O comentário da semana


Pedro Correia,

 

«Trespassa por todos os comentários o sentimento de desilusão de desencanto com os responsáveis políticos, tenham eles responsabilidades governativas ou estejam na oposição, mas acima de tudo é evidente o sentimento de impotência; que fazer? Culpam-se os politicos e a Democracia como sistema politico representativo, mas creio que existe uma omissão em todos os comentários. É que, a par de politicos irresponsáveis, insensíveis e incompetentes, pelo menos na óptica do desempenho de funções públicas e de dedicação à causa pública, temos também um corpo eleitoral incompetente, que decide o seu voto em função das mais variadas razões, a maioria nem as terá (pelas últimas sondagens verifica-se que muitos votam como que por inércia), e esse eleitorado é incapaz de pensar global, isto é, em termos de país.
Que fazer num quadro democrático? Pouco ou quase nada, pois a soberania reside no povo e este está acometido de indolência intelectual e de inércia eleitoral. Se por um lado o governo é o que é, as oposições são o que são, incapazes de se credibilizarem perante esse mesmo eleitorado de modo a poderem constituir uma alternativa. Está a abrir-se um espaço com o avolumar do desencanto e da angústia para o surgimento de organizações com base na sociedade civil, as quais nascem como necessidade de dar uma resposta política ao que os partidos já não conseguem dar. Os cidadãos têm de começar a organizar-se em movimentos de opinião à margem dos partidos, pois estes estão esgotados em si mesmos, nos seus interesses pessoais e enquanto grupo.»

 

Do nosso leitor António Vieira. A propósito deste texto do Rui Rocha.

3 comentários em “O comentário da semana”

  1. Parece-me mais o disparate da semana. Se o diagnóstico está correcto, o remédio está errado. O que é a Democracia sem a acção dos partidos? As tais organizações que dão uma “resposta política” chamam-se “partidos”. Pretendem-se então partidos novos? Ok, mas têm de convencer os eleitores que até agora votam nos “antigos”. Ou seja, é igual a renovar os partidos actuais. Tanto faz, mas a resposta passará sempre por partidos, a menos que se desista da Democracia e os tais “movimentos” queiram impor as suas posições sem se sujeitarem a votos.

  2. Plenamente de acordo com António Vieira. Há anos que nos queixamos de falta de cultura cívica dos portugueses, pois espero que a crise, ao acossá-los, os torne mais interventivos. A democracia precisa, cada vez mais, de uma sociedade civil forte, organizada em grupos de pressão capazes de levar os partidos políticos a sair da letargia e a corresponder às legitimas expectativas de quem lhes dá os votos.

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