«Discordo da atitude tomada por José Ramos Horta.
Em primeiro lugar, ocupa o cargo de Presidente da República e o seu estatuto não engloba, à semelhança de Portugal, qualquer pronunciamento sobre decisões que apenas incumbem ao Governo.
José Ramos Horta fez mal em tomar esta atitude perante altos dignitários dos PALOP e da China, deixando a ideia (já manifestada por alguns dos presentes no Forum Macau) de que Portugal é um “desgraçadinho” a necessitar de várias bengalas.
Ramos Horta fez mal em comprometer o primeiro-ministro José Sócrates deixando a mensagem de que Timor-Leste poderia ser um dos “salvadores” de Portugal, indirectamente “salvador” do actual Governo.
Não podemos esquecer que os portugueses continuam a despender milhões de euros anualmente para a reconstrução e estabilidade de Timor-Leste, sem contrapartidas e sem juros.
Ramos Horta fez mal porque não se pode anunciar ao mundo que se tem os cofres cheios quando os países doadores ainda participam no enchimento dos mesmos cofres.
Ramos Horta fez mal porque a legislação sobre as percentagens a retirar do Fundo do Petróleo do novel país asiático, ainda não foi alterada, o que cabe ao Conselho de Ministros timorense.
Ramos Horta fez mal porque o seu povo tem necessariamente de ficar surpreendido com tal anúncio, em face da sua situação sócio-económica ser de extrema pobreza. Penso que qualquer dinheiro a ser investido terá de ser primordialmente no bem-estar do povo timorense. As mesmas gentes que desde o dia da independência continuam a ouvir as mesmas promessas de melhores dias. Recordo que a electricidade, saneamento básico e fornecimento de água estão a níveis idênticos ao dos países do Terceiro Mundo.
Ramos Horta fez bem num aspecto: marcou o terreno político para as próximas eleições e enviou um recado importante para o interior do Governo, no sentido de que os gastos com as quantias astronómicas oriundas do Fundo do Petróleo têm de incluir também Portugal. Não esqueçamos que o pai de Ramos Horta era português e que a sua cultura está intimamente ligada à portuguesa.»
Do nosso leitor João Severino. A propósito deste texto de José Medeiros Ferreira.


Um comentário muito acertado, o do João, que é um conhecedor dos assuntos de Timor-Leste.
Aquele Ramos Horta que não conhece Liu Xiaobo, não é?
Só para confirmar.
Confirmo em absoluto. E mais: o mesmo que elogia os militares ditadores da Birmânia.
Agradeço com vénia esta distinção. Abraço, Pedro.
Nada que agradecer, João. Abraço.
Merecido destaque.
A propósito 10/11/portugal-marca-presenca-em-timor.h tml
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