O comentário da semana


Pedro Correia,

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«Ai os animais em casa: os gatos.

Foi ela quem o trouxe para casa, numa saída a dois para o campo (que tudo o indiciava) prometedora; quando ouviu, mais do que um miado, um débil gemido vindo lá de um buraco.

Um recém-nascido – vá-se lá saber porquê, abandonado pela mãe – que um monte de pulgas deixava ver de gatinho.

Cresceu e fez-se um gatarrão de oito quilos e meio. Nunca respeitou ninguém, nem a mim que tratava dele, mas respeitava a dona que nunca lhe mudou a areia. Essa sim! Para ela tudo, para mim e filhas, soberano desprezo e arranhões.

Nunca mais saiu dos pés dela quando ela se confinou ao leito, quase um ano. E quando ela saiu para não mais voltar, nunca se afastou da porta que se abrira para ela sair.

Morreu dois meses depois enrolado numa saia dela, a pesar menos de quilo e meio.

Ainda hoje, doze anos passados, rezo e choro por ambos.

Estou firmemente convencido que os animais também vão para o Céu. Porque se não, como compreender os sentimentos de amor e dedicação?»

 

Do nosso leitor O Cunhado do Acutilante. A propósito deste meu texto.

14 comentários em “O comentário da semana”

    1. O que mais me doía, era ver tanta tristeza silenciosa espelhada nos olhos de um simples animalzinho.
      Coisa horrível de se sentir. A minha e a dele, dor.
      Um abraço e desejos de uma Páscoa muito Feliz

  1. Tive um colega de estudos que tinha também um gato. O Homem andava sempre com o nariz infectado.
    Disse-lhe várias vezes ” Luís é perigoso teres um gato em casa com um bébé pequeno.
    Um dia aparece-me com o pulso direito com as garras do gato e meio choroso, disse, arranhou o meu bébé na cara e nas mãos!
    Também sei casos com cães amorosos.

    1. Caro Anónimo.
      Sem dados científicos que me sustentem, – e na grande maioria dos casos rejeito-os porque não se coadunam com o meu pensamento racional, – digo-lhe que os animais criados em casa de tenra idade, são aquilo que vêem os donos serem.
      Sem gritos nem violência a rodeá-los, nenhum é feroz nem agressivo.

  2. “Estou firmemente convencido que os animais também vão para o Céu.” O que fará de si, para muita gente – quase toda, talvez, certa da sua superioridade de “pessoa humana” – um herege, um blasfemo, apenas um indefensável piegas, coisa pior (religião e razão, ou o que delas fazemos, unem-se nesta questão na imbecilidade antropocêntrica).

    Fará de nós.

    Costa

    1. Eu sei, sempre soube desde os cinco anos de idade, – embora só mais tarde o compreendesse, – o que é o mundo.
      Mas nada, nunca nem ninguém abalou as minhas convicções e o que acredito esteja certo.
      E não me refiro a crença religiosa sobre recompensas celestiais para os bons e castigos severos para os maus, porque o meu entendimento sobre Deus, ou o que é denominado por Deus, vai muito para lá de uma presença sentada num trono, julgador das suas criaturas premiando os bons e castigando os maus.
      Mas mesmo muito para lá. É que nem ultrapassando o infinito tem comparação do que é o meu entendimento sobre Deus.
      Desejo-lhe uma Feliz Páscoa e a melhor saúde.

  3. Acutilante – mais cego é aquele que não quer ver

    Para as suas certezas sobre animais acrescento:
    Tenho um familiar que na semana do Natal de 2018, teve de operar 2 pequenas crianças. Uma tinha uma orelha rasgada por um pequeno cão. O outro tinha o nariz rasgado por um pequeno cão.
    Fará se fosse por esses vaidosos que têm cães perigosos.
    O cirurgião teve de aturar as inconsoladas mães que gritavam ” Maldito cão”

    1. Reitero. Os animais criados em casa são aquilo que os donos lhes ensinam, através dos seus comportamentos.
      Uma mãe que gritava: maldito cão.
      Quantas vezes já não lhe gritara, maldito cão.
      Ora os animais muito ao contrário de nós, humanos, sentem e aprendem com muito mais facilidade.
      Porque, e talvez se surpreenda, se na verdade somos mais inteligentes, eles são mais espertos.

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