«As juventudes partidárias são estruturas importantes na vida política. O que não faz sentido é, como acontece no PSD, os militantes da jota serem automaticamente militantes do partido. Com direito a voto, o que faz toda a diferença. Constituem-se, com toda a facilidade, em sindicatos gigantescos de voto, o que significa mandarem nas concelhias e distritais com a maior facilidade. E isto devia ser alterado, passando os jovens a ser apenas militantes da sua estrutura própria. Com dois benefícios: deixavam de ser escola de aprendizagem do pior na política (caciquismo e venda de votos) e seriam atractivas apenas para os que gostam mesmo da política.»
Do nosso leitor José Coimbra. A propósito deste meu texto.

O comentário é de difícil compreensão.
Por um lado, parte de um dado falso: pelo menos no PSD, o militante da jota não é automaticamente militante do partido. Pode entrar-se para a jota a partir dos 14; só se pode ser militante do partido a partir dos 18. Um jovem de maior-idade que se inscreva no partido não é obrigado a continuar ligado à jota; mas se não quiser aderir ao partido, também não pode permanecer na jota.
Por outro lado, não se percebe bem o que o comentador quer:
– Que o jovem que se inscrever no partido deixe de estar ligado à jota? E a juventude partidária passaria então a ser apenas um grupo de adolescentes?
– Que o jovem só possa inscrever-se no partido quanto atingir a idade-limite na jota (30 anos)? Passaria a ser essa a idade mínima para se ser um militante de pleno direito? Talvez mesmo para gozar plenamente os seus direitos políticos?
Aparentemente, se os jotinhas estiverem estatutariamente impedidos de participar e votar no partido “dos adultos”, dois benefícios advirão: estarão resguardados do caciquismo e outros males; e só se envolverão na política por pura paixão. Uma curiosa teoria…
Fica por saber se o voto perverte os jovens ou se abala o caciquismo.