
Depois das inacreditáveis declarações de António Costa ao ABC, a apoiar a vergonhosa acção de Espanha contra os independentistas catalães, vem o mesmo ABC poucos dias depois criticar a independência de Portugal, lamentando os 350 anos do “ignominioso tratado de paz que pôs fim à poderosa união de Espanha e Portugal”. Mostra bem como António Costa deveria ter estado calado nesta matéria. Ao contrário do que muita gente julga, defender a autodeterminação dos povos de Espanha deveria ser uma política essencial ao Estado português, sob pena de Espanha também poder questionar o direito de Portugal à sua própria independência. É manifesto que para isso não lhe falta vontade. Afinal, como se escreve neste artigo, Portugal não se revoltou ao mesmo tempo que a Catalunha, só não tendo sido subjugado como esta, porque alguém em Espanha se lembrou de assinar um “ignominioso tratado de paz“? Bem diz o povo que de Espanha nem bom vento nem bom casamento. E a falta de solidariedade com que agora estamos a tratar os catalães pode um dia virar-se contra nós. Se alguém tem dúvidas que olhe para a imagem, também fornecida pelo ABC, com uma alegoria da conquista de Portugal, com o leão espanhol a subjugar o dragão português. É elucidativo da forma como os castelhanos acham que devem conviver com os outros povos da península ibérica.

“…É elucidativo da forma como os castelhanos acham que devem conviver com os outros povos da península ibérica….”.
Exactamente. Só acrescentaria um “todos” os outros povos da Península.
Lendo:
El tratado de Lisboa de 1668, firmado tal día como hoy de hace 350 años, supuso el reconocimiento oficial por parte del Imperio España de la independencia portuguesa.
Reconhecimento Oficial por parte do Império Espanhol da independência de Portugal.
Ou seja uma independência protegida pelo Direito. Coisa muito diferente do que se passa na Catalunha.
Quanto ao resto é opinião do lactente César Cervera.
Reconhecimento oficial que foi conquistado via oposição armada, antes deste reconhecimento, perfeitamente ilegal e contrária ao direito de então.
As “coisas muito diferentes” não o são, pelo contrário.
Distintas, apenas as motivações de Castela-Madrid: na altura, como agora, preocupava-os mais a ligação a França e o controlo do Mediterrâneo do que a nossa insularidadezinha entre o esmagador Império e o Atlântico imenso para onde estávamos voltados.
Sauron, hoje ao contrário de ontem existe Democracia, Constituição, Instituições Parlamentares, Tribunais Internacionais dos Direitos Humanos, Nações Unidas, Direitos Humanos e do Cidadão. No tempo do Império não havia sequer cidadãos.
A Espanha de hoje é um Estado Democrático. Um Estado de Direito. Existem várias opções dentro do sistema democrático espanhol para que a Catalunha seja um dia independente. O que é preciso é ter paciência e perseverança. Nada impede que a Constituição seja um dia alterada.
Como hoje, o direito vigente é sempre o da data dos factos.
Como hoje a Catalunha, a independência de Portugal foi ilegal e demorou anos até ser reconhecida, a Casa de Avis ascendeu ao trono de forma ilegal e demorou alguns anos para ser reconhecida, a Casa de Bragança ascendeu ao trono de forma não apenas ilegal mas recorrendo a falsos documentos e só não demorou anos porque Felipe IV tinha ameaças mais sérias e não podia arriscar nova guerra com os ingleses.
A revisão constitucional já poderia ter ocorrido não fosse a teimosia do herdeiro do franquismo – a inconstitucionalidade apareceu em grande parte dos Estatutos de Autonomia, mas os catalães são mais duros e ciosos da sua Generalitat, mais velhinha que o parlamento que a quer manter sob alçada. Os catalães aceitaram deixar os francos e passar para a Aragão porque Aragão lhes garantiu a autodeterminação, a independência não era tão importante. Assim como não era há 12 anos, há 8 anos, há 4 anos… algum dia a paciência estoura.
Estourou oportunamente para desviar atenções? Talvez. Mas essa é a guerra de Puidgmont, Mas e Pujol (ou não, há muitas formas de matar moscas e GALinhas).
Obrigada pelo baptismo, não me sabia tão influente. Mas enganou-se, na Terra Média estaria mais para Éowin; aqui, continuo Sarin, enervating inertia since long ago.
A dinastia de Avis não chegou de forma ilegal ao trono. A sua legitimidade foi atestada por João das Regras.
D. João IV chegou também de forma legal em virtude de Castela ter violado o Tratado de Filipe que conferia a Portugal autonomia fiscal.
Aliás é um pouco anacrônico estarmos a comparar situações políticas dos séc. XIV e XVII com as actuais do séc. XXI. Muita coisa mudou.Espanha é um Estado Democrático, como o atesta a sua pertença à UE. Não existe nenhuma Organização Internacional que defenda estar o povo catalão a ser coarctado nas suas liberdades civis e politicas. Como disse a independência catalã não é nenhuma impossibilidade. Mude-se a Constituição no Parlamento Nacional
Prefiro Sauron a Sarin. Tenho amigos japoneses
“Aliás é um pouco anacrônico estarmos a comparar situações políticas dos séc. XIV e XVII com as actuais do séc. XXI.”
Concordo plenamente – mas limitei-me a rebater o argumento histórico (e poderia continuar, mas realmente não vale a pena neste contexto).
“Mude-se a Constituição” pediu a Catalunha a Zapatero, viu Zapatero que o que teria de fazer perante as inconstitucionalidades recorrentes na revisão dos Estatutos. Mas entrou Rajoy. E o tom endureceu. Só queriam auto-determinação, hoje querem independência. Mude-se a Constituição, sim, mas até lá o impasse e as perdas de parte a parte.
Prefiro Sarin. Surgiu em pesquisas pela melhor capacidade de produção alimentar e é anulado pela lixívia. Detesto branqueamentos. E nada tenho contra os Japoneses.
Também acho que um único país na Península seria preferível. Hoje estaríamos muito melhor se fizéssemos parte de Espanha. A independência da Catalunha afigura-se-me como um perfeito disparate.
Ao menos é um espanholista coerente. De qualquer forma eu não quereria fazer parte de um estado herdeiro do franquismo que condena pessoas por fazerem piadas sobre o astronauta Carrero Blanco.
Ao menos o ABC é coerente. De que esperam os espanholistas tugas para irem à embaixada espanhola pedir a anexação de Portugal pelo Estado Espanhol?
Já só faltava cá essa “del Imperio España de” !!!.
Filipe VI, Rei da Espanha,
de Castela, de Leão, de Aragão, das Duas Sicílias, de Jerusalém, de Navarra, de Granada, de Toledo, de Valência, da Galiza, de Maiorca, de Sevilha, de Sardenha, de Córdova, de Córsega, de Múrcia, de Menorca, de Jaén, de Algeciras, de Gibraltar, das Ilhas Canárias, das Índias Orientais e Ocidentais e das Ilhas e Terra Firme do Mar Oceano;
Arquiduque da Áustria;
Duque de Borgonha, Brabante, Milão, Atenas e Neopatria;
Conde de Habsburgo, Flandres, Tirol, Rossilhão e Barcelona;
Senhor de Biscaia e Molina;
Curiosamente olvidaram, da Catalunha e de Portugal. Porquê?.
Consta que tal desiderato passou pela cabeça, em jóvem, de Sua Majestade .
Talvez porque o Conde de Barcelona tenha jurisdição sobre a Catalunha e porque Portugal é reconhecido como Estado Independente?
As ilhas do Mar Oceano é naquela, tipo, a Rainha de Portugal ser Nossa Senhora da Conceição..
Caro Luís Menezes Leitão poderia colocar um link com mais informação sobre a ilustração / pintura, obrigado.
WW
A ilustração foi retirada do texto do ABC e eles é que a explicam.
A gravura é do frontispicio do livro Philippus Prudens (1639) de Juan Caramuel Lobkowitz. O leão é um dos símbolos de Espanha e o dragão é um dos símbolos de Portugal (bibó Porto canudo!) e da Galiza que comunistas, socialistas e toda a restante gama de facínoras republicanos têm tratado de fazer esquecer, confundindo propositadamente a miserável arquitectura do regime e o seu deprimente municipalismo com o País e a pátria em si mesmos — no que destruindo a Língua, os mitos de fundação, promovendo a ignorância politicamente correcta e ancorando a política no tropicalismo e na corrupção ajuda substancialmente.
adenda: link interessante com mais iconografia aqui:
http://corazonleon.blogspot.pt/2012/06/e l-papel-del-reino-de-leon-en-la.html
(não li o conteúdo com atenção nem apreciei o seu posicionamento político — estou a fazer o link só por causa dos bonecos)
Mas o Costa, que quer uns impostos europeus, que ele chama taxas, matéria da exclusiva competência da Assembleia da República, alguma vez está interessado na independência nacional ? Está interessado na independência do orçamento, isso sim.
Os partidos do arco da governação nunca estiveram interessados na independência nacional. PS, PSD e CDS têm todos culpa.
O problema resume-se ao facto de Castela ter levado na corneta. E quando assim acontece acabam sempre por reconhecer o que é de direito. Quando Afonso Henriques escolheu as 5 quinas, que representam as 5 chagas de Cristo, que hoje ainda adornam a bandeira nacional, estava mesmo à vista que com Castela tudo se resolveria com molho e à molhada.
Vem esta elevada introdução a propósito para referir que Castela poderá vir a levar na corneta outra vez. Desta feita através desta notícia: lamento-da-catalunha-leva-caso-puigdemon t-_5a830c299bb3849915c05033
http://www.sapo.pt/noticias/economia/par
E os catalães têm toda a hipótese de ganhar uma vez que a perseguição política, feita através dos chicos de Rajoy, a Puigdemont só é válida para Castela e não vigora na UE ou em qualquer outro sítio.
Como vê, Luís, a batalha administrativa ainda não acabou.
O artigo é histórico , tem a ver com colónias … e a ignomínia do tratado resume-se aqui :
” Ni Portugal podía defenderse en América sin España; ni España podía sobrevivir en Asia sin Portugal.
En este sentido, la decisión del gobernador de Ceuta de permanecer fiel a Felipe IV en 1640 se reveló acertada en contraste con la decisión de Tánger, que acabó por librarse del dominio hispano a costa de ser cedido a Inglaterra en 1661. Quedó pronto el Algarve de Ultramar “
OK? ninguém quer anexar Portugal , o senhor explana sobre como , na altura , os governantes decidiram mal. ou acha que ele também quer tomar as praças nas Américas e nas Índias ???
Que complexo de perseguição , OMG !
O artigo é um chorrilho de disparates históricos, escrito por alguém que considera ignominioso um tratado de paz entre dois Estados ibéricos, que reconhece a independência de um deles. Quanto a ser bom para as colónias, só mesmo para rir. Depois deste tratado Portugal triplicou o tamanho do Brasil, para além do que lhe dava o Tratado de Tordesilhas e recuperou, graças aos exércitos do Brasil, todas as colónias de África, que tinham sido perdidas para os holandeses sob o domínio espanhol. Quanto ao complexo de perseguição, bem podem queixar-se dele os catalães que estão na prisão ou no exílio.
Quanto a isso não sei. Pode ser um chorrilho de disparates , claro , mas também é um disparate pegado achar que os espanhois querem anexar Portugal.
Também há gente que chora Angola , Moçambique e tal . Acha que estes países correm o perigo de Portugal os querer anexar?
Estive a ler com atenção o texto: o título e algumas conclusões finais sobre as colónias poderão ser abusivos e errados (no caso das colónias até é contraditório, ao dizer-se que Espanha não podia acudir a Portugal nos ataques dos holandeses para depois afirmar que sem Espanha Portugal não se podia defender), mas o resto é pacífico.
De qualquer forma, isto não é a opinião “dos castelhanos”, apenas do colunista.
Não sei o que é mais insultuoso ao sentimento nacionalista: se a vontade de alguns na integração de Portugal na Espanha, se a comparação da Catalunha com Portugal de 1640, quando Portugal era um país independente há mais de quinhentos anos, mais do que tem hoje os EUA de independência, quando a Catalunha nunca foi independente.
Subscrevo.
Obrigado pelo texto.
Já que estamos proximos do 25A e há por aqui nostalgia do infeliz Miguel da Paz, só queria lembrar que os Franquistas por pouco não banharam de sangue as nossas praias na madrugada de Abril.
Vontade nunca lhes faltou, o que lhes faltou foi oportunidade para poder ter a vingança da Batalha de Castelo Rodrigo.
https://elpais.com/diario/2008/11/03/esp ana/1225666809_850215.amp.html
Só o destino de Miguel foi da Paz de Portugal.
Todos criticam Espanha, todas as pessoas com os seus sobrenomes espanhóis e vivem em Portugal.
Portanto o João IV de Bragança, era filho de theutonio de Bragança com Anna Velasco, neto de Philippus II de Espanha casado com Catharina de Bragança.
Vocês criticam tanto Espanha, os reis de Portugal tem sangue ou cromossoma y da austríaco e Habsburgos e Espanha.
O meu 10 avô paterno o João IV tem o mesmo cromossoma y, Rb1 U106 Z305+, igual ao meu 21 Radulfus de Habsburgos, o mesmo que d. Afonso Henriques e vieram de limburg e não da borgonha. Existe um sobrenome em latim, com radulfos, albertus, Frederico, Fernando, philippus, Maximiliano
O Philippe V de bourbons que usurpou a coroa Espanha, não tem este cromossoma, não tem. Esta gente não vem de Henry IV, nem de Louis XVI.
Vem sim de 1522 registo em latim Jacques de bourbon filho de sultão da Turquia
Tem sangue da Turquia. Portanto os senhores que se dizem portugueses, ficam a saber que a gentalha que os senhores apoiam, terão que ser banidos do reino de Portugal, artigo único 1834.
Exige se a verdade, o sangue, a legitimidade e os que apoiam vão com ele, não ficam em Portugal nem em Espanha. A nobreza será toda extinta e reformulada.
A minha família irá ter tudo de volta novamente, nesta vida exige se a verdade