RTP Informação, canal público. Prestando o mesmo serviço público que a SIC Notícias – canal privado – ao transmitir em directo, com tradução simultânea, o debate François Hollande-Nicolas Sarkozy que poderá ser decisivo nesta recta final da campanha presidencial francesa. Acompanho com natural interesse este longo frente-a-frente, apreciando o trabalho dos tradutores da RTP, atentos às réplicas mordazes dos candidatos. Mas no melhor pano cai a nódoa. Em rodapé no ecrã algum iluminado lembra-se de inserir a seguinte legenda: “Se Hollande vencer será a primeira vez que um presidente em exercício não renova o mandato.”
Legenda mentirosa: em 1981, o presidente Valéry Giscard d’ Estaing foi derrotado na corrida presidencial pelo candidato François Mitterrand. Prestar informação errada aos telespectadores, por negligência ou falta de cultura política, desvirtua – no espírito e na letra – o serviço público.

Mas que raio de campanha contra a televisão pública!
Errar é humano. A televisão pública ocasionalmente erra, como as outras televisões, e como os jornais, etc.
Se um serviço informativo de uma televisão privada presta uma informação falsa, não será isso também desvirtuar esse serviço? Por que motivos deverá a televisão pública ser alvo de mais críticas do que a privada?
Desinformação – muito provàvelmente intencional.
Desinformação “institucional”.