«Meu caro Luís M. Jorge:
Presumo que seja bastante mais novo que eu (67) e que até não tenha feito o serviço militar. Nesta última hipótese gostaria de lhe dizer qual era a atitude de um comandante perante um problema grave e consequente decisão.
As hipóteses de decisão eram sempre três: a boa, a má e a que não lembrava ao “carago” sendo que esta última palavra era pronunciada em vernáculo puro como calcula. Quando tínhamos um comandante cretino (e havia alguns) esta terceira hipótese era a esperada.
Os outros que decidiam pela duas outras hipóteses racionais não se tinham esquecido desde os bancos da Academia Militar que qualquer decisão de comando obedecia inexoravelmente a quatros conceitos básicos, articulados e que deviam ser integrados por uma mente escorreita. Eram eles: previsão, planeamento, execução e controle.
Ora PPC [Pedro Passos Coelho] tinha três hipóteses para actuar face a esta crise:
1º – Adoptar a atitude que aliás já tinha ensaiado no orçamento, deixando paulatinamente Sócrates exaurir-se no esforço de cumprir os desideratos impostos pela Alemanha-França… seria a boa solução para o PSD e para o País… acção típica de um comandante brilhante com nervos de aço e mente forte e com carisma suficiente para aguentar as tropas alinhadas;
2º – Preparar a rejeição do orçamento de 2011 ou 2012 consoante as vantagens tácticas de momento. Seria ainda assim uma solução má, mas admissível pela sua racionalidade intrínseca e pela conformidade com as normas básicas de actuação política. Acção típica de um comandante burocrata, carreirista mas convicto;
3º – Derrubar o governo de forma perversa, mas aceitando a saída de Sócrates como resultado de intenção não declarada do PSD de fazer uma aliança circunstancial mas contranatura com forças sem qualquer utilidade táctica futura, interromper um processo vital de negociação na Europa desprotegendo inexoravelmente todo o colectivo nacional, desarmando o governo para enfrentar um período conturbado de crise financeira, não dizer nada de substancial sobre as soluções alternativas para as premências do presente e muito menos sobre as soluções futuras. É típico da actuação de um comandante sem estofo, sem capacidade de exercer a acção de comando e de vistas curtas…
Este tipo de actuação levou no campo militar a desastres célebres que me dispenso de referir… no campo político, como desde o meu tirocínio no Conselho da Revolução, PREC, Grupo dos Nove e junto de Ramalho Eanes percebi que o tempo está para os políticos como o terreno está para os militares, só posso ter uma leitura e considerar PPC um soldado básico, adolescente e inconsciente…»


Ainda é bom haver comentadores…
Claro que é.
Um comentário sensato. Mas, como Sousa e Castro deve saber (temos idades próximas e aprendemos o mesmo), pouco aplicável ao caso em apreço, porquanto dispensa um dado importante: Sócrates já devia ter saído de cena há muito e quanto mais tempo lhe fosse permitido arrastar-se mais nós e o País estaríamos a arrastar-nos a caminho do precipício.
Assim, Passos Coelho poderá até ter todos os defeitos, mas (até ver) só fez tarde o que alguém já devia ter feito muito mais cedo: parar Sócrates e pô-lo a andar. Certo?
O comentador tem um estranho conceito sobre operações militares.
Para começar faz os paralelismo todos errados.
Não se apercebeu para começar que o exército é o mesmo e chama-se Portugal.
Depois favorece a continua degradação do País a favor da carreira do general. Ficamos a saber que tem tanta confiança nas suas capacidades que nem assim consegue enfrentar um outro general com uma lista infindável de derrotas e demonstração de incompetência.
Ou seja um pobre diabo que vai fugir ao primeiro tiro.
Yes.