«Eu que já sou um rapaz do século passado e ainda sou do tempo em que o liceu “só ia” até ao 7º ano, vou tentar fazer uma análise da situação.
É assim: os meninos estão cada vez mais ‘coitadinhos’ e os pais estão cada vez mais infantis. O jornalismo televisivo, esse então, coitado, está cada vez mais ignorante e balofo. As “notícias” já não são coisas novas, acontecimentos, mas sim as coisas mais triviais da vida que, ciclicamente, vão acontecendo ao longo de cada ano. O Natal começa a ser “notícia” em Setembro ou Outubro, o Carnaval começa a ser “novidade” em Janeiro, a Páscoa está em cartaz a partir de Fevereiro e, claro está, os exames também não podiam faltar à chamada e fazem correr rios de tinta e encher telejornais a partir de Maio e Junho. Tudo está já, pois, muito programadinho e eles já sabem agora quais vão ser as ‘notícias’ do próximo ano: – as mesmas ‘não-notícias’ de hoje e do ano passado. Resumindo, para se fazer um noticiário não são precisas notícias mas sim ‘coisas’ que «encham a almofada» de qualquer maneira.
Este casos das notícias sobre os exames, decorre directamente desta cultura do «eduquês» de que hoje tanto se fala e na qual, infelizmente, já estão completamente mergulhados a esmagadora maioria dos nossos alunos e uma grande parte dos seus professores, também eles já um produto dessa mesma ‘cultura’. Hoje em dia não é preciso saber as matérias, é preciso é andar para a frente, que assim é que se fazem as belas estatísticas sobre o aproveitamento escolar, de que os governos tanto gostam. Alguns dos manuais usados são completamente ridículos, mal estruturados, não sabem explicar devidamente as matérias que abordam e alguns até mais fazem parecer (maus) álbuns de BD do que propriamente livros escolares.
Os meninos não estudam, faltam às aulas, não respeitam os professores? Não há problema algum para estas “vítimas do sistema”. Bem ao contrário, até têm uma distinção pela sua excelente conduta e ainda recebem um prémio – passam do 8º para o 10º ano sem dizer ‘água vai’… ‘»
Do nosso leitor Luís Reis Figueira. A propósito deste texto do João Campos.


Muito bem.
Lembro-me de ter lido e ter apreciado.
Distinção merecida, penso.
Tivemos uma ideia semelhante
http://devaneiosaoriente.blogspot.com/20 10/06/vou-ali-do-8-ao-10-ano-num-pulinho.h tml
Cada um tem o ensino que merece. Eu tive pena de não poder ir para além de uma 4ª classe. Hoje os meninos vão até onde quiserem , como quiserem e ainda são apoiados. Lindo ! Qualquer dia precisamos de quem saiba alguma coisa e não há. O que vale é que não há regra sem excepção. Vivam as excepções.
Muito obrigado, Pedro, por mais este “mimo” com que teve a gentileza de me distinguir.
Um abraço.
Bem merecido, caro Luís. Um grande abraço.