«Este é um caso que serve para demonstrar que os actuais governantes não assumem, nem assumirão, as responsabilidades pelo estado em que deixarão o país após quinze, ou dezasseis anos de governação. Quem se surpreender que se levante, que eu fico sentado.
Mas para além disso serve, ou devia servir, para avaliar as consequências de afastar dos lugares de decisão da administração pública quadros de topo que permanecem mesmo quando os governos mudam, ao invés de os preencher com boys, formalmente definidos como ‘cargos de confiança política’.
Em Itália, um país que transmite consistentemente sinais de que tem uma classe política de medíocre gabarito, consegu-se que os serviços prestados pelo estado não dependam directamente de tais senhores. Pode ver-se isso no ensino, na saúde, na administração pública, na justiça, etc.
Nesse cenário, e perante um caso como o que agora debatemos, poder-se-iam exigir responsabilidades formais, cíveis até, sobre quem não cumpriu o seu papel, ao invés de apenas exigir uma demissão política sem consequências além da mudança da fauna em questão.
Mais do pedir a cabeça do ministro [Rui Pereira], gostava de ouvir o PSD a manifestar-se sobre este assunto.»
Do nosso leitor Paulo Sousa. A propósito deste texto do Rui Rocha.

