O governo que temos.


Luís Menezes Leitão,

Uma boa demonstração de como funciona este governo é este processo da candidatura à Agência Europeia do Medicamento. Por pressão do autarca do Porto, retira-se a candidatura de Lisboa, que tinha todas as hipóteses de ganhar, para lançar a do Porto, e depois fica-se contente por este ter ficado em sétimo lugar. A Agência Europeia do Medicamento estava em Londres, a capital do Reino Unido, não estava em Manchester, nem em Southampton. Era evidente que, a ir para Portugal, só podia ir para a sua capital. Por isso mesmo acabou por ir para Amesterdão. É por isso que no governo alguém devia assumir responsabilidade pela condução deste processo, que prejudicou seriamente o país. Mas já se sabe que tal nunca acontecerá.

12 comentários em “O governo que temos.”

  1. retira-se a candidatura de Lisboa, que tinha todas as hipóteses de ganhar

    Tretas. Tinha muito poucas hipóteses. A Agência do Medicamento é uma das principais agências, com imenso movimento de visitantes e trabalhadores. Jamais ficaria numa cidade periférica.
    Sejamos claros, Londres fica a uma ou duas horas de comboio de Bruxelas, Paris e Amesterdão. Para Lisboa tem que se vir de avião, o que demora umas três ou quatro horas e substanciais complicações, além de ter que se arranjar hotel.
    Lisboa pode ser muito cool, mas é para férias. Não é para se vir cá com frequência.

      1. Permito-me discordar de Seixas da Costa. Lisboa é uma cidade que fica numa longínqua extremidade da Europa, sem ligações de comboio ao continente e a duas horas de vôo de qualquer cidade importante. Lisboa é a sede de duas agências europeias pequenininhas e que nenhum lobyista precisa de visitar. Não serve para sede de uma grande agência de uma indústria crucial e cheia de lobyistas como a farmacêutica. Um lobyista para cá vir precisa de três horas em transportes e reservar um hotel, é uma trapalhada. A Londres ou Amesterdão vai-se num pulo, de comboio, e volta-se no mesmo dia.
        Não tenhamos ilusões. Isto é como a Champions League – deve-se participar, que é prestigiante, mas não se deve ter ilusões de que se pode ganhar.

  2. no governo alguém devia assumir responsabilidade pela condução deste processo, que prejudicou seriamente o país

    Não prejudicou nada. Foi apenas uma forma indireta de pôr a nossa diplomacia a dar visibilidade e relevo ao Porto. Essa cidade tornou-se assim mais conhecida e atraente (para visitantes, claro, não para a Agência do Medicamento). Lisboa já tem visibilidade e relevo, não precisa de mais (até porque já tem o aeroporto a rebentar pelas costuras).

      1. São métodos perfeitamente bons. A diplomacia portuguesa tem que fazer alguma coisa. Pô-la a prestigiar e promover o Porto é uma tarefa perfeitamente meritória.
        Há competições que são para se concorrer, não são para se vencer.
        Tal como o Porto, 18 outras cidades europeias também perderam. Houve 18 outras diplomacias a trabalhar para promover cidades, muitas delas com tão poucas hipóteses como o Porto.

  3. Como escrito acima, esteve a um nada de ser Milão. Na votação acabou com Milão e Amesterdão empatadas e foi por sorteio que Amesterdão foi escolhida. Ainda não vi as notícias sobre a capital italiana ter mudado…

      1. Amesterdão é a capital. Haia é sede do governo e do parlamento, mas a constituição holandesa refere Amesterdão como a capital.

        Podemos questionar o que significa ser a capital, mas isso é uma questão diferente. Amesterdão é de facto a capital holandesa.

  4. É a macrocefalia lisboeta a funcionar. Não ganhou o Porto, paciência. Não retira mérito à candidatura, nem às reais condições que a cidade apresenta para receber um organismo destes.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *