O dia da votação na Catalunha.


Luís Menezes Leitão,

Enormes filas de pessoas que aguardam desde madrugada em Barcelona para exercer ordeiramente o seu direito de voto e impedir que a polícia feche as assembleias. Eu quando vejo uma fila de pessoas a querer votar e polícias a querer apreender as urnas e os boletins de voto, sei muito bem de que lado é que estou. E daqui a pouco também irei votar, feliz por estar num país que há muito conquistou e exerce esse direito sem constrangimentos de qualquer espécie.

16 comentários em “O dia da votação na Catalunha.”

  1. Existe “direito de voto” numa eleição ilegal? Essas deturpações à Bloco, à socialista, é que criaram esta situação. Se calhar é esse o verdadeiro objectivo, porque nitidamente a independência da Catalunha não é um valor que todos possam partilhar já que radica em equívocos e manipulações e, no meio da confusão (outra estratégia à Bloco) tentam criar factos, criar situações capciosas e provocar decisões que não correspondem a vontades unânimes ou mais volumosas.

    1. V, explique-nos a génese da maioria dos países de centro europeu e do médio Oriente? Não resultaram eles do colapso de Estados multinacionais e das Constituições que os suportavam ?

      1. Talvez nalguns casos, mas Espanha não está em colapso. As forças que querem impôr um referendo ilegal (sem census definido, sem controlo, etc) são republicanas: reclamam auto-determinação numa vaga maioria que não sabemos se existe realmente. Mas se conseguissem a independência a primeira coisa que fariam é determinar que um eventual movimento contrário de regresso a um regime monárquico e a Espanha será impossível ou precisará de uma maioria de 3/4 da população, o que demonstraria bem como funciona aquela gente e que a auto-determinação só é aceitável quando é proposta num determinado sentido.

  2. Não consigo partilhar do teu sentimento, Luís. Trata-se de um “referendo” ilegal, sem a mais pequena garantida de justiça e de transparência. E, ao ser ilegal, é profundamente anti-democrático (repito, é a lei, e não o voto, que consagra direitos, liberdades e garantias). Mas tem sido triste (e revoltante) ver como o nacionalismo catalão usou crianças para manter as escolas abertas e, em alguns casos, as usa como escudo contra uma eventual intervenção da polícia – que mais não fará do que cumprir a lei. Lamento, mas é impossível encontrar democracia no meio de tanto fanatismo.

    1. “Cumprir a lei” é um bom eufemismo para referir o espancamento de idosos e a destruição de escolas por uma guarda nacional enviada de fora da Catalunha, pois a polícia local recusou-se a fazer esse serviço, e que se comporta como uma força de ocupação. Só não vê que há aqui uma questão política de autodeterminação a resolver quem não quer. Como disse a alcaidessa de Barcelona, Rajoy é cobarde e Barcelona, como cidade da paz, não tem medo.

      1. Esquece-se, todavia, que a Catalunha é um território que pertence, e sempre pertenceu, à coroa espanhola, porque os países espanhóis são na verdade principados e nunca foram repúblicas — e os estatutos modernos de autonomia política não são estatutos de autonomia territorial. Os problemas de legalidade e aspirações a secessão, em democracias avançadas, devem ser resolvidos ao nível das instituições e orgãos legislativos e não por referendos selvagens convocados unilateralmente por forças comunistas e republicanas que representam o século XIX. Essa linguagem da ocupação não faz sentido porque o uso da força, neste caso, é a defesa a um ataque. Um ataque retrógrado, ainda por cima. Sobretudo quando sabemos que as repúblicas são menos sofisticadas e todas mais pobres do que as monarquias.

          1. É isso que não sabemos: quantos verdadeiramente não querem ser espanhóis. Só vejo um pasteleiro e a massa urbana fácil de moldar.

        1. Proponho que a República Portuguesa seja declarada inconstitucional. O homicídio é ilegal. Ou dependerá de quem empunha a arma ?

          1. Ah-a! Assino por baixo. A haver referendo a pergunta deveria ser: Quer que a Catalunha seja uma república? E ódspois vinham eles e diziam: “però quals? un republic dels banans?”

          2. Inconstitucional ou não, houve homicídio(s). Menos de dois anos depois estava “implantada” a república, parece que mais por desistência de uns do que por mérito cívico e talento militar de outros; e perante a geral e boçal indiferença do país. A primeira república foi o que se sabe, em si mesma e por comparação com a monarquia constitucional, na matéria de – como agora se diz – direitos, liberdades e garantias. Está documentado e é público, mesmo que a liturgia oficial o procure ignorar. E atirou-se um país para a guerra, em larga medida para conseguir reconhecimento internacional. As proezas e preparação militares portuguesas, há cem anos, e com todo o respeito, são conhecidas.

            Por estes dias a constituição desta república rejeita a mera hipótese de se perguntar ao soberano o que acha da forma monárquica. Tal como interdita a propagação da ideologia fascista, mas tem toda a permissividade para com a comunista.

            Parece de facto que a ilegalidade (a bondade, o heroísmo) do homicídio depende de quem empunha a arma. Com força de lei.

            Vícios antigos ( ou medos perenes).

            Costa

  3. na Peninsula Ibérica e referendos independentistas num tempo de espansão islamica é coisa mais simples saber em que lado da barricada se deve estar…era só o lirismo trazer para a Ibéria as “primaveras arabes” não bastou o que se passou e passa no sul do mediterraneo…

  4. A responsabilidade pelos constrangimentos é daqueles que violam a constituição que votaram democraticamente. Exigissem a revisão constitucional.

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