O debate em Lisboa.


Luís Menezes Leitão,

Assisti ontem ao debate na TVI24 entre (alguns) candidatos à Câmara Municipal de Lisboa. Achei o debate muito fraco e foi uma grande desilusão que as candidatas do centro-direita não tenham sido capazes de contraditar Medina, quando ele insistiu que vai continuar a cobrar aos lisboetas uma taxa inconstitucional, que os outros municípios estão a abolir, com argumentos completamente estapafúrdios, como o facto de os bombeiros concordarem com a taxa. Dos dois debates que já vi deu para perceber que Medina é um péssimo presidente da Câmara que herdou, vindo para os debates apenas dizer generalidades, e que Assunção Cristas está muitos pontos acima de Teresa Leal Coelho. Mas seguramente que o candidato mais bem preparado é João Ferreira, do PCP. Demonstra um profundo conhecimento dos dossiers e tem sempre uma argumentação consistente perante os outros candidatos, levando a que até Teresa Leal Coelho vá muitas vezes atrás do que ele diz. Foi o único capaz de dizer a Medina uma coisa óbvia, a de que não se admite uma Câmara cobrar taxas para prestar socorro à população. Os partidos do centro-direita deveriam por isso pôr os olhos no PCP no que respeita à preparação de candidaturas autárquicas. Graças apenas à boa preparação dos seus candidatos, um partido com uma ideologia totalmente ultrapassada consegue continuar a ser uma força política em Portugal.

5 comentários em “O debate em Lisboa.”

  1. O facto descrito no texto é mais uma prova da fraqueza do regime.
    Os eleitores estão nos partidos como no futebol.
    A clubite está acima de tudo.
    O mérito e a competência não contam para nada.
    Uma verdadeira inversão dos valores.
    Pior: uma verdadeira perversão dos valores.
    Assim não vamos lá!
    João de Brito

  2. Pedro, obrigado pelo resumo. Infelizmente não consegui assistir ao debate pois tive visitas em casa e como imagina os copos de tinto são como as cerejas e no final até me enganei a fazer uma transferência bancária. Com esta brincadeira fiquei quase descoberto. Mas já corrigi a situação.
    Quanto ao Miguel Tiago, ou ao João Roberto ( estou com uma branca….) do Partido Operariado Português é natural que seja ele o mais bem preparado. Esses revolucionários acreditam ainda na virtude da política e na força da idéia. Os outros andam a reboque do eleitorado canino do PS, CDS/PSD que vota sempre no partido independentemente da qualidade do candidato …..São partidos pós ideológicos com retóricas de pós verdade…

  3. LML. Como lisboeta de longíssima data concordo com este seu post.

    Medina, percebe-se, não manda nada, nem terá alguma vez capacidade para tal. Entre taxas, outros negócios interrompidos, ciclovias anedóticas … é um juguete de outrem.
    Mas a Leal Coelho consegue ser pior que isso.
    Ou afirmar que é mais barato ir de carro, do que de metro, a qualquer local em Lisboa !!! A voluntariosa Cristas surge obviamente um tanto ou canto imberbe …
    Anda tudo à procura de mâmâ ?.

  4. O PCP não tem ideias nenhumas — toda a sua campanha é feita de ataques e chamar “PSD” e “de direita” às pessoas e sentenças moralistas de “bem” e de “mal”. Nada construtivo. O PCP vale 10% (se calhar nem 5% da população se toda a gente votasse), dificilmente me assalta como “força” política. Não fosse a simpatia jornalística, a infinita estatização dos serviços já naturalmente indolentes, os refrões marxistas da política em geral e das causas e os sindicatos que afundam o país em atavismos dos anos 60, já teria provavelmente desaparecido. Do Bloco só vale a pena falar, só à castanhada. E tomem lá uma perna de frango:

  5. não se admite uma Câmara cobrar taxas para prestar socorro à população

    Baaahhh… Já se sabe que para o PCP uma data de coisas devem ser serviços gratuitamente oferecidos pelo Estado à população. A proteção civil e muitos outros serviços. Os transportes públicos também deveriam ser (tendencialmente) gratuitos, de acordo com o PCP.

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