Há algum tempo que não acompanhava na televisão uma série tão boa como The Walking Dead. Talvez desde Firefly (que, de resto, só vi recentemente) que não me deparava com uma série tão bem feita e com um grupo de personagens tão interessante. Baseada nas aclamadas graphic novels de Robert Kirkman, Tony Moore e Charlie Adlard, The Walking Dead acompanha um grupo de sobreviventes num mundo devastado por um apocalipse de zombies. A premissa é antiga, bem sei; já conheceu muitos meios, grandes sucessos (como George Romero e o canónico The Night of the Living Dead) e fracassos estrondosos (como os filmes da série Resident Evil, que apenas conseguiram arruinar o enorme potencial de uma grande série de videojogos). Mas, como esta série veio provar, a velha ideia está bem longe de estar esgotada.
Disse que em The Walking Dead acompanhamos um grupo de sobreviventes no meio de um apocalipse zombie. Não se sabe como regressam os mortos à vida, ou o que desencadeou a epidemia – eis uma questão que provavelmente será explorada mais tarde. Sabe-se apenas que são zombies no mais clássico e “romeriano” sentido do termo: putrefactos, e com um insaciável apetite por carne humana. Bom, por carne em geral. E, como o grupo de sobreviventes prova, dentro das suas próprias interacções e do contacto com outros grupos de sobreviventes, no meio da devastação os maiores inimigos nem sempre são os mortos, mas os vivos.
Os desempenhos são bastante bons, de um elenco onde, perdoem-me se estiver errado, não figuram estrelas (eu, pelo menos, até ao momento não reconheci um único actor do elenco). E desde Rick, o protagonista, a Merle ou a Glenn, as personagens são credíveis, são interessantes, e, na maior parte dos casos (Merle será mesmo uma excepção), é difícil não gostar delas. O que torna a série ainda melhor: por aquilo que os quatro episódios já transmitidos deram a entender, o realizador, Frank Darabond (Shawshank Redeption, The Green Mile), não tem qualquer problema em matar personagens de que o público poderá gostar. Ou seja: ninguém está a salvo. O que, dizem-me, é fiel ao espírito da banda desenhada que está na base da série. De qualquer forma, o realizador merece aplauso por esta opção.
E por outra, igualmente importante: por não cair no facilitismo dos efeitos especiais, optando por fazer os zombies à moda antiga: através da caracterização. E, claro, merece aplauso a equipa responsável por aqueles mortos-vivos, de tão nojentos, tenebrosos e realistas que são. Há enfim um bom motivo para ficar em casa nas noites de terça-feira.


Neste género, o Land of the Dead do grande Romero foi dos mais interessantes que vi entretanto, bem como o 27 days de Boyle.
Mas já que fala da Firefly, deixo uma pequena recomendação: Caprica. Faz uma espécie de “resenha histórica” ao passado do universo Battlestar Galactica (a recriação já neste século) com uma enorme componente de crítica social. Aquilo que mais gosto na série é a vontade de não mostrar demasiados efeitos especiais, com o estilo até um pouco retro a funcionar na perfeição como suporte da ficção científica.
Vi o primeiro episódio de Caprica, e não me pareceu nada má, não. Mas Firefly é outra loiça.
Tem muito nível sim. Fiquei colado logo no primeiro episódio…
Tal como eu. E como muita gente aliás: o primeiro episódio é mesmo muito bom.
Falta a informação útil, João. Para os ignorantes como eu. Onde é que essa série passa?
Falha minha, de facto. A série pode ser vista na Fox todas as terças-feiras às 21h30. Talvez nem sempre seja aconselhável vê-la enquanto se janta, mas vale muito a pena.
Eheh. Gracias, compañero.
Nunca foi fã do tema “mortos vivos” mas esta série tá divinal! Não quero é que cancelam a série sem dar um fim devido à história.
Quanto aos actores, o principal recordo-o de um filme em que participava o Hugh Grant e também a Lúcia Moniz.
Quanto à esposa do protagonista principal, foi presença assídua em Prison Break!
Não adorei a série, mas fiquei interessado. A construção da história da personagem principal não me está a agradar e, a bem dizer parece-me que a escolha do actor para o papel não foi de todo a melhor.
Poderá ser uma série interessante se mantiver um nível constante de qualidade caso contrário conheceremos um novo dissabor.
Prefiro até ao momento Lost, X-Files e até Fringe
A personagem Merle Dixon , o que fica algemado no telhado, é interpretada por Michael Rooker … quem não se lembra dele em “Dias de Tempestade”? A personagem chamava-se Rowdy Burns , era o rival do Cole Trickle (Tom Cruise ). Também interpretou um pequeno papel em Jumper “, fazia de pai da personagem principal. Mas efectivamente não fazem parte do elenco desta série estrelas propriamente ditas.