O génio saiu da lâmpada


Luís Naves,

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O artista alemão Boris Eldagsen venceu um prémio de fotografia com uma imagem concebida por Inteligência Artificial (IA). O objectivo da sua candidatura foi demonstrar que existe um problema e que é impossível detectar o uso destas tecnologias. As IA podem conceber imagens novas, produzir ensaios e escrever contos de ficção científica. Esta história, por exemplo, é deliciosa. Existem muitos avisos sobre os perigos das IA e já ninguém tem dúvidas de que isto vai mudar as nossas vidas. Muitas profissões serão talvez extintas. Ao longo da próxima década, haverá profundas alterações económicas. Já é possível automatizar tarefas que até agora eram do domínio das elites, mas a mudança levará alguns anos. Terá de se alterar tudo, o trabalho, as pensões, a segurança social, o lazer e o tempo disponível. Em breve, estes programas vão solucionar problemas e criar coisas novas, como invenções e descobertas científicas, farão propostas de inovações sociais e poderão melhorar a vida de populações de regiões remotas, pois pequenas comunidades passam a ter acesso a professores e médicos de topo, ainda por cima baratos, pacientes e sempre disponíveis. Haverá pequenas revoluções em muitos sectores. O génio saiu da lâmpada, é improvável que se deixe aprisionar. E temos direito a três desejos.

Imagem criada por IA, Night Café

31 comentários em “O génio saiu da lâmpada”

      1. Alguns falam em IA e eu cada vez mais vejo o ser humano a retroceder. Por exemplo este seu texto não tem utilidade alguma. No entanto escreveu-o e vejo alguns a comentarem “o sexo dos anjos”. Eu não estou a comentar o assunto, estou a criticar o ser humano.

        Se e quando houverem alterações, será nessa altura que se devem falar nelas.

        Como ninguém dá nada a ninguém, querem que vejamos este texto pois não tem utilidade alguma. E isto é comum nos blogues.

  1. Terá de se alterar tudo, o trabalho, as pensões, a segurança social, o lazer e o tempo disponível.

    Não será cá, certamente. Por cá, daqui a 15 ou 20 anos, quando já não houver sequer trabalhos que um telemóvel manhoso não consiga desempenhar, algum chefe do partido socialista fará um brilharete e anunciará —com muita pompa—, uma summit inovadora, talvez na zona do palco do Papa, para discutir os desafios desse problema que o Luís acaba de enunciar.

  2. “Já é possível automatizar tarefas que até agora eram do domínio das elites”

    Cuidado, quando as elites ficam com nada com que se entreter fazem revoluções.

  3. “Deliciosa”, a questão da Clarkesworld? Talvez seja uma limitação minha, mas não consigo ver o que há de delicioso nas tentativas de techbros para dar cabo de plataformas não-lucrativas de expressão criativa. O que se seguirá ainda é incerto, mas o mais provável é que as revistas que insistam em sobreviver adoptem critérios cada vez mais restritos, prejudicando quem de facto escreve (o próprio Neil Clarke explicou isso muito bem no momento em que suspendeu a publicação).

    E já agora: os algoritmos de ML não foram capazes de escrever contos, ou pelo menos não com um mínimo de criatividade ou qualidade. O que fez foi inundar a revista de submissões de baixa qualidade que exigiram imenso esforço para eliminar (mais ainda por se tratar de uma fanzine). Não sei bem quem ganha com isto, mas sei que não são nem os leitores nem os escritores.

  4. pequenas comunidades passam a ter acesso a professores e médicos de topo, ainda por cima baratos, pacientes e sempre disponíveis

    Sim, mas um médico ou um professor online não são o mesmo que um médico ou um professor de carne e osso, ali à nossa frente.

    Ainda agora durante a pandemia houve aulas online, e qualquer aluno ou professor poderá confirmar que não é a mesma coisa.

  5. vai ter um efeito secundário não esperado fantástico : os “intelectuais” caixas de repetição , que não inovam um grama e passam a vida a discutir os génios que criam de facto , têm os dias contados. será muito bom ter de volta os grandes teóricos e só eles.

  6. «Em breve, estes programas vão solucionar problemas e criar coisas novas, como invenções e descobertas científicas, farão propostas de inovações sociais»

    Ainda estamos bem longe desse cenário e é quase certo que isso não será atingido apenas com “deep learning”. Aconselho, por exemplo, ler ou ouvir o Gary Marcus. Vejam-se as severas limitaçøes do Chatgpt. Basta uma breve interacção que vá para lá de perguntas susceptíveis de respostas enciclopédicas e o tipo espalha-se. É impressionante, mas está muitíssimo longe da inteligência natural que é o ingrediente fundamental para a actividade de um professor. Constatei que não é de todo fiável. Anda praí muita hype. As acções sobem e descem em flecha “accordingly”, man. Mas, sim, é um tópico interessante e inquietante (inquieta-me sobretudo a credulidade das pessoas: a versão sofisticada é acreditar que o chatgpt com esteróides seria capaz descobrir as leis de Kepler a partir dos dados de Tycho Brahe).

    1. Ainda estamos bem longe desse cenário e é quase certo que isso não será atingido apenas com “deep learning”.

      Sim, até porque o “deep learning” se baseia somente em conhecimento já pré-existente. O Chargpt utiliza textos já previamente existentes sobre um qualquer assunto para a partir deles produzir os seus novos textos; não cria conhecimento novo, somente reproduz ou compila o conhecimento pré-existente que é posto à sua disposição. É um bom exemplo de “garbage in, garbage out”.

  7. Brève histoire de l’Intelligence Artificielle
    Olivier Boisard,
    Ingénieur-conseil et enseignant à l’École Centrale de Lille – Mars 2020
    Résumé :
    L’invention de la machine de Turing, en 1936, rend possible le développement de l’informatique et de l’Intelligence Artificielle (IA). Les premiers ordinateurs seront toutefois plutôt destinés au calcul numérique ou à la gestion de bases de données. Il faudra attendre les années 1970 pour que l’IA prenne véritablement son essor, avec l’apparition de nouveaux
    langages de programmation et de logiciels tels que les systèmes experts. Aujourd’hui, ce sont les réseaux neuronaux qui s’imposent, et cette réussite soulève des questions sur l’usage de l’IA, qui dépassent très largement le seul cadre de l’informatique.

  8. A Inteligência Artificial (IA) não é “inteligência” como definida nos dicionários.
    A IA é um sistema informático, digital, de “armazenar / pesquizar” uma exponencial quantidade de dados.
    Só dá como “output” (romances, fotografias, músicas) a partir de os “inputs” previamente armazenados, mais ou menos (re)associados segundo programação.
    A ferramenta informática denominada “Base de Dados” em esteroides.
    Apenas lhe foram acrescentadas capabilidades de realizar vastas associações lógicas, rígidas, e/ou casuísticas, mas sempre previamente, ou aquando a pesquiza, armazenadas. “Outputs” óbviamente sem subtilezas criativas, inovadores. Pastiches à escala digital.
    Quanto aos “perigos”. Uma qualquer ferramenta depende do seu utilizador. Um bisturi nas mãos de um eficiente cirurgião, ou de um assassino, é (só) um bisturi.
    Assim programada, a IA iniciará o lançamento de um engenho nuclear, ou “criará” o pastiche de um adágio, sempre com o mesmo “sorriso”.

  9. é possível automatizar tarefas que até agora eram do domínio das elites

    Em compensação, creio que ainda não se inventou nenhum robot capaz de limpar uma sanita, aspirar uma casa, passar uma camisa a ferro, instalar as canalizações de uma casa, ou apanhar os mirtilos nas estufas de Odemira.

    Ou seja, as elites vão ficar sem emprego, porém muita gente de baixa condição continuará a ter emprego.

    1. Você tem mesmo de levantar a cabeça do teclado e dar uma volta por aí. No Norte do país já existe um café robotizado — uma máquina que atende pessoas e traz os pedidos — e o dono diz que não quer outra coisa. Pudera, não reclamam, não discutem à frente dos clientes, não há folgas, férias, nada, é sempre a andar.

      Ouvi dizer que o PS também vai ter um escriba online. Todos os vassalos de AC y sus muchachos vão ser substituídos por uma máquina pintada de uma cor amaricada. Portanto você comece a pensar numa alternativa para passar o dia, caro balio.

      A longo prazo, toda a esquerda vai ter um clone mecânico da catarina martins. Os mais caros são uns robots esguios, uns louçãs de plástico sintético que estão preparados para interagir com políticos e professores universitários nas televisões. A diferença entre eles e os clones metálicos da sra dona catarina é que os robots de plástico não guincham — em televisão isto traz vantagens. Claro está que em arruadas e carnavais no exterior, os outros são melhores. Longe vai o tempo em que o protótipo original do Dr. Louçã batia em tachos no Rossio.

  10. No universo da arte moderna (incluindo, para este efeito, a fotografia), não me parece um grande feito ganhar-se um prémio. O gosto é tão formatado como na produção de argumentos para novelas da TVI/SIC, séries para canais infantis, programas de comentário político e/ou futebolístico televisivo, ou teses de mestrado ou doutoramento no CES ou no ISCTE, que uma máquina estará tão ou mais habilitada para ganhar do que um ser humano (excepto em não poder, por enquanto, ir para a cama com o jurado, patrão ou orientador).

    1. Há uns dias estive a ler uns livros de Ayelet Gundar-Goshen (uma escritora israelita) e pensei nisso. Tecnicamente, são (em minha opinião) livros muito bons, divertidos, atraentes, bem escritos e com algum humor. Vendo com mais atenção, apercebemo-nos de que a autora tem em conta os gostos e tendências dos seus leitores-alvo e adapta os seus livros por forma a satisfazer esses gostos. Os livros são formatados para o gosto de um público-alvo.

  11. Enquanto isso a estupidez humana aumenta exponencialmente conforme a AI também aumente.
    Como tudo, é bom, se devidamente utilizado.

  12. Costa é uma lamparina inalterável, consegue andar a fiscalizar o respeitinho pelos desivados preços dos alimentos à conta da sua armadilhada e sufocante publicidade enganosa.
    Nem se esquece de mobilizar as televisões para descerem consigo às prateleiras das mercearias.

  13. so nao ve quem nao quer.
    Mas tambem nao se imagina nenhuma tragedia.
    Diz o autor “medicos baratos”, e embora nao detalhe, parece-me insinuar que haverá mao de obra disponivel, sem trabalho, portanto o custo trabalho baixa.
    Mas eu preferia ver um prognostico quanto :
    como é que se consegue manter o nivel de vida com salarios que nao compram e portanto tambem serao dispensados para o desemprego os (outros) produtores ?

  14. Não sou contra e era previsível há muitos anos. No entanto a população mundial aumentará….e a mão de obra diminuirá drásticamente na maioria dos sectores. Duvido que a I.A. e seus derivados humanóides venham para servir toda a humanidade. Uma grande parte será excluída e sofrerá maiores dificuldades do que enfrentam hoje, apesar de já na actualidade se morrer de fome e guerras a um nível alarmante. Será pior no futuro… a tecnologia servirá o bem e igualmente o mal!

  15. Prefiro a inteligência natural.
    A outra dará jeito a analfabetos e idiotas, ou se preferir, a patetas avençados.

  16. acabei de ler um resumo da entrevista ao kissinger, hoje faz 100 anos, e ele diz que a IA vai potenciar a guerra, nao estou a dizer fomentar, mas enriquecer (ainda mais, digo eu ) a capacidade belica.

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