«Ele [António Mexia] dirá e fará o necessário para agradar ao accionista. Accionista que, não será exagero acreditar, tem o estado português (tem-nos a nós) tranquilamente nas mãos. De modo que é decerto muito natural que o despudor e a arrogância imperem paulatinamente. Desde os crimes ecológicos e paisagísticos que se conhecem, perpetrados em nome dessa diabólica divindade chamada construção civil e obras públicas, e demonstradamente sem outra utilidade efectiva que não a de servi-la, até à extraordinária desfaçatez revelada nessa frase.
Uma coisa, todavia, parece ser verdade: a habitação por cá tende a ser gelada de Inverno e um forno no Verão. Num país com um clima tão repetidamente gabado pela sua geral doçura (resta saber se merecidamente), cabe perguntar se as técnicas e materiais de construção não têm peso nisso.
Depois vem a carga fiscal e para-fiscal. Impostos, taxas e taxinhas (e a tal “promiscuidade”, claro). Que não dará grande autoridade ao estado português (o poder de turno, entenda-se, seja ele qual for sempre insaciável) para, perante esta declaração, apontar com um mínimo de firmeza o dedo ao sr. Mexia. Admitindo – pensamento extravagante, evidentemente – que tal lhe passasse, ao estado português, pela cabeça.
O sr. Mexia diz e dirá, impante e triunfador, achando-se detentor da Verdade, o que lhe der na real gana. Porque pode fazê-lo.
A tempestade perfeita (e perene), portanto, para quem paga muito para passar frio.»
Do nosso leitor Costa. A propósito deste meu postal.

Grato pelo destaque.
Costa
Destaque merecido, caro Costa. Boa Páscoa.
Boa Páscoa.
Costa