«Um governo de maioria é mais responsabilizado politicamente pelo (in)sucesso governativo do que um minoritário. Se o resultado da governação não decorrer conforme o desejado pode ser usado “o bode expiatório” das exigências da oposição, ou culpar as “forças de bloqueio” pelo insucesso governativo. Quanto às cativações nos governos minoritários, são um instrumento orçamental frequente, apenas, se os parceiros de coligação/de negociação orçamental forem fracos, desleais com o seu eleitorado (daí o termo geringonça se encaixar que nem uma luva ao actual pacto parlamentar). A preocupação primeira do BE e do PCP, ao aprovarem sucessivos orçamentos “aldrabados/cativados” do PS, é a de manter afastado do Poder o PSD, e não a implementação, no orçamento, de politicas que traduzam as preocupações reais do seu eleitorado. Só assim se percebe que não mujam nem tussam com as frequentes cativações a que temos assistido, conducentes à degradação da administração pública, sector tão caro dos partidos de extrema esquerda. ( imaginemos, perante o actual caos nos serviços do Estado e a falta de investimento público, a gritaria, no Parlamento, da extrema esquerda não democrática, se no governo estivesse um partido de Direita democrática) . Em qualquer outra coligação, dita séria e não numa geringonça, a cativação recorrente seria um instrumento que poria em causa a aprovação de um orçamento negociado e por isso uma medida de excepção. Não se pode obviamente concluir que nas coligações as cativações possam ser um instumento para fazer aprovar um orçamento, bem pelo contrário. Ao fazerem-se cativações não se cumpre o acordado com os parceiros de coligação parlamentar.Hipócritas…..também eu me desvinculei no final do ano passado.»
Do nosso leitor Pedro Vorph. A propósito deste meu postal.

Epá, eu escrevi isto? Qualquer dia estou pior do que o jpt, ou do que o Costa.
Cada vez me convenço mais que a única solução para diminuirmos a corrupção em Portugal é reduzir significamente o tamanho do Estado. A função deste deve ser, unicamente, a de regulação e não a de intervenção, no Mercado, como agente económico…falta um partido liberal em Portugal, como fazia falta uma imprensa contracorrente e de qualidade como o Observador, do qual me tornei assinante. Obrigado Delito, pelo autêntico serviço público que por aqui prestam.
Já agora, porque não o Delito como jornal on line?
É aborrecido, não é? Isso da realidade acabar por se impor. E ela tem essa pior que reaccionária mania de sempre o fazer.
Não há socialismo científico, nem campos de reeducação, nem vanguardas revolucionárias e coisas afins que, com mais ou menos demora, o impeçam.
É a vida, Vorph. E essa do “pior do que”, tomo-a como um elogio.
Grato,
Costa
Uau! Passou do Krugman para o liberalismo numa semana.
Não lhe vou responder como me respondeu, até porque tem razão. E eu não tenho problemas em reconhecer isso.
Continuo a discordar de si quanto às causas da crise de 2008. Lehman Brothers, Enron faliram por gestão ruinosa, fraude, com a complacência de empresas de auditoria (Arthur Andersen), e agências de ratting (Moddys). A crise do subprime foi subsequente às manigâncias dos mercados financeiros, com os seus CDO (collateralized debt obligation). O culpado não foi o mexilhão. Aliás prometeu-se uma reforma do sistema financeiro que na altura foi classificado de imoral (ver filme Inside Job). Pergunto, o que foi feito desde então? Zero, excepto o aumento de impostos sobre o rendimento provindo do trabalho. A Finança continua no mesmo regabofe
Só não sei como partindo do crédito ao consumo português em 2018 concluiu que eu lhe atribuia a causa da crise de 2008. Ainda temos o crédito automóvel, o crédito à habitação, e o crédito às empresas. E volto a dizer: o elo mais fraco é o crédito ao consumo. E volto a dizer: é caso para debate atribuir a responsabilidade a quem pede ou a quem empresta. E volto a dizer: basta quebrar um elo para despoletar uma crise, as crises começam sempre com eventos menores. A arquitetura financeira para maximizar o lucro encarrega-se do resto. A bolha das criptomoedas só não deflagrou uma crise por pura sorte.
Se quer ser paternalista comigo não faça copy/paste de artigos em brasileiro. Explique em termos que qualquer leigo entenda o que é um CDO, um CFD, um ABS, um MBS, um CDS, ou qual é a diferença entre uma opção e um futuro. E não responda “explique você”. Explique só em termos simples o que é um CFD sem tirar da Wikipedia.
Quem cita Krugman numa semana e escreve um comentário como o desta semana está com um problema de identidade. Veja menos filmes.
De qualquer modo, concordo com o que escreveu desta vez – estado pequeno mas forte é a solução. O estado não precisa de ter hospitais para garantir o acesso à saúde, precisa de políticas que garantam o acesso à saúde. O estado não precisa de ter fábricas de pastilhas elásticas, precisa de ter políticas que garantam a saúde de quem as consome.
Vejo os cartazes do Bloco “Os hospitais públicos são para todos, os privados são só para alguns” e penso sempre “sim, para ELES”.
Se ainda não me percebeu eu repito: EU sou o mexilhão.
Abraço.
“Se quer ser paternalista comigo não faça copy/paste de artigos em brasileiro.”??
Só uma adenda. Inside Job não é um filme. É um documentário, que de tão incrivel, até parece ficção. Quantos aos derivados o que interessa é que havia instituições financeiras a venderem produtos financeiros a bancos comerciais/fundos de pensões, seus clientes, tendo o conhecimento de serem tais ” aplicações” ,lixo, violando o principio legal de Direito à informação da parte contratante/Boa fé. Inclusivamente foram criados produtos financeiros acoplados aos créditos de risco com rentabilidades superiores aos juros dos créditos, valorizando brutalmente por cada crédito incumprido, criando-se desta forma incentivos para que os créditos fossem concedidos (Goldman —-Banca Comercial) a quem tinha grandes probabilidades de os não poder pagar.
How much of that shitty deal did you sell to your clients?” Goldman Sachs Hearing
Excerto (em inglês) da audiência da Comissão do Senado a um executivo do Goldman Sachs
https://youtu.be/whlzFWwVv98
Já viu a quantidade de notícias que saíram recentemente sobre o crédito e o endividamento das famílias?
PS
Eu vi o Inside Job, e o Collapse (não perca esse), e o Margin Call, e o The Big Short, e acho que o que captura melhor o que aconteceu é o The Wolf of Wall Street, que nem sequer é sobre a crise mas sobre a loucura que paira no topo da finança.
Na altura fiz uma assinatura do Finantial Times (possivelmente o melhor jornal financeiro do mundo), e li quase todos os livros sobre a crise, e são muitos, e mais as obras básicas de Smith, Keynes, Hayek, etc. (que são, quanto a mim, demasiado abstractas). Por exemplo, já vi o Margin Call n vezes, e quanto mais entendo o que sucedeu mais informação retiro do filme.
Cruzando tudo consegue-se traçar uma linha ininterrupta entre a política de habitação da era Bush / Clinton, através da Fannie Mae e Freddie Mac, e o colapso europeu.
A crise foi chamada Crise do Subprime. Ora, voltando ao ponto da discórdia, crédito para perfume é Subprime. Os números que surgiram hoje, 20 de Fevereiro, dizem que as famílias estão a alocar 80% do rendimento para prestações quando o ideal eram 35%. Outros números recentes dizem que o crédito pessoal está em recordes de 15 anos. Outros dizem que o incumprimento de pagamentos de crédito também está em valores recorde. Não sou eu que escrevo as notícias. Eu só as interpreto como linhas vermelhas que estão a ser ultrapassadas. Outra vez.
Abraço António. Obrigado pelas dicas. Vou tentar ver o Margin Call…leio neste momento livros sobre tradding…talvez vá pôr algum, do que tenho em certificados, em acções
Fale com alguém em quem confie e que já tenha negociado em Bolsa, aprende mais do que nos livros. Aconselho negociar numa plataforma própria e não através de bancos, tem mais informação e mais ferramentas para se defender. E há algo que não deve esquecer: 82% dos investidores perde dinheiro na Bolsa. Boa sorte.
Não tenho pressa em ganhar. Pretendo ficar com as acções uns largos anos – só de empresas seguras (Procter and Gamble, Goldman Sachs, Fundos da Berkshire). Penso que a Tesla vai ser comprada e disparar….em 10 anos ganha mais na bolsa do que com depósitos a prazo
Olhe que não há empresas “seguras” e as empresas são uma coisa, as acções outra. E depende em que fase do mercado entra. Sem dúvida que escolheu acções das mais chatas do mercado, tirando a Tesla. Não deve ter grandes surpresas. O que não significa que não as tenha. Veja quais eram as empresas mais valiosas na década de 70, 80, 90, 00, e hoje. E boa sorte.
Veja as acções da Kraft Heinz Company – levaram um tombo, por causa de uma inspeção da Comissão de Valores. Excelente oportunidade para comprar…mas por enquanto divirto-me, apenas, em investimentos virtuais, numa aplicação de telemóvel, enquanto passeio o cão:))
https://www.marketwatch.com/story/k raft-heinz-loses-a-lot-of-cheese-as-earn ings-send-stock-plunging-toward-record-l ow-2019-02-21
Isto está a saque.COSTA nunca me enganou e o pior ainda virá. Basta olhar para o embrião das leis na forja arrendatárias. Socialismo imbecil.
O eleitorado em Portugal tem que aprender a votar.
Cativações e outras quiméricas idiológias só existem porque o eleitorado anda enganado e não sabe votar.
Ainda hoje andam por aí a passear cartases a “pedir” o cancelamento da portagens. Não vão a parte nenhuma.
Aprendam sim, a votar e a pôr os partidos na ordem. Até é muito simples.
– Todas a populações afectadas pelas portagens A25, A23, A22 … só têm que se mobilizar e fazer constar aos PSs, PSDs e Cia que votarão só num partido que se comprometa, a num espaço de 3 meses, acabar com as portagens. Os partidos fizeram maus acordos. Os partidos que os corrijam.
SCUTS são SCUTS.
Aprendam a votar!. A poder político está do lado de quem vota.
Pensem.