"Houve muitos resultados surpreendentes nestas eleições autárquicas. Gostei de ver alguns, e de outros nem por isso.
– PSD perdeu a Trofa para o PS. O concelho com mais militantes do PSD, tem de ser mesmo muito mal gerido para virar PS. Terá sido isso juntamente com outras “coisas” que fez o PSD perder e deixar muita gente em “choque”.
– PSD perdeu a Figueira da Foz para o PS. Desde Santana Lopes que a Figueira era laranja, e assim continuaria se não houvesse tanta gente a querer servir-se do poder. As lutas dentro do PSD ao longo dos últimos 4 anos fizeram com que o fraco candidato do PS vencesse sem esforço.
– Rui Rio reforça no Porto. Desde 2001 digo que Rui Rio é o melhor autarca do país, e há mais tempo que afirmo ser este o melhor político português. Muitos me contradisseram e duvidaram do que dizia. A prova de que é verdade é este resultado histórico.
– Santana Lopes perde para Costa em Lisboa. Sinceramente pensei que Santana pudesse ganhar, ou pelo menos empatar. Mas realmente o povo português nunca foi muito de arriscar. Prefere o seguro ao imprevisível. Caso para dizer: quem não arrisca não petisca. Mas enfim, somos muito comodistas, principalmente os Lisboetas.
– Fátima perde em Felgueiras, Avelino perde no Marco de Canavezes, Valentim e Isaltino perdem maiorias. É este tipo de resultados que me dão uma réstia de esperança em relação à mudança de mentalidades neste país. Era de facto incrível como gente manifestamente desaconselhável continuava a dominar nas suas cidades."
Do nosso leitor Luís Melo. A propósito deste texto do J. M. Coutinho Ribeiro.


Qual é o risco que Santana envolve? Não é risco nenhum; é certo que ele só fará merda, pois foi merda que fez na Figueira e foi merda que fez em Lisboa. Aquele é um homem de resultados garantidos!
Bom retrato 🙂 Mas também há outras coisas muito interessantes. Faltaria, por exemplo, acrescentar Coimbra, para dizer que o PSD, pela mão de Carlos Encarnação, manteve a sua maioria absoluta no executivo, apesar da tentativa feroz de desvio de votos para a lista de um ex membro da sua equipa. Este ‘artista português’ foi chutado em boa hora da equipa anterior por ter tentado converter a CMC, mais uma vez, num nojento mercado de interesses económicos, completamente ao arrepio do interesse colectivo e de uma visão esclarecida sobre a cidade.
O caso vale pela derrota estrondosa da política de ódio e de ressabiamento pessoal, baseada na ideia de que o povo se compra com promessas de favores e de lugares, e de que a obra autárquica é feita de coisas para inglês ver: betão, ‘modernices’ bacocas e de mau gosto, choque tecnológico da estirpe magalhães e muito, muito lucro pessoal por debaixo da mesa.
Só que ainda roubou uns bons milhares de votos vindos daqueles a quem deve ter prometido mais do que um emprego para o filho…
Também tenho uma péssima opinião sobre o que se tem passado em Coimbra. E não é de agora.
Um excelente comentário do Luís Melo, que já na altura me tinha chamado a atenção.
“o povo português nunca foi muito de arriscar. Prefere o seguro ao imprevisível. Caso para dizer: quem não arrisca não petisca.”
Grandes, tristes verdades.
´Discordo completamente da análise que faz sobre Lisboa. Dizer que o povo português nunca foi muito de arriscar lá porque de Santana Lopes perdeu, é não perceber o óbvio. Os portugueses fartaram-se do Lopes, dos seus malabarismos para estar sempre sob as luzes da ribalta. Chega. E tanto assim é, que apesar da campanha sem brilho feita por Costa a malta cerrou fileiras e disse basta. Não perceber isto é não perceber o essencial. Dizer que se prefere o seguro ao imprevisível, neste caso não é verdade. Santana não significava o imprevisível , Santana era o previsível , previsivelmente iria fazer tudo aquilo que os lisboetas rejeitam. Ponto. Por muito que custe ao Luís Melo.
Concordo há muito com o facto de que ele ultrapassou o velho Princípio de Peter Santana Lopes…
Só agora reparo que o Perplexo, no primeiro comentário, diz e bem em três linhas aquilo que eu me esforcei por dizer sem a mesma eficácia.
Ah,já percebi…
Trofa, Figueira e tal, demérito de uns
Porto,RR é o maior.
Bem, os lisboetas são comodistas, realmente… é típico.
como diz Ariel mais acima, Santana não é imprevisível pelo mero facto de que esteve mais tempo à frente da CML do que António Costa. No máximo poder-se-ia dizer que daquela cabeça saem coisas imprevisíveis, como aquela história do bebé na incubadora, que é espancado pelos irmãos, e etc.
Outra coisa com que não concordo é isto: “Desde 2001 digo que Rui Rio é o melhor autarca do país, e há mais tempo que afirmo ser este o melhor político português. Muitos me contradisseram e duvidaram do que dizia. A prova de que é verdade é este resultado histórico.”
Mas porque carga de água é que Rio surge como melhor autarca e político do país? Nalguns casos tem tido boas opções, noutros depende das opiniões (não gostei nada da granitoplanagem da Avenida dos Aliados, nem dos planos para o Palácio de Cristal, Bolhão e o Bom Sucesso), e noutras ainda não se percebe – diz que não dá dinheiro para a cultura, coisa que já levou à demissão de um vereador, mas concede amplas somas para as corridas bi-anuais de carros, para desespero de quem mora na circunvalação, além de que se dá mal com as críticas da imprensa. Quanto ao resultado, isso prova alguma coisa? Tenho de novo de me socorrer de Fernando Gomes, que sem coligações conseguiu 60% dos votos em 1993 (e perto disso em 97). Nem sempre as percentagens são directamente proporcionais À qualidade dos mandatos. É ver também as sucessivas maiorias de Avelino Ferreira Torres no Marco, como JM Coutinho Ribeiro poderá testemunhar.
Sbre a avenida dos Aliados, tem toda a razão. Mas creio que foi lançada antes dele e, ainda por cima, é do arquitecto ‘intocável’!
Sobre o Bolhão também ainda não percebi bem e tenho algumas reservas.