O comentário da semana


Pedro Correia,

«Sou emigrante (mas não em Londres) e digo-lhe que para regressar não necessitaria promessas de reformas milionárias. Bastava que o Estado me permitisse poupar para a minha reforma, ao invés de me esfolar em impostos para pagar regalias a incompetentes e alimentar clientelas. Bastava não atrapalhar e permitir investir a quem tem ideias, ao invés de o rotular como porco-capitalista que há que sugar em impostos, taxas e taxinhas. Bastava que o mérito existisse ao invés da cunha e do compadrio. É por isto que os melhores e mais capazes emigram e dificilmente equacionam o regresso. Não sei se é da água ou do ar que se respira pelo rectângulo, mas que o ambiente é irrespirável e pouco saudável, lá isso é…»

 

Do nosso leitor André Miguel. A propósito deste meu texto.

10 comentários em “O comentário da semana”

  1. Trabalhei e estudei em vários países da Europa e tentei mesmo instalar-me por conta própria uma vez. Hoje passo longos períodos fora do país e só não mudei de residência recentemente em virtude de problemas pessoais inesperados. Há quase 20 anos desfiz-me do que possuía aqui e paguei tantos impostos que jurei nunca mais investir neste país. Indo um pouco atrás:
    Ha cerca de 30 anos comecei a ouvir falar da alteração da gestão dos fundos do estado destinados às nossas reformas. ( tinha regressado de Londres pouco antes mas tinha vários anos trabalhados no estrangeiro para entidades portuguesas ). Do sistema de capitalização passava-se ao de distribuição. Conhecendo os sistemas e as economias de alguns paises da Europa logo entendi que não tínhamos nem teríamos economia para garantir um tal sistema. Percebi que o psd só podia ganhar eleições se prometesse isto já que a esquerda prometia muito mais. Estudei o assunto, falei com gente da política e, conclui não poder fazer nada porque eram osdeputados que decidiam e estes obedeciam as ordens dos grandes chefes. Fui estudar o modo de escolher os deputados e vi que eu não tinha qualquer poder sobre isso. Decidi nunca mais votar e ter o cuidado de assegurar a minha própria reforma, esquecendo o papel do estado.
    Vou terminar com uma frase ( + ou – )que me foi dita por um diplomata, grande senhor, em Roma há mais de 40 anos: «  sabe, em portugal, onde quer que vamos, nós somos alguém, aqui, há tanta gente mais conhecida e com muito mais poder do que nós, que não somos realmente ninguém ». Na minha opinião, e conforme observo, querem voltar os que cá se sentem alguém. Por mim, adoro que ninguém me conheça ou saiba quem sou. Por isso, talvez um dia destes vos escreva de um outro país qualquer.

  2. Enquanto o jornalismo marxista-fascista das RTP’s , SIC, TVI’s, Expressos, Publicos existir assim será Portugal. A tendência é para piorar. Para o complexo político-jornalista atacar tudo o que mexe.

    1. “Para o complexo político-jornalista atacar tudo o que mexe.” as vanguardas atacam mesmo antes que mexa. Logo, e por isso, ninguém se mexe!! E sim, a tendência é para piorar, de forma insana!! Basta ler a delegação do the guardian em portugal.

  3. A tónica, sobretudo, aqui “Bastava não atrapalhar e permitir investir a quem tem ideias, ao invés de o rotular como porco-capitalista que há que sugar em impostos, taxas e taxinhas.”.
    É o retorno, com soberba, da velha cultura jacobina. E que vem revitalizada, animada com novas canções e com a mesma insídia de sempre.
    Um bem haja,

  4. Conversa típica de alguns emigrantes, desejosos de denegrir Portugal e louvar as maravilhas do país para onde emigraram.

    1. Todos os países têm maravilhas para louvar e dificuldades para denegrir. Só que, segundo as circunstâncias de cada um, a vida pode ser mais fácil num que noutro.

  5. Não sabendo em que país, cidade se encontra o autor do comentário e o que faz (onde estudou) é difícil tentar estabelecer um qualquer raciocínio comparativo.
    Trata-se portanto eventualmente de um caso isolado daqueles muito comuns que dizem que lá fora é que é bom mas que na 1ª oportunidade voltam porque a vida dura 60 ou 70 anos (ou mais), todos temos certeza disso, logo temos de poupar para a reforma.

    WW

  6. As empresas a pagarem salários de merda, o salário mínimo a ser uma merda e este vem culpar os impostos! Eu cá preferia pagar impostos na Dinamarca ou na Noruega.

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