“…Ser feliz é uma decisão, não é um acaso, nem é determinado pelas circunstâncias…”
Esta frase foi retirada de um curioso post de Eugénia de Vasconcellos intitulado “Síndrome de Angelina Jolie” no blogue Escrever é triste em http://www.escreveretriste.com.
Sempre defendi esta tese de que a felicidade dá muito trabalho, já que “infelizes somos todos um pouco”… Mas há quem pareça não acreditar nesta realidade e se compadeça enormemente não só com a sua infelicidade, mas também com a dos outros. Ao compadecer-se cada um está, automaticamente, a empregar todas as suas energias num sentido negativo. Ter pena de si próprio é meio caminho andado para que tudo nos possa correr ainda pior…
Há um ditado popular que uso com muita frequência e que diz mais ou menos isto: “faz por ti que Deus te ajudará”. Tirando o sentido religioso que lhe está subjacente, o essencial é justamente o que defendo. Ou seja, esforça-te, luta, prossegue, não desistas dos objectivos porque, nalgum momento, a vida, como um bumerangue, te devolverá todo o teu empenho!


É bonito o que escreve e pleno de sabedoria. Traduz-se no anglo-saxão da seguinte forma: What goes around comes around.
Há duas perspectivas opostas que têm influenciado as diferentes culturas: os cristãos têm desvalorizado a alegria; e os restantes, em particular os budistas, desvalorizam o sofrimento.
De certa forma, isto é o mesmo que não distinguir o desejo do prazer.
Eu posso lutar, e em sofrimento viver a alegria do combate e as tristezas das forças que se perdem e que se regeneram. É isto que aceito ao dizer que é nas fraquezas, nas minhas, que reconheço o Poder transcendente. Da mesma forma que é na miséria que se faz sentir o Poder da misericórdia; e é exactamente em tudo isto que se reconhece a Glória eterna.
Infelizmente, a dita tradição judaico-cristã não foi capaz de se deixar talhar na raiz do verdadeiro Cristianismo. Deixou-se embrulhar pelo ritual que devia estar a complementar o Real e não para ser vivido, como se vive, de forma abstracta, vazia e impeditiva.
Essa mesma tradição que não compreende que a Transfiguração é um processo feito através da dor mas que conduz à alegria da Liberdade alcançada. Essa dor ou sofrimento é como o fogo do joalheiro que purifica o metal, o ouro, e fá-lo alcançar um valor e um brilho que antes não possuía.
Falta-nos coragem para viver o sofrimento e ânimo para alcançar a alegria através deste. Queremos tudo feito e esperamos aquilo que não é Esperança.
“Buscai o Reino de Deus e sua Justiça e tudo o mais vos será dado por acréscimo”. Tolstoi, acrescentou: “Mas nós buscamos o acréscimo e é natural que não alcancemos o Reino”. Mas um Reino concreto, tangível e visível quer de forma individual quer colectiva.
Somos filhos de Abraão, porque lutamos pela posse, poder, e não compreendemos o Poder que renunciando à posse nos transforma em Filhos de Deus, todos irmãos, no Filho do Deus Vivo.
Andamos enganados sobre o que é a felicidade.
De Vento
Gostei deste seu comentário. E andamos, de facto, muito enganados sobre o que é a felicidade!
Grande lição de vida, Helena. Muito bem.
Para se ser feliz é preciso ser-se um bocado parvo, diz Miguel Esteves Cardoso, ‘um bocado parvo’ que acrescenta ser.
O Budismo defende que ninguém é feliz se não sentir compaixão pelo sofrimento dos outros, compaixão que não é um sentimento tristonho, mas uma força positiva.
De acordo com o Budismo, o nosso estado de consciência habitual, pode ser comparado a uma lanterna fraca, com as pilhas gastas. Através da meditação, conseguiríamos clarificar e ampliar a nossa consciência, desobstruindo-a.
Eu digo que a felicidade é um lampejo, intermitente, e que ninguém aguentaria estar sempre feliz. A felicidade é um caminho.
Não podemos culpar os outros pela sua infelicidade, nem pensar que sejam quais forem as suas condições de vida, têm a obrigação de ser felizes. Muitas pessoas vivem em condições sub-humanas e, mesmo assim, dão-nos lições.
Concordo que a felicidade é confundida com muitas outras coisas.
As ciências sociais e humanas têm estudado mais os aspetos negativos como as doenças, as neuroses, a depressão, etc., e só nos anos 50, alguns psicólogos começaram a interessar-se pelos aspetos positivos, como a criatividade, a auto-realização.
No entanto, estas estão no topo da pirâmide, e na base, estão as condições primeiras, como os alimentos, a saúde, a casa, o ambiente, etc.