O estilo Sócrates


Pedro Correia,

Com José Sócrates, é sempre abissal a diferença entre a propaganda e a realidade. Nada melhor para ilustrar isto do que o chamado “cheque-bebé”, que a 1 de Fevereiro fez títulos de primeira página em todo o lado para assinalar os primeiros cem dias da actividade governativa. “Por cada nova criança nascida em Portugal, o Estado abrirá uma conta-poupança com um valor inicial de 200 euros, que poderá ser reforçada pelos pais que, para tal, poderão beneficiar dos mesmos benefícios fiscais atribuídos aos PPR – Planos Poupança Reforma”, referia o noticiário da altura. Era uma cópia pálida e mixuruca de uma medida semelhante anunciada dois anos antes em Espanha por Rodríguez Zapatero, o governante europeu que serve de fonte inspiradora ao primeiro-ministro português. Acontece que o chefe do Governo espanhol, pressionado pelos efeitos da crise que sempre procurou negar, se viu forçado a revogar esta medida em Maio. Um problema que o homólogo português não terá de enfrentar. Motivo: passados quase seis meses, o cheque-bebé à portuguesa, que tantas parangonas mereceu na altura, nunca saiu do papel. O processo está parado.

É um estilo de governação. O estilo Sócrates. Capaz de faltar a todas as promessas feitas – até aos bebés de chucha.

4 comentários em “O estilo Sócrates”

  1. Coitado do Cristiano Ronaldo… estava a contar com o chequezito para fazer face às primeiras despesas com a criança e agora, isto!

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