
Não se assustem. Não entro o ano a falar de carnificinas reais. Trata-se, apenas, do título do último filme de Roman Polanski, um realizador de quem gosto mas que, por motivos vários, os críticos não apreciam muito, desde que, há mais de trinta anos, a América proibiu a sua entrada no território, por uma questão de sexo consentido com uma menor.
O filme é uma comédia amarga sobre as relações entre casais e sobre a educação que os pais dão aos filhos. Tudo se passa numa tarde, numa sala, onde os quatro únicos protagonistas ora se digladiam entre si, ora se compreendem mutuamente.
Jodie Foster surpreendente no papel de mãe culta e conservadora e Kate Winslet soberba no papel de mãe galinha e executiva gestora de fundos.
Como se depreende, a economia de meios é grande, e o filme vale pelos diálogos que, em certas alturas, chegam ao paroxismo. Tudo no meio de algumas valentes gargalhadas impossíveis de conter, face ao verrinoso humor de certas análises.
Os críticos deram, até agora, três estrelas. Do meu ponto de vista, a película vale as quatro. Mas eu sou, apenas, uma cidadã que gosta de cinema.

Helena, bem vinda! Vou seguir o teu conselho e ver o filme:) beijos e bom ano
Quanto ás estrelas e quem as “administra” : segundo J..L.Borges ” a crítica serve para dar de comer aos críticos “…
Sou capaz de estar a treinar para um convite, porque dava uma ajuda ao fim do mês!
Mais uma cinéfila no Delito. Por aqui o cinema é um tema muito querido, até temos um Skywalker para a secção de ficção científica.
Presente 🙂
Mas não só para a ficção científica. Também comentei este aqui há dias – se bem que talvez esticasse a classificação para as 4,5 por causa dos desempenhos, sobretudo do Christoph Waltz. A expressão dele após o incidente do telemóvel merece um prémio!
Certíssimo. E o Cristoph Waltz é a principal razão para eu não poder perder o filme.
o polanski está proibido de entrar nos eua? devido a sexo consentido com uma menor?
as voltas que o mundo dá.
ainda no ano passado os eua (de onde ele fugiu) estavam ansiosos que o polanski lá regressasse para ser julgado, em los angeles, por sexo ilegal com uma menor (proibido na califórnia: dá para acreditar?).
mas isso foi o ano passado.
Caro Carlos Cunha
A menor que tinha então quase 14 anos já esclareceu em que condições a “coisa” se passou e que houve consentimento da sua parte.
Isso não altera a outra faceta: a ninfeta era menor. E mesmo que se tenham passado trinta anos sobre o assunto e a idade da iniciação sexual ande hoje pelos 14 anos – lá até é capaz de ser mais cedo – as leis de lá são para cumprir.
Há uma certa bizarria em tudo isto, porque se ele tivesse 16 e ela 14, como era?!
o caso foi o que foi e está como está.
o que é absurdo é que se misture o polanski realizador com o polanski “cidadão comum”.
tal como diz no seu post, há quem tenha deixado de apreciar os FILMES do REALIZADOR polanski depois do tal caso, e há quem DESCULPE o SENHOR polanski de tudo e mais alguma coisa porque gosta dos FILMES do REALIZADOR polanski.
a HSC bem que poderia ter falado só no filme e no REALIZADOR, mas não resistiu a falar no senhor polanski, tomando posição neste caso em particular.
e o que é um facto é que o polanski tem abertas as portas dos eua.
ele é que parece que não tem muita vontade de lá ir, nem mesmo para encerrar o caso, pois, nesta altura dos acontecimentos, não é garantido se seja condenado
Caro Carlos Cunha
Concordo consigo que há o realizador e há o homem.
Mas tem de convir que é muito difícil separar completamente um autor da sua obra. E até da sua vida. Porque é esta que marca a forma como vemos o mundo.
Aliás, o realizador quando trabalha sobre um guião que ele não escreveu, interpreta-o. E ao interpreta-lo, exprime o que pensa e o que sente, e conduz os actores nesse sentido.
Acha que este último filme não tem nada a ver com a “maldade” das crianças, que tendo ensarilhado a vida dos pais, acabam na maior confraternização?
Na imagem final Polansky podia ter-se ficado pelo hamster. Mas não. Mostrou os adolescentes em amena conversa. Porquê? Possivelmente para mostrar algo sobre a forma como os adolescentes reagem às suas próprias histórias.
Aqui tem porque é que eu julgo que, neste filme, os acontecimentos de há 30 anos e a posição recente dos EUA tiveram alguma importância.
É que nesta película eu encontrei “uma certa maneira” de ver os adolescentes.
Mas é uma visão pessoal. Não tenho ideias feitas sobre quase nada e muito menos sobre o modo como uma história destas pode ter marcado os seus protagonistas. Nem como a morte brutal da primeira mulher o terá eventualmente afectado.
Caro Carlos Cunha
Acrescento que o filme me fez lembrar alguns de Woody Allen.
E, curiosamente, também este realizador, casou com a filha adoptiva da mulher. Mas Woody, ao contrário, pode entrar e sair quando quer da América.
Mundo bizarro, este.
Bem-vinda, Helena. O cinema é sempre uma boa entrada.
Esperemos que também seja uma “boa saída” para quem começa estas lides colectivas…
Gostei de ver o filme, mas, sinceramente, acho que este argumento, curto, num único cenário, com quatro atores, só diálogo, deveria ficar mesmo como peça de teatro. Basicamente o Polanski só nos dá os seus enquadramentos.
Acho que o cinema exige um argumento minimamente complexo e interessantes para ser rodado em vários cenários, com algum dinamismo. Há muitos bons filmes, com bom diálogo e atores que se destacam, não é necessário fazer um filme destes.
Ao lado de um O escritor fantasma, O pianista, A semente do diabo, este filme passa mesmo despercebido. E prefiro Foster em Silêncio dos inocentes, Kate Winslet em O despertar da mente, Christoph Waltz em Sacanas sem lei.
Caro Leitor
Aos filmes que referiu eu daria a nota de excelente. Levariam seis estrelas se as houvesse.
Concordo que é uma obra de teatro em cinema. E lembrou-me o Woody Allen dos velhos tempos.
Tenho imensa curiosidade em ver o filme especialmente por causa do Christoph Waltz. O water for Elephants foi uma desilusão espero que aqui esteja melhor. Gostei do comentário.
Também gostei do filme. E, voltando à questão levantada nos primeiros comentários, pareceu-me, sem forçar muito, que Polanski, ironicamente, pode ter querido fazer corresponder à casa dos Longstreet um país onde os adultos debatem, sem conseguir concluir ajuizadamente, assuntos que os menores sabiamente resolvem. 🙂
Fui vê-lo hoje e foi dos melhores filmes que vi ultimamente. Magníficas interpretações para um grande texto. Fiquei com pena de não ter visto aquilo num palco, é teatro puro.