O fotógrafo estava lá


Pedro Correia,

 

Esta foto de Alfred Eisenstaedt tornou-se um ícone do século XX. Foi captada no dia 14 de Agosto de 1945, em Nova Iorque, quando largos milhares de pessoas acorreram a Times Square para festejar o fim da II Guerra Mundial. Entre a multidão, estava uma enfermeira chamada Edith Shain, de 27 anos, e um jovem marujo de quem nunca se conheceu o nome. Por um capricho do destino, o militar decidiu dar um beijo arrebatado à enfermeira. Não se conheciam, não sabiam nada um do outro. Após aquele impulso, ele largou-a e perdeu-se na multidão. Ela nunca soube quem ele era, ninguém jamais conseguiu identificá-lo. A própria Edith só no final da década de 70 assumiu ser ela a mulher do retrato.

Mas o fotógrafo estava lá. O instantâneo de Eisenstaedt, publicado na revista Life, deu a volta ao mundo. Tornou-se um símbolo de uma era – e uma mensagem de paz destinada a todas as gerações. Edith regressou à Times Square, para outras fotos, que reproduziam aquela imagem iconográfica de há 65 anos. A última vez foi em 2008. “A felicidade era indescritível”, recordou então a antiga enfermeira, regressando àqueles dias felizes que se sucederam à vitória norte-americana sobre os japoneses no Pacífico. E quanto ao beijo? “Foi muito demorado.”

Edith Shain acaba de falecer, aos 91 anos. Mas a imagem que inesperadamente a imortalizou viverá para sempre. Por constituir uma prova irrefutável de optimismo, para além de todos os escombros provocados por todas as guerras. Há sempre um amanhã.

2 comentários em “O fotógrafo estava lá”

  1. A morte da antiga enfermeira é quase como a morte de uma lenda. Mas, como dizes, não será assim: porque esta fotografia é imortal e porque a realidade que ela traduz é muito mais forte do que uma lenda.

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