
Cenas destas ocorrem todos os dias, em milhares de passeios deste nosso país, onde basta um veículo assim estacionado para criar sérios problema de locomoção a qualquer pessoa que se desloque a pé. Basta pensar em cegos, velhos com bengala, jovens de muletas, gente que transporte malas, alguém que se mova em cadeira de rodas ou empurre um carrinho de bebé.
Vivemos numa época em que a todo o instante há quem reivindique direitos sem jamais mencionar a incómoda palavra dever – que todo o direito implica, pois são duas faces da mesma moeda. Alguns dos que mais clamam por direitos são os primeiros a mandarem às urtigas o mais elementar civismo. Ignorando que nenhum direito é absoluto, desde logo quando corre o risco de colidir com o exercício de direitos alheios.
O indivíduo que estacionou assim o carro em zona proibida é daqueles que têm uma concepção absoluta dos seus direitos. Talvez repita até à exaustão nas redes sociais palavras pomposas, como solidariedade e justiça. Aposto que será dos primeiros a exigir aos outros – incluindo entidades públicas – aquilo que ostensivamente não pratica. É o que mais há por aí. Alguns até se atrevem a dar lições de rigor moral e ética comportamental a quem vão encontrando pelo caminho.

A matricula é portuguesa?
Matrícula francesa. Algures em Tugal.
Ainda bem!! Afinal os outros não são tão diferentes como nós.
Matrícula francesa, mas condutor tuga. Vai uma aposta?
Pode ser um naco de vitela, no Machado, regado a Espadal fresquinho?
No Machado? Claro que sim.
“Não são tão diferentes de nós”…valha-me deus….
Farinha do mesmo saco.
Concordo plenamente. E adiciono apenas que, também será alguém que facilmente se indignará e protestará contra a trotinete mal estacionada no passeio mesmo junto ao automóvel…
Também hei-de falar de trotinetas um dia destes.
É um carro de matrícula francesa.
Se estivesse na terra dele, não estaria assim estacionado. Seria eficientemente multado.
Acredito que sim. Mas em Tugal é diferente. Em Roma, sê romano. Em Tugal, sê tuga.
Uma solução que eu tinha, dantes, para casos destes (quando eles eram muito mais frequentes que atualmente), era andar com uma faca de mato comigo. Quando dava assim com um carro, ademais numa rua deserta como esta, espetava-lhe a faca num dos pneus (às vezes, em dois pneus).
O automobilista poderia não ser multado, mas ficaria bem prejudicado na mesma.
Mas isso é solução, andar a furar pneus alheios?
Infelizmente, creio que não era solução, porque os automobilistas não faziam a associação entre o pneu esfaqueado e o delito que tinham cometido.
Mas pelo menos era uma boa vingança.
Porque não chamar o reboque? Escusa de praticar um crime.
Chamar o reboque? Somente a polícia o pode fazer. Um privado só pode chamar o reboque se o automóvel estiver estacionado numa zona que dá acesso a uma garagem privada, e nesse caso só pode ser chamado pelo dono dessa garagem.
No caso retratado nesta fotografia, o mau estacionamento prejudica muitos cidadãos, mas nenhum deles tem o direito legal de exigir que a infração seja punida.
Na prática, os cidadãos prejudicados estão nas mãos da polícia e da sua falta de vontade em castigar os infratores.
Se a polícia decide não os castigar, temos que ser nós, os cidadãos prejudicados – isto é, os peões – a tomar o assunto em nossas mãos.
O Reboque é capaz de demorar uma hora ou mais….como a policia. Uma vez bateram-me no carro. Chamei a policia. Nunca mais vinha. Tinha mais do que fazer. Disse ao outro auf wiedersehen e fui-me embora…
Eu ando com o taco de basebol. Faço uns Home Run com os retrovisores
É crime também. Uma lavourada, à moda americana.
Pedro, estava no gozo….mas já me apeteceu…aliás conheço um “tipo” cheio de graveto que abalroou, com um jipe, um carro que tinha estacionado numa rampa de garagem….dinheiro é liberdade
Eheheh…
Mas o que é que você está para aí a dizer, Luís Lavoura? Andar munido com uma faca Rambo para furar os pneus dos carros em transgressão de estacionamento?
Deixe-me que lhe diga que é senhor de um louvável predicado justiceiro. Abençoado seja.
Nem o justiceiro protector dos fracos e oprimidos Batman se lembrava de uma justiça tão eficiente.
Furar os pneus aos carros mal estacionados. É verdade, sim senhor. Dei um pontapé numa pedra para ver, e afinal estava mesmo acordado porque doeu-me.
Deriva bolsonárica do comentador Lavoura.
seria a chamada “faca do Rambo”?
Brrr… que medo.
Mea culpa, já fiz dessas. Mea desculpa, sempre depressa e sempre a ver o carro. Mesmo assim, culpado.
Quem diz a verdade não merece castigo.
Essa opinião não é inteiramente partilhada pelas autoridades
Eheh. Acredito.
Felizmente. Oxalá as autoridades nunca a partilhassem.
Disparate. Merece castigo na mesma.
Ler uma Lavourada até ao final equivale a 10 horas de trabalho comunitário. Vem na lei.
António, hilariante!!!!
Assino por baixo o que escreve neste seu “post”, a não só no que se refere a estacionamento de veículos; mas no que respeita a situações destas elas são uma constante e muitos casos quando alguém lhes faz notar que procedem mal respondem com arrogância. Excepto quando aparece a polícia para os multar.
Cumprimentos
Hei-de trazer mais situações destas aqui.
Quando a polícia aparece não serão nada arrogantes. Exceto se forem Valentim Loureiro ou outro passarão do PS ou PSD.
Se for do BE, é passarinho.
Empoleirado no meu galho
Miro o mundo aos trambolhões
Uns por mau estacionamento
E outros justiçando com facalhões.
Oh destino
Mas que vida ao desatino
Pior que a do socratino
É viver fazendo o pino
Por facalhar um pneuzinho
Já dei com carros estacionados ocupando dois lugares e quando não há mais nenhum livre fico desesperado. E se for em sítios pagos, só tiram um bilhete do parquímetro quando eu acho que deveriam tirar dois. E já vi estacionamento de condutores sãos em lugares de deficientes.
Há dias presenciei uma cena espectacular: uma senhora chorava e bradava em alta voz contra o facto de lhe terem bloqueado o carro. Os fiscais permaneciam calados e impávidos. A senhora tinha estacionado à porta de um Centro de Saúde no local destinado (e devidamente assinalado) às Ambulâncias. Mas ela achava que tinha esse direito.
Que grande besta, essa fulana. Devia ser multada a dobrar.
Outra situação, que vejo todos os dias, são carros que estacionam em lugares marcados sobre o risco que os divide e que na prática ocupam dos estacionamentos. Deixar lugar aos outros é uma perda de tempo.
Isso é do mais tuga que pode haver, João Pedro. Todos os dias tropeço em cenas dessas.
Então e nas Escolas quando os pais vão buscar os miudos? Em segunda, terceira fila….em qualquer lado…se fizerem meia duzia de metros a pé morrem
A hora de entradas e saídas de escolas é insuportável. Param um de cada vez à porta de escola para o menino não andar sozinho 4 metros. Conheço pelo menos um caso em que as professoras iam buscar os miúdos aos carros e iam com eles até a porta para não lixar o transito todo na rua.
“Dois estacionamentos”.
Caro Pedro, concordo em absoluto com o teor do seu texto, mas permita-me discordar que direitos e deveres sejam as duas faces da mesma moeda. Pelo menos, não em todos os casos. No momento em que um bebé nasce, ele tem direitos (assim eu vejo a coisa). Mas deveres? Primeiro, tem de ganhar a consciência do que são deveres. Não digo que se tenha de esperar pela sua maioridade, mas demora alguns anos, durante os quais a criança tem direitos, sem ter deveres.
Viva, Cristina. No caso dos deveres, obviamente, a questão não se põe relativamente a bebés – nem vale a pena discutir isso.
Aliás poderíamos recuar em relação aos nascituros – a quem o Estado de Direito já reconhece desde logo o direito a nascer, ou seja o direito à vida, o primeiro dos direitos, sem os quais não haverá outros.
Mas há deveres relativos aos bebés e aos nascituros, que abrangem os pais, a família e a sociedade em geral. Também nestes casos, de algum modo, os direitos são inseparáveis dos deveres.
Na verdade, nem bebés nem crianças constituem direitos. São os adultos quem tem deveres para com eles.
A sério!
https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Direito s_da_criança
É tudo semântica, já sei
Num quase divertido livrinho de um tal Paul Tabori, a “História Natural da Estupidez”, há todo um capítulo dedicado ao seu muito frequente mal entendido. Chama-se o tal capítulo “A lei é Asnática” e é ilustrado com a reprodução de processos em que bestas de vários tamanhos são julgadas e frequentemente condenadas por alegadamente (como agora se diz) escoicearem aquilo que se julgavam ser direitos de alguns bípedes.
Não, não é semântica. É mesmo estupidez.
“processos em que bestas de vários tamanhos são julgadas e frequentemente condenadas por alegadamente (como agora se diz) escoicearem aquilo que se julgavam ser direitos de alguns bípedes”.
Não me parece que seja correcta essa análise. Na Idade Média processaram-se animais quadrupedes (ex:porcos) que “atacaram” pessoas porque se julgava que aqueles tinham “vontade” própria, ou seja intenção.
https://en.m.wikipedia.org/wiki/Animal_ trial
Mas está a comparar uma criança com um porco?
Egoísmo e egocentrismo.
O mais engraçado é que a EMEL permite o estacionamento em cima de passeios, mesmo nos casos em que o passeio é estreito e em que é reduzido o espaço para a passagem de peões, desde que se pague. Lá está o sinal a permitir o estacionamento … e os parcómetros para receber as .
Mais engraçado… embora sem graça nenhuma.
Não me falem na Emel. E os parquímetros que têm um letreiro a dizer ” se estiver avariado procure outro”? Em toda a parte o ónus de ter os meios para o pagamento é de quem recebe. Em qualquer café ou papelaria se não têm troco, entregam a compra e dizem pague quando cá passar ou vão eles procurar o troco. Nunca me disseram “não tenho troco, vá procurá-lo e apareça”. Só com a Emel e outras empresas idênticas com a permissão das respectivas Câmaras Municipais.
Hoje em Portugal é assim mesmo. Qualquer para-quedista , lá porque lhe mudam a mitra, ou porque se exibe na TV, ou porque tem cargo no Governo, ou porque quer ganhar o Nobel, enfim quer dar nas vistas , aterra em qualquer poiso como se fosse terreno baldio, assenhora-se dele por direito campeão, como se dizia dantes, e não há autoridade nenhuma que tenha a integridade e a justiça para o de lá obrigar a zarpar!
Pode-se sim furar tudo – pneus e outras coisas piores , seja com facas, seja com garfos seja com bombas e ninguém vai punir ninguém nesta república das bananas!
República dos bananas. E dos chico-espertos.
Gostaria de partilhar uma página do que se passa em Torres Vedras!
https://www.facebook.com/ondeparaapromot orres/
Fez bem em partilhar. É preciso que estas coisas se saibam.
Não podia estar mais de acordo com este seu texto, Pedro.
A questão aqui é que a falta de civismo destas pessoas é tão frequentemente demonstrada que se tornou banal e corriqueira, implicitamente aceite e até , ao que parece , despenalizada.
Fazer alguma coisa a este respeito, é perder muito do pouco tempo com que as pessoas ficam depois de voltas e voltas intermináveis para estacionar.
Há tanta linha e site de apoio a isto, aquilo e aqueloutro, que também devia de haver um para onde enviar fotos de matrículas de prevaricadores em incumprimento e indicação de localidade. Quem comete estas irregularidades, não se fica por ser marinheiro de primeira viagem.
Há demasiada contemporização face a estes comportamentos, Dulce. Tanto se fala em civismo e depois quase todos vão encolhendo os ombros perante estes grosseiros atentados ao civismo que ocorrem a todo o momento em qualquer lugar. À frente dos nossos olhos.
Foi sobretudo isto que me levou a tirar esta fotografia e a escrever estas linhas. Como podemos proclamar grandes princípios se transigimos a todo o passo contra a violação desses mesmos ideais?