Quando falta informação, vai-se buscá-la. Vai-se? Reparem na entrada desta notícia: «Um fogo de grandes dimensões destruiu um mosteiro medieval situado na abadia de Rochefort, na Bélgica, muito conhecida pela produção de cerveja.» Um mosteiro numa abadia? Pode ser que sim. Na Abadia de Rochefort? Mas conhecida pela cerveja é a abadia ou a região? Segundo a própria notícia logo adiante, nem uma nem outra: «o mosteiro do século XIII atingido pelas chamas é muito popular pela produção da cerveja Rochefort Trappist»; mosteiro e abadia são, nesta história, a mesma coisa, apesar da confusão que começa por colocar um no interior da outra.
Na verdade, trata-se da Abadia de Nossa Senhora de Saint-Rémy, fundada em 1230 e situada na província belga de Namur, perto da cidade de Rochefort. É nessa abadia que está instalada uma fábrica de cerveja, a Brasserie des Pères Trappistes de Rochefort. Os monges residentes em Saint-Rémy, actualmente em número de 15, iniciaram o fabrico da cerveja em 1595.
Em suma: a notícia é curta e não houve vítimas. Quanto ao resto, as imprecisões e faltas de informação são graves? Nem por isso, enquanto não forem as mesmas cabecinhas a dar tratamento a notícias, por exemplo, de alguma cimeira europeia sobre os países em crise ou de algum comunicado do ministro Mendonça sobre os avanços irregulares do seu TGV. Aí é que a coisa muda dramaticamente de figura.

Ou não, João. Ou não!
Abraço!
Um abraço, Joshua.
Apenas acrescento de que a Cerveja em questão chega aos 15º de álcool.
Excelente e muito oportuno ponto de vista.
Também acrescento que a produção é intencionalmente limitada.
Obrigado.
Pois eu ao ouvir a notícia fiquei de tal forma confuso que já nem percebia o que tinha ardido e do que estavam a falar.
Mas como fã de cerveja de trapistas despertou-me logo a vontade de apreciar novamente um néctar dourado.
Eheh… Entendo.
(Só faltava era entender o que eles debitaram.)
dourado!?… por norma é negra, foi o hábito de associar cerveja ao dourado!
Deixe lá: eles até devem achar que a cerveja é amarela!
Esses monges nem pensem em vir instalar-se em Portugal! Viva o laicismo! Viva a República!
Assinado: Jacobino, CEO da Super-Bock.
Cruzes!
A que horas é que podes dar aulas na SIC?
Eheh… Não é preciso. Está lá o Pacheco Pereira.