O contador de fábulas.


Luís Menezes Leitão,

 

Miguel Macedo já fez o favor de nos esclarecer sobre o que queria dizer com o seu discurso sobre cigarras e formigas. Tratava-se afinal de uma homenagem “aos trabalhadores por conta de outrem e aos pequenos e médios empresários, comerciantes e agricultores, que, pelo trabalho de formiga que todos os dias fazem, criam riqueza, mantêm empregos e criam postos de trabalho em Portugal“. As cigarras desapareceram assim rapidamente da história, não fosse alguém identificar algumas no Governo. Agora Miguel Macedo limita-se a prometer que “em fase das dificuldades em que estamos – mas também porque é uma evidente necessidade do país – nós temos, em homenagem ao trabalho desses muitos portugueses, que fazer reformas que ajudem o país a criar bases sustentáveis de crescimento e enriquecimento futuro”. Mas, face a esta declaração, os portugueses podem perguntar, como a formiga da fábula, porque é que essas reformas ainda não foram feitas. Na verdade, o Governo, que falhou clamorosamente o défice para este ano, não fez uma única reforma do Estado e parece obcecado é em tributar tudo o que mexe. Em Portugal, a fábula da cigarra e da formiga acaba com a cigarra a lançar impostos sobre a formiga.


Confesso que quando ouvi esta homenagem de Miguel Macedo aos trabalhadores, empresários, agricultores e comerciantes deste país, só me lembrou foi outra fábula: a da raposa que se põe a gabar as lindas penas do corvo, na esperança de que ele deixe cair o queijo.

6 comentários em “O contador de fábulas.”

  1. aos pequenos e médios empresários

    Mas não aos micro-empresários, tão queridos do PCP.

    E, já agora, também não aos grandes empresários, esses repugnantes exploradores.

  2. Tenho uma visão economicista muito simples, muito descomplicada: Tudo e todos os que pelo seu trabalho não geram valor acrescentado a um produto, não transformam nem criam são CIGARRAS ou idosos.
    Simples também é o que entendo por cigarra humana: artistas, burocratas, proxenetas e agiotas, enfim, a nata…
    É desta praga de cigarras que o Sr. Macedo não quis falar, deve estar com problemas de identidade, mas para já não esta mal ele comparar o país à fabula, é no mínimo um sinal de que as cigarras então conscientes de que vão passar fome. Até na outra fabula que você faz referencia, o corvo já não esta para vaidades, antes preto feio e com queijo do que belo e formoso faminto.

  3. É caricata, confrangedora, dramática, cómica, (não acrescento epítetos mais para não ser -ainda mais- enfadonho) a quantidade de vezes que os políticos sentem a necessidade de explicar o que querem/queriam dizer!
    Isto sem contar com os respectivos papagaios que, também eles, acorrem a defender “a sua dama” explicando e esclarecendo (??) o que o amo afirmou, explicou e/ou esclareceu. (??)
    Será o El Rei D. Juan Carlos (por uma vez) é que tem razão ao mandá-los calar?

    Cumprimentos.

  4. Nem mais, por serem formigas é que o PSD e o Governo de Miguel Macedo passam a vida a atacá-los com mais e mais impostos.
    E uma menção deve ser feita à polícia que em vez de combater crime está preocupada com aquela coisa iníqua salazarista chamada de guia de transporte para atingir quem faz alguma coisa em Portugal.

    Na verdade Miguel Macedo está triste que não hajam mais formigas para sugar pois quando o PSD vai para o Governo é para aumentar impostos. Tal como a Esquerda.

  5. Para quem canta por cantar pouco mais se pediria. Mas quem canta para sentir e para explicar e para ser, pensem só quanto haveria ainda por dizer. (in Pedro Barroso – Viva quem canta).

    Mas eu quero continuar a musiquita. Tá visto qu´o home queria “dezer” que quem cria pobreza neste país é o desgoverno, do qual ele faz parte. Não fossem esses gajitos cantadores, os trabalhadores e etc. e tal, os desempregados, que o são para que outros finjam ser, os pensionistas, que o são para que outros também possam ser, e eu queria ver aonde pararia a fábula.

    Em resumo, o Miguelito é mesmo um fabuloso.

    Viva quem canta!

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