Muitas pessoas inteligentes cometem erros catastróficos depois de arranjarem argumentos muito inteligentes para justificar as suas opções erradas. Com a consciência a sussurrar falta de convicção, defendem aos gritos as más escolhas que fizeram e prosseguem para o desastre, incapazes de se libertar da argumentação.
A histeria retórica de numerosos defensores da solução de governo das três esquerdas é um indício do mau caminho em que o país se está a meter. Os radicais querem a exclusão da direita do poder a todo o custo, acabar com as chamadas ‘políticas de austeridade’ e anular as reformas estruturais feitas. Não faz mal que se ignorem o voto popular e as consequências financeiras, o que interessa é garantir que triunfa a história da carochinha, rejeitada pelo eleitorado, segundo a qual todos os males recentes se devem a políticas de direita irracionais que visam eliminar o estado social. Para os que, apoiando, deixam o corpinho de fora, nunca estivemos em pré-falência e sob resgate. E, no exterior, não há credores, só há especuladores.
A fé no futuro governo do derrotado António Costa baseia-se no mito de que é possível fazer diferente do que fez o governo da coligação. No entanto, se cumprirem o Tratado Orçamental, os novos senhores do país vão desiludir aqueles que agora cantam hossanas à mudança ou vão atraiçoar os acordos que fizeram. Quanto tempo concedem os partidos da extrema-esquerda a mais do mesmo? Por outro lado, se o governo do PS não cumprir os compromissos europeus, isto dura pouco tempo, como já se adivinha nos primeiros sinais de nervosismo dos investidores. Nesse segundo cenário, teremos a fase de vitimização, depois o pânico.
O facto é que, a partir de hoje, tudo muda para o Partido Socialista e a direita poderá ocupar definitivamente o espaço eleitoral do centro, mas no imediato estamos no período dos cínicos e dos idealistas, da presunção e da água-benta. Para o choque com a realidade, conta-se com boa dose de propaganda, mas a aventura envolve riscos tremendos e depara-se com uma Europa com outros problemas mais sérios, pouco disposta a entrar em nova crise existencial. Ao fim de seis meses, será evidente que a frente das esquerdas assenta em fanfarronice e pequena intriga: o PS entrou em delírio e lança-se, aos gritos, num esplêndido suicídio.

Presidente cumpra o seu dever. Em final de mandato não pode permitir que princípios elementares de seriedade e prática democrática sejam tão descaradamente subvertidos. Com a agravante de esta trampolinice ser conduzida por uma figurinha menor que tudo é capaz de atropelar para se espreguiçar refastelado no alto da própria ambição.
É falso que o Tratado Orçamental condicionasse todas, mas mesmo todas, as políticas do governo.
O anterior governo quis ir “além da troika”, são palavras deles. E mesmo que seja esse o caso, que não é, a função do governo português é tentar protestar e alterar os tratados que nos são desfavoráveis.
Por vezes ao ouvir certas pessoas ficamos convencidos que pensam que o Tratado Orçamentar são as Tábuas da Lei de Deus e como tal não podem ser contestados pelas entidades que os contraíram.
Se um tratado não nos serve, continuamos a ter de cumpri-lo, mas não somos obrigados a ir para o lado do Sr. Schäuble dizer que ele é a melhor coisa que nos poderia ter acontecido.
Bom dia, caro Luís Naves
Escrevi o texto abaixo, num outro blogue e fui quase queimado vivo:
Esperem lá: o euromilhões saiu outra vez para Portugal?
Parece que sim!
Foi aquela sociedade de 3 partidos, ou dois e uma coligação?
Parece-me que a Troika só tirou umas férias.
Acho que com este tempo veraneio, vão ao seu antigo escritório fazer uma limpeza.
Tirar o bafio!
“Muitas pessoas inteligentes cometem erros catastróficos depois de arranjarem argumentos muito inteligentes para justificar as suas opções erradas.”
Isto é válido para toda a gente, incluindo o Luís.
“Os radicais querem (…) anular as reformas estruturais feitas.”
Quais reformas? “Reformas estruturais” é paleio de Economista para prometer milagres que os números não mostram. Por outras palavras, é mera retórica.
“Que se ignorem o voto popular (…)”
Este argumento é demasiado mau para vir de uma pessoa inteligente.
“A fé no futuro governo do derrotado António Costa baseia-se no mito de que é possível fazer diferente do que fez o governo da coligação.”
A afirmação “não há alternativa” é uma falácia. Existe sempre alternativa, mesmo que isso implique nada fazer. Experiências recentes na Bélgica, onde estiveram cerca de um ano sem ter Governo, mostram que a mera governação por duodécimos, sem possibilidade de instaurar medidas de controlo orçamental, conseguiu ter melhor desempenho económico e praticamente sem impacto na Dívida Pública.
“Quanto tempo concedem os partidos da extrema-esquerda a mais do mesmo?”
Nenhum dos partidos com assento na Assembleia da República são de Extrema-Esquerda.
“(…) no imediato estamos no período do cínicos e dos idealistas, da presunção e da água-benta.”
Novamente, isto é válido para toda a gente.
“(…) o PS entrou em delírio e lança-se, aos gritos, num esplêndido suicídio.”
Empresta-me a sua bola de cristal?
No fundo, o Luís apenas volta apenas a apontar baterias a quem não se conforma com o “ordem instituída” das coisas, que ousa rebelar-se contra a “tradição” e que ensaia ‘novos’ caminhos (o Keynesianismo já tem muitos anos e tem-se revelado muito consistente com os resultados actuais, quer em Portugal, quer no Mundo).
Assim sendo, o putativo Governo liderado por António Costa será um poço de virtudes? Objectivamente, não existem dados para avaliar. Poderá ter sorte com a conjuntura internacional (como aconteceu no final do mandato do Governo anterior do Passos Coelho) ou o azar de nova recaída (como já várias organizações internacionais têm alertado); o aumento pré-anunciado no rendimento disponível dos agentes económicos poderá contribuir para o PIB de maneira positiva (se levar ao aumento da procura de bens e serviços produzidos em Portugal) ou de maneira negativa (se levar a um aumento de importações); etc..
Só se sabe se o melão é bom depois de aberto. Ou, noutra formulação, “Prognósticos, só no final do jogo”.
Caro Naves, sem dúvida “..depara-se com uma Europa com outros problemas mais sérios, pouco disposta a entrar em nova crise existencial.” e que haverão de acrescer aos problemas de Portugal!! Só não sei se a crise existencial não estará já a atingir a maioridade e que de um momento para o outro bata, abruptamente, com a porta!! A ver vamos o que ocorrerá no RU e em França. A esses outros se seguirão por afinidade e filiação!!
Exagero. Positivo acabaram os partidos que não podem ser governo (uma deformação não democrtaica que agradava a variso actores). A troika já conhece bem a casa, gosta da comida e das pessoas(tirando o paulinho das feiras), governa melhor que os tutores que cá deixaram, e ainda por cima tras os euros que precisarmos. Dito assim parece-me o purgatorio.
Bom post!
Um melão podre não precisa ser aberto para se saber que está podre. Como é que pode haver alguém que ainda não tenha percebido quem é costa. A extrema-esquerda sendo contra a liberdade dos outros, também está podre, ainda mais podre.