O dia mais lindo


enlil,

 

É uma lenda, mas é tão reconfortante nos dias de hoje e tão impossível de igualar, que só o facto de poder ter sido imaginada diz muito sobre aquele tempo e aquele lugar.

Diz-se, então, que faz hoje 50 anos que dois jovens ficaram milionários para a vida enquanto bebiam uma imperial.

Os jovens eram Tom Jobim e Vinicius (cuidado com o Vinicius, meninas) de Moraes, a imperial foi sorvida no Bar do Veloso, em Ipanema, à porta do qual, estavam eles a descansarem de não fazer nada, passava Heloísa Pinheiro, moça dos seus 1,73cm, morena de olhos verdes, a caminho da praia, crendo no poema que Moraes compôs ali mesmo num guardanapo, depois de ter murmurado “olha que coisa mais linda”, enquanto Tom tamborilava a melodia na mesa com a polpa dos dedos.

Claro que não foi nada assim. Mas este será o perfeito retrato daquele que cuido como tendo sido o mais perfeito lugar e a mais consumada hora de todo o séc. XX, o Rio de Janeiro em 1962, no Brasil de Kubitschek, o Kubitscheck que todas as semanas ia centro do mundo ver o futuro, essa Brasília erguida no meio do nada-sertão central.

Faltaria pouco tempo para que o inferno descesse ali a sua pata, mas aquele 1962 carioca, nunca houve nada assim.

20 comentários em “O dia mais lindo”

      1. Mulheres a sério. Naturais, imperfeitas. Com formas. Que maravilha.
        Voltem anos sessenta estão perdoados : )
        E claro maravilhosa é também a canção.

      2. Cristina, não respondeu às minhas perguntas. A senhora da fotografia é a Heloísa? Em 1962 ou agora?
        Quanto às coxas e ancas da Marilyn Monroe, é um facto, nunca reparei nelas. Nunca foi coisa que me ocupasse.

  1. Ainda hoje, estando em Ipanema, haja um guardanapo e algo com que escrever, não faltarão “motivos” igualmente lindos e inspiradores, capazes de fazer nascer um poema, que se torne intemporal.
    Apesar de os bikinis terem “sofrido” uma redução no tecido, directamente proporcional à redução dos formosos anafos das Cariocas…

  2. A lenda é verdadeira, Zé. Pelo menos é o que me garantiu uma prima portuguesa da bela Heloísa, que tem lá em casa uma carta do Vinícius com a prova provada deste momento feliz. E viva a MPB, que deu ao mundo esta e muitas outras maravilhosas criações musicais!

  3. José

    ” … este será o perfeito retrato daquele que cuido como tendo sido o mais perfeito lugar e a mais consumada hora de todo o séc. XX, o Rio de Janeiro em 1962, no Brasil de Kubitschek, o Kubitscheck que todas as semanas ia centro do mundo ver o futuro, essa Brasília erguida no meio do nada-sertão central.”

    Também absorvi essa ideia e essa atmosfera de um Brasil maravilhosamente virado para o futuro, a era Kubitscheck, através da leitura das “Reader’s Digest” dessa época que descobri anos mais tarde. Sentia-se a frescura luminosa de todos os inícios em contraste com o nosso cinzentismo apagado.
    E a arquitectura de Brasília… ainda me consegue impressionar e fascinar.
    Ana

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