«A opinião pública, tal como o nome indica, revela o país que somos, é o mero reflexo da sociedade que a produz.
Se esta pobreza de opinião existe (e creio que ninguém dúvida disso) só mostra o nosso fraco desenvolvimento nas suas várias vertentes, sejam elas sociais, culturais, políticas ou económicas. Em Portugal a discussão pública é polarizada, ou és comigo ou contra mim, ou se ama ou se odeia, não há zonas cinzentas onde surja uma discussão imparcial e enquanto não houver um esforço, de todos, em inverter esta situação podemos ter a certeza que o nível continuará a baixar, para prejuízo de toda a nação.»
Do nosso leitor André Miguel. A propósito deste texto do Pedro Adão e Silva.

Pluralismo de opinião não falta. Espere só até a SIC ser comprada pelos bancos (o pequeno capital, arqui-inimigo do grande capital) que estão por detrás do BE e do PCP e verá aflorar um mundo de “politólogos” de esquerda a povoar os ecrãs. Não engravatados só para marcar posição discutindo sobre se devemos seguir o exemplo da Argentina e assumir o default, se devemos sair do euro, se os piigs se juntam e exigem uma europa diferente. Esse tipo de debate não passa e todos sabemos porquê não sabemos? Pois claro, vivemos num país plural a dar com um pau, mas a voz é dada aos suspeitos do costume (isso mesmo, o mais radical que passa é o suspeito do costume, chamado daniel oliveira, essa coisa que até dentro do ps passaria despercebida).
Pedro Correia, feita esta remissão ao artigo do PAS só assim cheguei ao que ele escreveu, como se não conhecessemos o estilo e a barricada que PAS assumiu em defesa do socratismo instalado.
Balelas, portanto, atendendo ao emissor e, pior, ao fulcro da questão fulanizado no PM.
Mas concordo que:
“Muitas vezes me tenho interrogado também sobre o modo como colunistas sem qualidade se vão perpetuando anos a fio – décadas a fio – na imprensa portuguesa, como se não estivessem sujeitos ao escrutínio críticos de leitores e responsáveis editoriais. Espanta-me sobretudo, e para usar uma expressão tua, a sobrevivência de colunistas cujo brilhantismo estilístico serve apenas para «esconder a preguiça intelectual».
O PC concorda, eu concordo, o PAS concorda.
Falta a explicação: porquê assim?
Não são editores, directores e tutti quanti que devem avaliar os colunistas a quem pagam, amiúde, principescamente?
Ou se revêem no autor, no seu escrito, ou nem sabem avaliar ambos.
Passa-se o mesmo com a feitura de notícias, o silenciamento de notícias de outros OCS que não são exploradas, o alinhamento editorial, helàs, em que se enquadrará a inserção de colunistas, obviamente.
É uma pescadinha de rabo na boca? Não tem de ser.
É, sim, o reflexo da falta de qualidade em geral. O “atraso cultural” começa nas Redacções? Pois, haja quem o assume, para mais quando gente qualificada, com memória e tarimba deixou as Redacções com listas de saídas, seguramente a maioria impostas, voilá, feitas por editores e directores.
Só em casos muito raros na Imprensa portuguesa sai um editor ou um director. Amiúde nem tem a ver com critérios editoriais… apenas coisas administrativas ou fricções com os CA, para mais observando a concentração de meios em dois ou três grupos.
É fácil apontar onde está o mal. Perpetuado o imobilismo nas Redacções, endurece o tronco de quem selecciona colunistas ad eternum.
E não se conhecem outras versões. Nem em rádio, tv ou jornais. Nem querem abrir a janela. Logo, a culpa morre no local onde nasce.
Com um risco não negligenciável mas que aqui não foi aludido: a banalização e, claro, o descrédito em muitos casos. Tantos que até chateia.
Zé Luís: tem muita razão em muito do que aqui escreve. Parece-me que isso é um mérito suplementar do texto do Pedro Adão e Silva. Basta ter suscitado este debate para se perceber como a reflexão dele é importante, tenha ele a posição política que tiver.
Também lhe dou esse mérito e se, de raspão, aludi à sua preferência política, que me é indiferente ser genuína ou oportunista, foi só, precisamente, para referir que o socratismo agudizou ainda mais a situação que se pretende denunciar e, porventura, o PAS é um beneficiário do sistema. Acredito, piamente, que tão cedo ficará eternamente por lá…
E, repito, a parte que ambos sublinhámos do PAS é sacramental para enquadrar toda a situação que a todos aborrece.