O comentário da semana


Pedro Correia,

«Talvez a culpa e os interditos tenham de fazer parte da nossa cultura, ou da humanidade. Há deuses que caem e que são substituídos, isto também em matéria de costumes.

Já posso comer peixe às sextas-feiras, não posso é comer gorduras saturadas. Já posso citar o nome de deus em vão, não posso é fazer piropos. Já posso acumular riquezas e fazer usura, tenho é de ser ecologicamente sustentável.

Há também, faz parte da natureza humana, uma tendência para aumentar o volume das contrariedades em relação ao resto. As sanções modernas são muito mais ligeiras do que foram as sanções aos pecados antigos, convém não esquecer.

Está a crescer uma mentalidade de estado sitiado que é na maioria das vezes absurda. Menosprezamos o que acontece de mal aos outros e tomamos grandes dores para nós. Não existe nenhum ataque digno desse nome ao Ocidente. Os países cristãos e ocidentais detêm a maioria das armas do planeta, e as mais poderosas, e servem-se delas amiúde. Imaginemos um afegão, por exemplo, que tem tido exércitos da Rússia e da Nato a invadir o país há mais de 30 anos. O que pensará ele quando lhe disserem que Londres está em guerra porque um desvairado resolveu atropelar três pessoas a esmo?

Pôr no mesmo pé invasões e bombardeamentos sistemáticos com actos de lunáticos isolados só se justifica se quisermos atenuar a nossa culpa provocada pelas invasões. Não digo que o terrorismo não é uma coisa grave que tem de ser combatida. É um crime organizado e tem de ser combatido. Provoca menos mortos que a violência doméstica ou o tráfico de drogas, mas é uma ameaça séria.»

 

Do nosso leitor Jo. A propósito deste texto do Rui Rocha.

0 comentários em “O comentário da semana”

  1. “Os países cristãos e ocidentais detêm a maioria das armas do planeta, e as mais poderosas, e servem-se delas amiúde. Imaginemos um afegão, por exemplo, que tem tido exércitos da Rússia e da Nato a invadir o país há mais de 30 anos. O que pensará ele quando lhe disserem que Londres está em guerra porque um desvairado resolveu atropelar três pessoas a esmo?”

    Finalmente estamos de acordo:
    – os maiores terroristas somos nós.
    João de Brito

  2. Típica obsessão Marxista anti-Ocidental

    “Imaginemos um afegão, por exemplo, que tem tido exércitos da Rússia e da Nato a invadir o país há mais de 30 anos.”

    Sobre a invasão Árabe do Afeganistão foi pedia a opinião a esse Afegão?
    Sobre a Al Qaeda foi pedida a opinião a esse Afegão?
    Sobre os Talibans foi pedida a opinião a esse Afegão?
    Sobre o Paquistão foi pedida a opinião a esse Afegão?
    Sobre o ataque preparado e organizados contra os EUA a partir do Afeganistão(um país?) também lhe foi pedida a opinião?

    Tem certeza que esse “Afegão” não prefere ser chamado pela tribo, clã dele?
    E que ele considera invasores quem não for?

    “Os países cristãos e ocidentais detêm a maioria das armas do planeta, e as mais poderosas, e servem-se delas amiúde.”

    Serviram-se delas muito mais na Segunda Guerra Mundial, mas aí como estava a URSS em causa já não foi uma Guerra Imperialista não é?

  3. Os carneiros a conversar uns com os outros, no rebanho, usam e abusam do “nós”. Está certo. Afinal aqueles Border Collie também obedecem, religiosamente, ao dono.

  4. “Não digo que o terrorismo não é uma coisa grave que tem de ser combatida. É um crime organizado e tem de ser combatido. Provoca menos mortos que a violência doméstica ou o tráfico de drogas, mas é uma ameaça séria.»

    É crime organizado… sim, concordo.
    Tem que ser combatido… já vamos tarde, já deveria ter sido aniquilado .
    Provoca menos mortos que a violência doméstica ou o tráfico de drogas… não é de todo verdade. As vítimas de violência doméstica na sua maioria, têm escolha, que normalmente é a passividade, mas não deixa de ser uma escolha.
    As chamadas baixas de qualquer ataque terrorista nunca poderão escolher sequer o paraíso das tais virgens… chacinadas que foram sem dó nem piedade.
    O tráfico de droga é um crime que per se não mata. O que mata é a dependência do consumo dos produtos traficadados, levada ao exagero… e depois os adictos podem sempre escolher não se drogar.

    Um Afegão provavelmente não sabe onde é Londres, ou Paris ou Bruxelas, ou Nice, ou a Tunísia ou Istambul, ou Nova York, ou mesmo o Yemen ou Bagdad… conhece as realidades da Rússia, da Nato , de centenas de anos de ferozes guerras tribais e provavelmente coça a cabeça quando constata que da casa do vizinho só resta o sítio… olha, lá foi mais uma…Insha’Allah…

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *