Leio aqui no Expresso qualquer coisa que envolve «o contato direto com especialistas». Alguém sabe dizer-me por que raio de razão caiu o c de “contacto”? Na mesma notícia, logo abaixo, são referidas «várias actividades». Acham que o c de “contacto” foi parar às “atividades”?
É apenas mais um caso menor do desacordo ortográfico. Certo jornalismo corre cheio de pressa atrás da moda, quando nem chegou a saber escrever direito antes do desacordo. Resultado: burrice estampada.

Começam por transformar contactos em ‘contatos’ e acabam por transformar factos em ‘fatos’. É um curto passo.
Não é um curto passo, Pedro. É simplesmente um novo paradigma que está em cima da mesa, atirado por uma janela de oportunidade. Ou talvez por uma janela de imbecilidade… 🙂
Imbecilidade, é o termo exacto. Perdão, ‘exato’. Para rimar com pato.
Por isso num só blog utilizo o acordo, para treinar e corrigir eventuais incertezas ortográficas e em tudo o resto mantenho a versão pré-acordo, quando estiver mais seguro, posso então escrever no português oficial de Portugal independentemente de estar de acordo ou não com a reforma ortográfica.
No mínimo, é um princípio aceitável, o seu.
Faz muito bem. O respeitinho é muito bonito. Fossem todos como o Sr. Faria e o país era outra coisa. O Sr. Faria sabe que anda para aí uma maladrangem que diz que o Acordo não vale nada e que foi feito contra os pareceres das entidades oficiais portuguesas? E que uma petição com mais de 200 000 assinaturas nunca foi sequer discutida no plenário do parlamentos certamente por não ser questão importante, segundo o dr. Gama?
Pois é Senhor Faria, isto é uma gentalha. Vá treinando Senhor Faria que pode vir a ter o português que merece.
Quando eu era miúda existiam na casa da minha avó uns livros em que o f se lia s, igreja era egreja, o ph se lia f. Eu ainda não tinha 10 anos e cismava com aquela escrita que não conseguia decifrar. Esses livros desapareceram num incêndio, em 1961.
Agora, com este (des)acordo ortográfico, não consigo decifrar qualquer regra gramatical que me ajude.
No canal 1 da RTP, apressaram-se a legendar segundo o novo acordo.
Não consigo entender; Egipto é Egito e porque é que Bahreim não é Bareim?
Só tenho uma resposta…. escrevam como bem entederem, é tudo à vontade do freguês ou será do fregues?
O facto (ou o fato) é que o desacordo ortográfico não nasceu de linguistas, mas de políticos. E, sobre estes, temos dito, não é verdade?
A Virgínia lança aqui uma excelente questão, a que vale a pena regressar. A mesma RTP que decidiu ser pioneira na supressão das consoantes ‘mudas’, à brasileira, escreve Benghazi, por exemplo, quando aquele H não está ali a fazer rigorosamente nada.
O problema é não haver sombra de critério num canal que tem particulares responsabilidades de ‘serviço público’ e hoje deseduca em vez de educar.
João, eu já nem ligo a estas parvoíces, até porque não sigo o acordo, nem nos meus livros, nem nas publicações da empresa. E não me estou a ver a mudar, não porque fique agarrado ao português que temos (que vai naturalmente evoluindo), mas porque o acordo tem montes de coisas simplesmente erradas, sendo que algumas tocam a idiotice. No futuro, se alguma vez for obrigatório seguir o acordo e puserem polícias a multar quem não o fizer, o que poderá deixar-me consuso é se teremos de escever snooker ou sinuca e outras coisas do género.
Uma nota: uma vez estive num debate na Casa Fernando Pessoa, exactamente sobre o acordo. Estava lá o professor Malaca Casteleiro a defender o que me parecia indefensável. Falou, falou, falou, chegou mesmo a ser mal educado, mas a certa altura calou-se. Ia para dar uns exemplos já nem me lembro de quê e disse «como sejam», antes de dar os exemplos. Vasco Graça Moura, que também estava no debate, interrompeu-o, interrogando-se várias vezes sobre o «como sejam». O professor estava envergonhadíssimo. E parou por aí. Não cheguei a perceber se no acordo está previsto que se diga «como sejam». A julgar pelo que vou vendo, não me admirava nada.
Isto já lá não vai com tacto, é o que te digo.
O João Carvalho não percebe na da de português. Então, não se está mesmo a ver que o “c” de actividades veio do contacto “direto” com especialistas?…