O comentário da semana


Pedro Correia,

«No meu tempo havia coisas boas e coisas más. Havia repressão e não havia liberdade, se bem que uma criança até aos 12 anos não abrange a noção do que é uma mordaça totalitária. Tem a sua rotina. Levanta-se, reza, toma o desjejum, pega na sacola preparada de véspera e abala para a escola. Para aprender. Para saber. Nunca tive professoras más, apenas exigentes e meticulosas. Apanhei algumas reguadas, mas sempre pensei que faziam parte do processo. Nunca me cairam as mãos. Acabei a quarta classe com uma bagagem de conhecimento muito superior ao que se ministra presentemente a nível de nono ano. Sei que é assim. Tive duas filhas na Universidade.
Sempre gostei de ajudar e aprender e pasmava como alguém poderia escrever tão mal a todos os níveis. Lembrei-me dos trabalhos de casa que trazia e não podia descurar, com os caderninhos de significados e os de duas linhas onde a professora escrevia palavras elegantemente desenhadas, que tínhamos de copiar até à perfeição.
As minhas filhas são doutoras. Deram erros ortográficos e gramaticais de bradar aos céus nas frequências, nas teses, sei lá. Alguns trabalhos pareciam até tratados de paleografia e nunca, mas nunca, algum professor se deu ao trabalho de as corrigir ou incentivar a melhorar. Universidades públicas, parideiras de doutores analfafetos… mais um paradoxo dos tempos modernos.»

 

Da nossa leitora Maria Dulce Fernandes. A propósito deste meu texto.

 

 

46 comentários em “O comentário da semana”

  1. No meu tempo transmontano. Uma sardinha para dois. comboios de latas de conserva atadas em fila, um carro de corda feito pelo avô com uma caixa de fósforos. Quem não soubesse a tabuada ia para a janela com orelhas de burro. Dessem-me a escolher para começar de novo e repetiria a moda antiga sem pensar duas vezes.

    1. Concordo. À moda antiga é que era! Isto agora é tudo uma cambada de analfabetos, pá! Está bem que os tarrafais e a PIDE e o camandro…mas todos se calavam ou participavam! Hoje é tudo uma cambada de líricos

      1. Tá bem, essa merda da pide pá, Tarrafais e o carágo, mas no fim de contas quem é que não colaborava, ah? Quantos bufos é que não havia nesta merda deste país, ah? Quem é que não se calava, quem é que arriscava coiro e cabelo? hem? Respeitinho, pois…

        Já nem falo de quando a malta, com dez aninhos acabados de fazer, sacava da fórmula resolvente do segundo grau (quando não era a do terceiro) e a espetava nas fuças da professora (antes que ela pegasse na régua), sim porque antes aquilo era tu cá tu lá com o Euclides, o quadrado dos catetos com a hipotenusa e o catano (na quarta classe, para escândalo de Pitágoras que não pregava olho não fosse um dos putos lembrar-se de meter dois catetos unitários na fórmula), era a interferência de ondas como quem esfrega um olho, e mais muito muito mais, mas a caixinha de comentários não dá para tudo.

      2. É verdade. Ainda criancinha, quando descobri que me enganavam com o Pai Natal sempre tenho remado contra a corrente. Desde então ser do contra é sina minha.

        1. Rão, nos intervalos deixe-se levar, ou pelo menos finja deixar-se levar, a bem do descanso dos braços e da saúde da cabeça. Abraço

  2. A senhora tem azar com as filhas. Nem todos os licenciados são analfabetos funcionais.
    Aprendi bastantes coisas na 4ª classe que não ensinaram aos meus filhos. Infelizmente não consegui compreender a importância de saber o nome dos caminhos de ferro de Angola, do ramal Torfa-a-Fafe e todos aqueles ditados populares do livro da 3ª classe.
    A maioria das pessoas que conheci e têm a minha idade, não acabaram o liceu e não conseguem ler e compreender um texto de uma página. Os outros foram Drs. e Engs., que era uma garantia de estatuto e sucesso. Alguns ainda lamentam haver agora tantos doutores que os fizeram perder estatuto.

    1. Gostava de lhe mostrar um documento hospitalar garatujado pelo médico da urgência por falta de sistema, Jo.
      Felizmente não tive azar com as filhas. Foram da geração do deixa andar. Pouco pude fazer pela CALIGRAFIA ( tema do texto em questão). A parte gramatical , que devia ter sido corrigida na escola, foi remendada por nós.
      Linhas férreas, rios, montanhas … o saber não ocupa lugar. Há matérias que são basilares para o futuro, outras que estudei porque tinha que ser. Pós 25, tive, porque me calhou em projecto trimestral, o Ulysses do James Joyce EM INGLÊS… que interessa tanto para a nossa cultura geral de uma miuda de 16 anos, mas tanto, como este saqipuinho de pevides que estou a comer agora.
      Também tive que ler das Kapital, mas isso agora não interessa nada, portque era e Time New Roman.
      Bom domingo

      1. A má caligrafia dos médicos não é de agora. Já ouviu a expressão “letra de médico”?

        Agora a sério, sem fazer batota e ir ver à internet tente dizer:
        As estações da Linha de Sintra
        As províncias naturais de Portugal
        Os 21 distritos que existiam na altura
        As ilhas dos Açores e de Cabo Verde
        Onde nascem e onde desaguam o Tejo, o Douro, o Guadiana, o Cávado e o Lima.
        Os afluentes da margem direita do Tejo.
        Os distritos de Moçambique e de Angola.
        (Uma reguada por cada falhanço).

        Notará que o que aprendeu e pensava que era muito importante foi quase tudo esquecido e não interessa a ninguém.

        Outras coisas foram aprendidas ou consolidadas mais tarde.

        O seu ótimo sistema de ensino deixou que 30% da população fosse analfabeta nos anos 70 e que as universidades, com raras exceções, em vez de fazerem investigação fabricarem doutores.

        1. Deturpe lá como quiser o que eu escrevi. É que há letra de médico e erros ortográficos de médico que , por exemplo escreve há sem h e úlcera com ele.
          E se quiser que lhe diga de caras 80% do que me perguntou e não serve para nada a não ser para saber que sei, digo-lhe e pode esperar sentado com as reguadas, que não fizeram falta na altura, mas agora deviam ser a dobrar.
          Quando nasci, era o que havia. Quando o Jo nasceu, não criaram um sistema educativo só para si, integrou-se. No que havia. Deixe-se de demagogias.
          Hoje não há analfabetos porque “coitadinhos, são criaturas de alma simples a quem não vale a pena ensinar”. Hoje ensinam-se todos, a grande maioria, mal, mas ensinam-se e muitos analfabetos são doutores. Tenho um colega engenheiro com licenciatura e duas pós graduações que não tem um pingo de cultura geral e escreve mau português e mal português. Admito que é excelente no trabalho dele, desde que as apresentações em Power point não tenham que ter escritos à mão.

          1. “E se quiser que lhe diga de caras 80% do que me perguntou e não serve para nada a não ser para saber que sei, digo-lhe e pode esperar sentado com as reguadas, que não fizeram falta na altura, mas agora deviam ser a dobrar.”

            O caso é que não sabe. É irrelevante que sirva para alguma coisa, porque o maravilhoso ensino que andou a meter-lhe isso nas mão à custa de reguadas, só conseguiu ensinar-lhe que as reguadas são precisas.

    2. Caro jo, é o comentário da semana — não é o raio de uma tese da academia das ciências pelo que não precisa de validação estatística. Além do mais o que descreve é verdade no essencial. A escola hoje em dia é uma cagada ideológica sem interesse nenhum — de tal modo que nem os alunos mostram grande interesse por aquilo. Para chegar a este ponto passou-se por muita desfaçatez e traição (por exemplo a introdução da PGA aos alunos que estavam no 12º e perderam as médias para uma prova que os prejudicou — a mim atirou-me para fora da corrida mas ao menos tive eu de pagar o meu curso e não pedi um tostão ao cabrão do Estado.) Um ensino instrumentalizado e organizado em torno das carreiras dos professores (que ganham dinheiro a mais comparando o pouco esforço que têm feito nos 4 dias por semana dos 9 meses de trabalho que têm por ano) e não para as necessidades de saber e conhecimentos técnicos que promovam a auto-aprendizagem e o empreendedorismo. Ou seja, uma bosta completa.

      1. Se não precisa de validação é verdade porque acreditamos nisso.
        Contra a Fé não há argumentos.
        Mas a minha fé pessoal é que anda muita gente triste porque a educação se democratizou.
        Saudades do tempo em que bastava a frequência da universidade para ser dr. Agora tem de se ser pelo menos leitor convidado numa universidade catita.
        Quanto ao “no meu tempo é que era bom e difícil” e “estes jovens de agora são uns ignorantes”, é uma constante desde que há mundo.

        1. Não é por se ter democratizado — é por se ter tornado facilitista, ser o veículo das ideologias que vão destruir a Europa em vez de estar centrada no conhecimento como lhe competia — e por se ter deixado instrumentalizar pelos comunas de Coimbra (todos riquinhos agora, curiosamente). Em suma, por não ser melhor.

  3. não é no ensino superior que se aprende a escrever.

    é no ensino superior que se certifica quem anda por lá para ser professor de crianças e jovens e muitas vezes nem de ler gosta.

    e, naturalmente, não era dantes que era bom.

    o problema é que com a democracia também se instalou a esperteza diplomada, uma área que tem sofrido espantosa evolução e apuro.

    temos trabalhado mal esta democracia; sugamos-lhe tudo em nome nem sabemos de quê, deixando responsabilidade pessoal, ética e vergonha na cara para quem quiser ser outsider.

  4. Queria ter deixado isto no teu post original, Pedro, mas entretanto foram surgindo outras coisas e esqueci-me de procurar o link. Enfim, aqui fica:

    https://www.theatlantic.com/technology/archive/2015/08/ballpoint-pens-object-lesson-history-handwriting/402205/

    Lembro-me de ter lido o artigo na altura em que foi publicado e de o ter achado muito interessante; nunca tinha pensado que algo como a introdução da esferográfica – objecto banalíssimo – pudesse ter um impacto tão grande na forma como escrevemos à mão. Fica a sugestão de leitura.

    Quanto ao tema do artigo: apesar de ainda ter aprendido na escola primária a escrever com letras redondas e interligadas, livrei-me delas logo que pude (tanto quanto sei nunca escrevi com canetas de tinta permanente) e fui adoptando ao longo dos anos várias formas de letra de forma, por assim dizer. Curiosamente, e mesmo tendo aprendido a escrever muito antes do que seria suposto, nunca consegui fixar uma caligrafia – a mesma frase escrita por mim hoje e daqui a uma semana irá ter diferenças evidentes em vários caracteres. Como é bom de ver, sou absolutamente incapaz manter uma assinatura estável ou de reproduzir com naturalidade o rabisco que passa por assinatura no meu cartão do cidadão, o que já deu origem a situações algo caricatas, e que faz com que, sempre que preciso de uma “assinatura igual à do documento de identificação”, me veja obrigado a ter de forjar uma assinatura que terá existido apenas durante meia dúzia de dias. Enfim, venha de lá a identificação digital, ou mais cedo ou mais tarde ainda me vejo em sarilhos.

    1. “Curiosamente, e mesmo tendo aprendido a escrever muito antes do que seria suposto, nunca consegui fixar uma caligrafia – a mesma frase escrita por mim hoje e daqui a uma semana irá ter diferenças evidentes em vários caracteres”

      Numa análise psicológica revela imaturidade, uma baixa autoconfiança, e diletância…

      Contudo, na caligrafia, sucede o mesmo comigo

      1. “Numa análise psicológica revela imaturidade, uma baixa autoconfiança, e diletância…” Eu diria mesmo que há uma anormalidade e portanto não serve de referência. É como eu em música: sou completamente desafinado (music deaf) logo não sirvo de exemplo para nada em matéria de aprendizagem de música, tal como de um mudo não se pode esperar uma boa dicção. São casos patológicos.

        1. Há uns tempos ,por cá, falou-se sobre a hipotética relação entre caligrafia e personalidade . Como acho isso uma pantominice, à semelhança da astrologia , “entrei” a brincar com o João.

  5. > Havia repressão e não havia liberdade

    Pior, não se tinham lembrado de mentir sobre o assunto. Totós.

    1. O problema é que havia muitos problemas e não era permitido discuti–los o que dava a impressão de não haver problemas. Por isso ainda há uns velhotes que dizem “no tempo do Salazar é que era bom”. Com censura os media não noticiam coisas desagradáveis. Fácil.

  6. O Ensino neste país não é Ensino (nem, sejamos honestos, ensino é): é, isso sim, um por décadas continuado exercício de demagogia ao sabor dos tachos ministeriais e directivos a arranjar aos amigos e às amigas, ao sabor das teorias sabiamente vomitadas por gente que é tão obscenamente inculta quanto pornograficamente oportunista é e ao sabor da satisfação a todo custo das massas ignaras de papás e de mamãs que têm os seus petizes na conta de génios eternamente incompreendidos pelas bestas dos seus professores. Junte-se a tudo isso o enorme negócio em que se transformou a Educação e temos (e temos tido e teremos) a tempestade perfeita. Vamos, estou tristemente certo, pagar tudo isso bem pago num futuro não muito longínquo.
    Quanto à sofrida senhora a cujas filhas os professores nunca se deram ao trabalho de corrigir os flagrantes erros ortográficos, eu só digo que essa senhora não faz ideia da sociedade em que vive. São aos milhares os casos de professores que corrigem e exigem melhorias aos seus alunos. E fazem-no dando, primeiro, e exigindo, depois. Em troca, recebem esses docentes regularmente inadequadas pressões, malcriadas censuras e – não raras vezes – porradinha da grossa dos progenitores que acham serem os seus filhinhos e filhinhas génios de um génio inquestionável desde que nasceram, gente da mais que perfeita perfeição desde o útero das suas santas e não menos perfeitas mãezinhas.

    1. A sofrida senhora que vive no Curdistão Lisboeta, tem presentemente duas filhas PROFESSORAS… sem porradinha da grossa, competentes, assíduas … e esta hein ?
      Só concordo com a parte em que diz que são continuamente pressionadas a passar de ano alunos que não sabem – a tabuada, por exemplo – o suficiente para transitsr de ano , mas que têm que cumprir estatística e completar a escolaridade obrigatória.

      1. Fico muitíssimo feliz por a senhora concordar com essa parte, mas essa parte será, porventura, a parte menos importante daquilo que anteriormente escrevi. Estranho é o facto de a senhora mencionar a “porradinha da grossa” tendo como supostos agentes… os professores (sejam eles as suas filhas ou não). Volte, por favor, a ler aquilo que eu escrevi e chegará à conclusão de que aqueles que apressadamente tomou por agentes são por mim crismados de pacientes.
        Os meus mais sinceros cumprimentos.

        1. O meu amigo é quem tem que ler o que escrevi, com olhos de ler e não interpretar como lhe apetece, ok ?
          Quis eu dizer que sempre que as minhas piquenas funcionaram sem a sua “porradinha da grossa”… a minha filha que lecciona há mais tempo, já o faz há DOZE anos e nunca “apanhou”. Talvez porque saiba o que faz e seja sensata, sei lá… talvez porque não seja ressabiada ao ponto de chamar “senhora sofrida [que] não faz ideia da sociedade em que vive” a quem tem uma opinião um tanto ou quanto divergente da nossa… Talvez porque não seja um dos ” génios de um génio inquestionável desde que nasceram, gente da mais que perfeita perfeição desde o útero das suas santas e não menos perfeitas mãezinhas. ” e outros pleonasmos que tais…
          Uma Santa Páscoa Rui Henrique. Aproveite o tempo em que não está a dar notas e corrigir testes para pensar na vida. Faz bem, sabe ?

          1. Faça-me a senhora o favor de guardar esse seu tom abespinhado para quem lhe faltou ao respeito, coisa que eu não fiz. E depreendo das suas palavras que todos os professores deste país agredidos pelos seus alunos ou pelos pais deles precisam de aprender com as suas “piquenas” a saberem o que fazem, a serem sensatos e a não serem “ressabiados” para não apanharem porradinha da grossa.
            Faça-me a senhora o favor de me não dar lições acerca daquilo em que devo pensar, ainda para mais quando me põe a ser professor, profissão essa que lida com TODA a sociedade: se isso não é viver, estou à espera que me ensine a senhora o que seja. Guarde, minha cara senhora, esses conselhos para a sua “piquena” a quem as idiossincráticas e extraordinárias virtudes sempre livraram de umas valentes bordoadas. Se ela estiver para lhos ouvir, claro está.
            Depois do que escreveu, mais certo estou eu de não fazer a caríssima senhora a mais leve ideia do que são a maioria das escolas deste país, os seus professores, os seus funcionários, os seus alunos e os pais destes.
            Que passe a ilustre senhora uma Santa Páscoa e que pense como quiser pensar – e quando quiser pensar – no que bem lhe aprouver. Penso que é o que todos fazemos, aliás.

          2. Ninguém gosta de perder, nem a feijões, verdade ?
            Limitou-se o meu “tom abespinhado” a reproduzir o que escreveu. O resto , daquilo que depreendeu da sua leitura, se lhe serviu a carapuça, bom proveito…
            Apenas tenha a decência de não acrescentar pontos ao conto que recontou, ok ?
            Bastou apenas e só um tique e um toque até estalar o verniz do politicamente correcto comentador…
            Boa Páscoa.

          3. Ó minha cara senhora, vá Vossa Excelência dar lições de moral e de verniz às suas “piquenas”, certo?
            E se a carapuça – segundo a sua sagaz opinião – a mim serviu, que dizer da exacta medida daquela outra que a senhora, anteriormente e à vista de todos, enfiou até aos pés?

          4. a·po·ple·xi·a |cs| 

            substantivo feminino

            1. Hemorragia cerebral que determina a suspensão da sensibilidade e do movimento, mas não a da circulação e da respiração.

            2. Derramamento de sangue numa víscera.

            Boa saúde e Boa Pascoa

          5. Que classe… Aprendida numa quarta classe das antigas?
            Passe Vossa Excelência muitíssimo bem e faça uma nutritiva sopinha com os feijões ganhos sabe-se lá em que pueril jogo por si inventado, está bem?

          6. con·tu·maz 
            (latim contumax, -acis, obstinado, persistente, firme, orgulhoso, desobediente)

            adjectivo de dois géneros e substantivo de dois géneros

            1. [Jurídico, Jurisprudência]  Que ou quem se recusa a comparecer em juízo; que ou quem pratica contumácia (ex.: o réu não compareceu ao julgamento e foi declarado contumaz). = REVEL

            adjectivo de dois géneros

            2. Que demonstra teimosia, contumácia. = OBSTINADO, TEIMOSO

            3. Que constitui hábito (ex.: consumidor contumaz de chocolate). = COSTUMEIRO, HABITUAL, USUAL

            4. [Teologia católica]  Que é reincidente no desprezo das leis da Igreja.

            Ponto final.
            Não vale a pena pelear de diccionário em riste. Em significados bonitos de palavras jocosas e irónicas tenho N mestrados. Já devia ter acabado com esta malvadez de dar troco à casmurrice que nem tenta entender a ironia.

            Termino de vez com a ultima frase do meu comentário : “Universidades públicas, parideiras de doutores analfafetos… mais um paradoxo dos tempos modernos.”
            Como poderá um/uma formador/a formar o futuro de um país, quando não entende o básico, a objectividade e integridade que existe em saber parar ?

    2. Rui , contudo temos os EUA com um sistema de ensino que até permite o criacionismo como hipótese válida e alternativa ao darwinismo, e onde, estou certo, não existem grandes suores caligráficos. O mesmo país que, simultaneamente , tem as melhores universidades do mundo. MIT, Yale, Berkeley, Columbia, Princeton, Harvard.

      Quanto ao sistema de ensino português a sua grande preocupação não são os alunos mas o PISA.

      1. O caro Vlad não se esqueça que os EUA são uma mistura um pouco bizarra de modernismo com arcaísmo. Como não poderia deixar de ser, tal mistura também está presente na sua Educação: um sistema de castas (veja-se o Bush pai e o Bush filho, os Kennedy e outros tantos) convive com um sistema de mérito em que alguns sobredotados de fracos recursos chegam (quase) ao topo da pirâmide (académica, note-se). E, seja dita a verdade, quando lhes falta a massa cinzenta não lhes falta a massa verde (só eles fabricam dólares genuínos) com que a comprar no estrangeiro (quem foi o cérebro do programa espacial norte-americano, quem foi?).
        Quanto ao “ranking” mundial de estabelecimentos universitários, dê o caro Vlad uma vista de olhos aos últimos aditamentos e confira quem tem crescido de uma forma pasmosa. Quando se fala de “declínio do Ocidente” é também (eu diria principalmente) de Educação que se fala.

        1. Top 10 – os americanos continuam a dominar!

          Universidade de Oxford

          Universidade de Cambridge

          California Institute of Technology

          Universidade de Stanford

          Massachusetts Institute of Technology

          Universidade de Harvard

          Universidade de Princeton

          Imperial College London

          Universidade de Chicago

          Inst. Federal Suíço de Tecnologia de Zurique

          1. Pois… Acaso acabam os G20 no número 10? Ora estenda lá a coisa um bocadito mais, sim, caro Vlad?

          2. Rui, fiquei-me no G-7. Isso do G-20 está para o G-7 como a Liga Europa está para a Champions (não estou a dizer uma asneira, pois não? Não percebo muito de bola)

          3. Acontece, caro Vlad, que o progresso dos países não é uma futebolada separada em competições de compartimentos estanques. As coisas evoluem (melhor dizendo, vão evoluindo a todo o momento). Espere só mais um pouco e, depois e se estivermos cá todos, voltemos a falar daqui a uns 10, 15, 20 anos (um nada em termos históricos).
            Quanto a competições futebolísticas, caro Vlad, não faço a mínima ideia se o prezado amigo disse ou não disse uma asneira: eu, de futebol, percebo ainda menos que o estimado Vlad.

  7. No meu tempo não tive professora, tive uma regente escolar, julgo que era assim que se chamava; a professora tinha uma sala com alunos desde a primeira à quarta classe. Ensinava muito bem, aulas de manha e de tarde ; a escola ficava longe de casa, 1 hora a pé, de inverno a neve e o gelo não eram problemas. A professora nunca me deu reguadas, preferia ensinar, insistia sempre ate que os alunos aprendessem. Um dia, perguntou-me: o que queres fazer na vida? médico disse eu, tinha metido isso na cabeça quando morreu a minha irmã com meningite. – Médico? vais ter de estudar muito! Mas tu és capaz.
    Fiquei com o “tu és capaz” e formei-me em Medicina. Sorte ter tido aquela professora. Onde estiver, nunca a esquecerei, marcou profundamente a minha vida.

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