Não vejo a «Coisa» (os trabalhos humanos para se conseguir ser melhor) com ódio ou revanchismo.
Também, em relação a 1924, em 24abril1974, tinha-se evoluído muito. Basta consultar as estatísticas da pobreza, analfabetismo, desenvolvimento agrícola e indústria, índice de natalidade, serviços de saúde, ensino, etc.
Não vou por esse caminho. A minha crítica é noutro sentido…
… É como se todos estivéssemos a construir uma Obra/Projeto, e os que estavam a coordenar os trabalhos deixassem de ter capacidade de acrescentar valor ou prosseguir o objetivo. Esgotavam a capacidade de nos ajudarem a sermos melhores (até, simplesmente, por causa da idade). Não se trata de os matarmos, humilharmos ou ferirmos. Trata-se de os substituir por outra visão, por outra competência, por outra ambição… Por outro entusiasmo.
O conflito só ocorrerá se teimarem em ficar, para além do que é razoável.
É assim que vejo a «coisa».
Paulo Sousa, poderá ser um “Delito de Opinião”, aceito. Mas é o que sinto.
Existe sempre uma vontade de fazer bem para os contemporâneos ou dos vindouros? Essa poderá ser uma das fraquezas duma democracia juvenil como a nossa. Quem governa está a pensar na sondagem seguinte ou na geração seguinte? Já escrevi sobre isso:https://delitodeopiniao.blogs.sapo.p t/os-inimigos-do-futuro-11041698
Ó pá essa da “Abrilista” dá para tudo. Tem que arranjar uma entrevista com a Dra. Leonor Beleza, da Fundação Champalimaud, para lhe perguntar o que é que ela acha da ideia: Bláblá “Abrilista”, bláblá “Abrolista”, bláblá “Abrilista” sem cair no ridículo.
Quando o próprio governo saca uma boa percentagem dos ganhos no Euromilhões não há muito mais a dizer.
Falta um imposto sobre usar a rua (quando o teletrabalho for a norma), ou colocar um contador nas zonas íntimas, e a cada pirafo cobrar uma taxa.
Sobre os prémios entregues aos vencedores é cobrada mais uma generosa fatia. Bem lembrado.
E resta saber se depois não é taxado outra vez como rendimento no IRS..
De IRS julgo que esteja isento, mas se o quiser gastar já sabe… IVA, IA, ISPP, IUC, IMI … o festival habitual mas numa escala maior.
O IRS é que não devia existir, os outros são todos variações do IVA que devia ser o único imposto existente. Aposto que até se compensaria em IVA o que desaparecia em IRS. O IUC e alguns impostos municipais até são, no limite, aceitáveis, mas o IMI já não — dado que o poder local não faz nada para garantir a conservação dos edifícios particulares e já foram pagos emolumentos (com um custo cada vez mais inacreditável) no momento da aquisição.
Basicamente, isto já passou da decência há muito tempo. E devíamos ter uma ilha off-shore para podermos fugir para lá e derrubar o Estado sempre que fosse necessário. É assim que Portugal se tornaria num país de futuro — que são aqueles que contêm a possibilidade de destruir regularmente o regime para correr com os pulhas sem destruir a riqueza.
O Estado é necessário e os impostos servem para o financiar. A justiça fiscal é poesia de mau gosto, pois serve apenas para amaciar a consciência dos contribuintes.
É claro que os ricos pagam muito mais IVA que os pobres, porque consomem mais, mas isso decorre da existência de uma justiça fiscal, na qual eu não acredito.
O debate sobre os impostos directos vs indirectos é antigo. O nosso estado na dúvida aposta nos dois.
É por essas e outras que a despesa pública relativamente ao PIB em 1985 era de cerca de 60% e nos dias de hoje anda na ordem dos 130%, depois, andam aí uns desnorteados ainda a discutir o sexo dos anjos, pois o ti Cavaco esse foi o maior o outro naaaa o maior foi o Guterres, etc, etc, etc
É claro que os ricos pagam muito mais IVA que os pobres, porque consomem mais, mas isso decorre da existência de uma justiça fiscal, na qual eu não acredito.
Eu diria que o IVA é a única justiça fiscal possível — porque se eu compro mais, pago mais. O resto das tentativas de fazer justiça fiscal, como escalões do IRS, é que são ridículas uma vez que cada escalão tem sempre um limite inferior que é extremamente injusto.
Não percebo esta atual embirração com estes jogos, eu jogo quando quero e me apetece, e isto é para todas as pessoas, cada um é responsável por si até porque só podem jogar maiores de 18 anos. Espero não voltar aos tempos fascizoides de não poder jogar onde e quando me apetece, não há mais nada para fazer?
Não há nenhuma embirração com estes jogos. Foquei-me apenas na relação próxima entre o sucesso da SCML e o insucesso do país em dar perspectivas aos seus cidadãos.
Cada um deve poder apostar onde quiser, sabendo que as escolhas têm consequências.
Quero referir também a “esperteza” do governo PS na criação do jogo “Milhão”, obrigatorio aquando da aposta no Euromilhões. Assim, esse premio sai sempre em Portugal e o Estado arrecada 20% para si.
Não foi o governo PS. Foi o provedor da SCML, nomeado pelo governo. Provavelmente terá sido no tempo de Santana Lopes.
Foi o Santana Lopes que inventou o Milhão
pura demagolgia
povo que acredita nestas coisas, para além de naife , continua a ser cego e escravo
Apenas reage face à falta de perspectivas.
Texto excelente!
vistas curtas, paroquiais, carissimo : Os portugueses, independente das suas (Paulo Sousa ) contas, estao iguaizinhos aos mais povos : nao deixam, nao deixarao nunca de ser pobres. È assim desde que o mundo é mundo, e o PS ou é crente ou acha ter descoberto a polvora.
Mas trabalha, e também lamento que nao tenha conseguido ver as contas.
Outro equivoco seu : foi a lisboa que aportaram (chegaram ) milhares e milhares de portugueses da provincia, pois pobres.
Tambem nao demonstra que o jogo é uma exclusividade portuguesa. Ou seja, nem disso nos podemos orgulhar. E tambem nao explica o nascimento, o que é compreensivel, pois está a denunciar a marcha do carro, nao a invençao do carro.
Confio que ao menos os leitores fieis saibam o que significa SMN
Os portugueses não são os únicos jogadores nem os que mais jogam, mas jogam numa relação inversa às perspectivas de melhorar a sua vida.
isso significa o que, que sao parvos ?
Isso são palavras suas, mas na Áustria seja o que forem são três vezes menos do que cá. Acho que estão apenas três vezes menos desesperados.
ora nem mais, g’anda postal
Gostava era de ver um estudo com a correlação entre o dia de recebimento do rsi e as raspadinhas vendidas, o) mas muitos acham xenofobia.
Veja o valor dos RSI pagos, compare com os 5 milhões de SMN de receitas da SCML e vai ver que não terão assim tanta importância.
Não consigo perceber a sua definição de pobre.
Será porque o pobre é um perdulário e o rico é um forreta?
Será porque o pobre é estúpido e o rico é esperto?
Será porque o pobre é necessitado e o rico não precisa?
Aparentemente a dicotomia pode explicar o exito de alguns jogos da SCML, mas falta aí o factor vício. E o factor vício tem pobres e tem ricos.
O êxito das raspadinhas está em oferecer um prémio imediato a cada 3 ou 4 que se comprem. E como são acessíveis, o sucesso é garantido.
Nas mesas dos casinos não há pobres a apostar casas, carros ou verdadeiras fortunas, e não consta que haja falta de apostadores.
Se os pobres jogam à espera de ser bafejados pela sorte, os ricos jogam à espera de quê?
Como dá para ver pelo título não me propus a falar sobre as perspectivas de vida que os ricos têm em Portugal, nem sequer arrisquei nenhuma definição de pobreza, mas apenas associei a falta de perspectivas de vida com o sucesso deste imposto encapotado. Pelo menos tentei.
E tentou bem, só que as lotarias foram sempre a panaceia para as crises económicas, não para resolver o problema dos pobres mas para resolver o problema das instituições.
Finalmente se fala do assunto.
Parabéns pelo post
Que recalcamento aqui vai com a SCML… Não vejo absolutamente nada de errado na missão da SCML, nem no negocio de exploração dos jogos. Como em tantas outras situações na vida, a opção de jogar é de cada um cabendo apenas verificar a idade mínima para o fazer. Achar que são mais os pobres a fazê-lo apenas demonstra um profundo desconhecimento da realidade, pois basta ver o crescimento das apostas online (sim também há raspadinhas online) para se perceber que é literalmente possível a qualquer um apostar em qualquer lugar do mundo (sim também há VPN’s para contornar restrições geográficas) e impossível saber a condição social de quem o faz. Por fim fico muito mais tranquilo em apostar numa instituição centenária PORTUGUESA, que bem ou mal, tem como objectivo único o apoio social, do que as restantes entidades que surgem que nem cogumelos para apostar em tudo e um par de botas cujos fins ninguém sabe, até porque nem são obrigados a declarar a origem dos fundos nelas apostados. Esse sim ,seria um bom tópico, saber a origem destas entidades e o destino dos lucros fabulosos que geram diariamente.
O texto versa sobre a falta de perspectivas dos pobres em melhorar a sua vida. Se entender que encerra um recalcamento meu contra a SCML, será a sua opinião.
De qualquer forma aproveito para enviar cumprimentos ao Dr. Edmundo.
https://www.jornaldenegocios.pt/negocio s-iniciativas/poderosos/poderosos-2020/d etalhe/edmundo-martinho-e-o-42-mais-pode roso-de-2020
O Estado precisa de dinheiro, e esse dinheiro vem via impostos. Directos, indirectos, o que for.
O Estado precisa de cada vez mais dinheiro. Logo, tem de angariar mais impostos.
O que deveria acontecer é que esse aumento de receita devia estar associado a um aumento de riqueza das pessoas; simplificando, eu hoje ganho 1000 e pago 10% de IRS e 23% de IVA, se amanhã ganhar 2000, mesmo pagando a mesma taxa contribuo mais.
Mas em Portugal não saímos deste ciclo de pobreza e miséria, porém temos um Estado que quer “enriquecer” sustentado por pobres. A única solução é sacar mais (aumentando impostos) ou inventar novas formas de sacar guito (taxa disto, daquilo, imis, selos, etc). Como a malta basicamente ganha o mesmo, e vai pagando cada vez mais, o resultado é haver cada vez mais pobres, miseráveis e remediados.
Também por isso seria interessante experimentar a flat tax, que tão bons resultados tem trazido aos países do antigo bloco de leste e estando há menos anos na UE do que nós, já nos ultrapassaram.
Não há imposto sobre os pobres nenhum. Um imposto é isso mesmo: imposto. É uma imposição que o Estado nos faz. Jogar numa lotaria é uma opção de cada um. O Estado não impõe a ninguém que jogue.
Partilhei em baixo um link de um texto do Henrique Raposo que explica, e bem, como as decisões são tomadas de forma diferente de acordo com as perspectivas de vida de cada um.
Mais um ponto de vista sobre o assunto que vale a pena ser ouvido.
https://podcasts.apple.com/pt/podcast/c ontra-corrente/id1471318830?i=1000508170 420
É a perspectiva que eu falei acima. A que considera o pobre estúpido e o rico esperto. E é contra essa ostentação intelectual que eu sou contra.
A justificação do êxito das raspadinhas não passa pela dicotomia rico, pobre.
Ao utilizarmos esse argumento entramos no campo da falácia em que as premissas se baseiam em amostras fictícias. Estamos a confrontar uma suposta superioridade intelectual a um baixo rendimento económico. Ignorando deliberadamente o carácter viciante do jogo.
Sei que o objectivo é denegrir a iniciativa, mas façam-no com argumentos sérios, sem politiquices.
No meu comentário das 20:14, abaixo, partilho um texto do Henrique Raposo que explica, e bem, como as decisões são diferentes de acordo com a expectativas de vida de cada um.
Ó Paulo, o vicio do jogo é uma doença comportamental semelhante à dependência da droga. É um transtorno psiquiátrico e não um desvio de carácter.
E quanto mais rápido é o retorno do jogo, maior é a probabilidade de provocar adição.
Há diferenças entre homens e mulheres mas não na classe social.
Quando se diz que a classe média baixa tem tendência a ser mais afectada por esta doença é simplesmente porque essa classe é muito mais numerosa.
Se a ministra da Cultura precisa de dinheiro, pode tentar o truque do valente capitão Tom Moore. Pede a um ex-artista qualquer que esteja internado na Casa do Artista (que é uma espécie de lar de idosos para antigos artistas) que monte um espetáculo televisivo em que o ex-artista dá voltas a pé à Casa, apoiado em canadianas ou num andarilho, ou talvez em cadeira de rodas. As pessoas vêem o esforço na televisão e contribuem, voluntariamente, dinheiro para a nobre causa: 5 euros por cada volta à casa, sei lá. Talvez funcione, não custa nada tentar…
Outro texto a ler sobre as perspectivas dos pobres e as raspadinhas. 8-Limitem-ou-acabem-com-a-raspadinha-pf
https://expresso.pt/opiniao/2021-02-0