"O PSD precisa com urgência de reconstruir uma narrativa ao centro/centro-esquerda. Cada vez que engrossa a voz à direita, o CDS «desincha » 3%, mas o crescimento fica por aí. É imprescindível valorizar o papel dos serviços públicos no desenvolvimento do país. Ontem assisti a um espectáculo de ballet num teatro de Lisboa. Olhei à volta, a sala estava cheia, as pessoas de todas as idades vestiam informalmente. À minha frente, um casal de diferentes etnias com uma criança que abraçava um urso de peluche. Dei comigo a pensar. Nesta sala está o Portugal moderno. Quarenta anos atrás, estariam muito menos pessoas na sala. Os visons, fatos a rigor, gravatinhas de seda e sobrolhos arqueados marcariam presença. O Portugal desdentado, descalço e analfabeto tem sido progressivamente substituído por um Portugal mais bem educado, com muito melhor saúde e segurança social. E isso é resultado, em grande parte, da política e das políticas seguidas e materializadas nas nossas escolas e nos demais serviços para além do grande esforço de construção pública subsequente à entrada na UE, grande parte dela executada pela iniciativa privada portuguesa. Sempre a muito custo, pois no nosso país nada se faz sem uma permanente e eterna discussão. A maior parte dos votantes em Portugal está no centro e centro-esquerda. Se é necessário haver alternância, então o PSD deve reconstruir a narrativa e deslizar suavemente da Escola de Chicago para Krugman .
Se não, então podemos vir a assistir ao predomínio partidário tão ao gosto da 1.ª República que o país não precisa. É necessário substituir a politica reles pelo confronto de projectos."
Do nosso leitor Bettencourt de Lima. A propósito deste meu texto.

