![Beja_panorama[1].jpg Beja_panorama[1].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2017/20479081_d2HuY.jpeg)
«Faço parte de uma geração de jovens médicos que se deslocou para Beja vindos do Porto, de Coimbra e de Lisboa. Um traço comum entre os elementos desse grupo era um certo idealismo, ainda que sentido em diversas tonalidades.
Uma parte desse grupo foi ficando, passaram-se quase quatro décadas e alguns resistem. No que me diz respeito, passo a um registo pessoal. Em 1980, vinha engajado na militância de desenvolver os serviços de saúde numa perspectiva de integração e na missão pública. Apesar de ter uma vivência de centros urbanos muito maiores, não me foi difícil adaptar-me às características da cidade e da cultura dos seus habitantes.
Trilhei os primeiros vinte anos da carreira com paralelo envolvimento cívico. Contribuí com o meu trabalho para a evolução e crescimento do Hospital de Beja. Vi que a cidade crescia e as mentalidades evoluíam. A aldeia parecia estar seguramente a ficar num tempo passado.
Entrámos num novo milénio determinados a enfrentar os desafios. Parecia-me que essa era a atitude da Elite Bejense. Ilusão minha. Os anos vieram a demonstrar a descrença em si próprios que tomou conta dos bejenses. Passividade, inibição, conformismo, ausência de atrevimento criativo.
Qual o factor que determinou que esse derrotismo se instalasse nas mentes? Não sei, não avanço qualquer hipótese. Parece-me que os recursos materiais e naturais existem aqui. Mas o aproveitamento das potencialidades depende da iniciativa dos indivíduos. É este um problema educacional ou sociológico?»
Do nosso leitor José Frade. A propósito deste texto do João Espinho.

Também com os povos se passa o mesmo, têm fases de grande desenvolvimento, atitude positiva e espírito de conquista, e depois fases de depressão e falta de inventividade.
É este um problema educacional ou sociológico?»
É as duas coisas, quando o estatismo centralista, legislação em excesso e predomínio de uma cultura política que gera dependência passa da educação e se transforma em norma social — uma espécie de efeito sociológico forçado pela extorsão fiscal permanente do estado sobre os cidadãos. Regressivamente, as pessoas retomam a ideia de que tudo passa pelo Estado, nada passa fora dele, e que isso é bom — de que assim pelo menos “estão protegidas”, enquanto o Estado sempre socialista lhes suga a seiva da vida em troco da possibilidade de, sem grande trabalho, conseguirem pagar um apartamento e ir de férias. Um exemplo dos estrangulamentos que os políticos impõem à sociedade é a mania de legislar para o sector privado à imagem das aspirações carreiristas na função pública, o municipalismo invasivo, a falta de liberdade nas escolas para definir currículos e programas alternativos virados para o empreendedorismo ou para o que quer que seja e dezenas de milhar de outros pormenores que poderíamos elencar aqui porque existe um mar de legislação e de obstáculos políticos ao progresso.
“passa da educação e se transforma em norma social”
Querem ver que isso não se passa nos colégios privados!! Nas Doroteias, ou nos Salesianos, aquilo deve ser cá uma lavagem cerebral…
Não, caro amigo, é igual. Não se preocupe: por cá até a malta de direita é de esquerda. O ministério assim ordena — que tudo seja igual e ineficaz, processualzinho e morto, como tem sido até aqui.
Bom, se o V conseguiu haja esperança que outros amanhãs se levantem
Não. Não só não consegui, como já desisti. Estou à espera de desaparecer.
V, chamo-me Pedro, tenho 40 anos e sou médico veterinário.Já passei por algumas coisas- Depressão e POC aos 17 anos, e uma solidão que me levou a um desinteresse total pela vida.Mas se algo aprendi foi deixar de tentar encontrar alguma lógica na Vida. A justiça não existe e se a procurar apenas encontrará raiva e impotência. Pelos dias de hoje deixei-me de dar importância e aceitar as coisas como elas surgem. Decidi pôr a vida num saco e deleitar-me com as coisas mais simples. Abraço e tente ir vivendo um dia de cada vez.
Um abraço.
Obrigado pela aproximação e pelas suas palavras. Foram importantes. Ab.