«É de facto preocupante a percentagem de abstenção nas últimas eleições. Um povo que não se importa com os rumos do país, que não vota quando é chamado para isso, não tem legitimidade para depois vir criticar o que quer quer seja.
Eu votei nestas últimas eleições. E para quê? Dizemos que vivemos numa democracia, que a voz do povo é soberana e blá, blá, blá, e depois acontece esta palhaçada que temos vindo a assistir desde 4 de Outubro. Estamos na iminência de um governo de esquerda (que andava sempre às turras durante a campanha eleitoral, tanto que cheguei a pensar que o imperativo era abaterem-se entre eles), de ter um primeiro-ministro que não foi escolhido pelos portugueses, que se passeia como um pavão pelos corredores do poder, de que aliás parece estar com muita fome; temos um PCP e um BE que na sua primeira versão diziam ser uma coisa e em apenas uma semana mostram-nos uma versão completamente diferente.
Se calhar era bom reflectirmos um pouco sobre o elevado número de abstenção. Parece-me que as pessoas estão fartas destes partidos, destes jogos políticos, desta ânsia em chegar ao poder sem olhar a meios. Até o BE e o PCP, quer se concorde ou não, tinham um pensamento mais linear e coerente, estão agora dispostos a abdicar dos seus supostos princípios para apoiar um governo PS.
A voz do povo português não foi respeitada nestas eleições. Está a ser fortemente desrespeitada pela classe política. Isto não configura uma situação normal numa democracia. Talvez as pessoas se abstenham porque há muito que sabem que não podem contar com a classe política actual, uma vez que não tem um rosto, mas vários, consoante os seus interesses partidários. Como aliás se está a provar desde 4 de Outubro.»
Da nossa leitora Tânia Ferreira. A propósito deste texto do Sérgio de Almeida Correia.

Agora vêem com novas sondagens que reforçam os direitolas.
Agora? tarde piaram! Não vamos perder a oportunidade de entalar o Jerónimo e parar os sindicatos.
Não sei como é que este comentário foi o escolhido. A frase “um primeiro-ministro que não foi escolhido pelos portugueses,” revela a mais profunda ignorância do nosso sistema político: os eleitores não escolhem o primeiro ministro. Como é que pode afirmar “A voz do povo português não foi respeitada nestas eleições.” se ainda (quando escreve o comentário) não se sabe quem vai ser o primeiro ministro e muito menos o governo.”Eu votei nestas últimas eleições. ” também eu, o problema é que tenho pontos de vista diferentes dos da D. Tânia. Não é possível satisfazer os dois. Se satisfizerem os dela, respeitando as regras, não vou dizer aqui d’el rei que isto não é democracia. Sei que o meu voto é só um entre milhões e aceito que os outros votem de modo diferente.
Um dos critérios determinantes para a escolha dos comentários da semana (escolha minha, que assumo aqui desde 2009) é o seu potencial polémico – ou seja, que permita fomentar o debate de ideias.
A sua reacção ao comentário confirma a validade deste critério.
Muito bem. Sendo assim (o que me parece muito bem) retiro a minha frase “Não sei como é que este comentário foi o escolhido”. Agora já sei!!
Já agora enuncio aqui outro critério: as opiniões serem assinadas. Razão pela qual chumbaria liminarmente as suas, anónima.
Iria abordar o assunto mas já que o Pedro Correia dá a deixa mais vale ser aqui.
Esta rubrica é importante pois pode revelar opiniões estruturadas / fundamentadas que muitas vezes passam ao lado na quantidade de comentários que alguns post´s dos autores do DdO escrevem e podem / devem ser destacados.
O que lamento é que não haja comentários nesta rubrica que colidam com a linha de pensamento do Pedro Correia ou outros que defendem essa linha.
Basta por vezes ler as caixas de comentários de outros blogs alinhados e verificar que é sempre mais do mesmo, sempre os mesmos a escrever as mesmas coisas e a defende-las com argumentos tão superficiais que no meu caso só dá para ir lá e rir-me.
Quanto ao texto destacado também partilho da opinião, votar para quê, depois das mentiras de 2011 qualquer pessoa pode recusar-se com inteira justificação em não votar.
Que a aventura do Costa não tem legitimidade para ser feita, penso que todos estamos de acordo, acaso tivesse posto o lugar á disposição e um novo líder do PS viesse que eventualmente estabelecesse acordos com o PC e BE para um novo governo, isso sim teria alguma lógica que não deixando de ser precária estaria muito mais sólida que a que Costa pretende levar avante não pela fraqueza do PC ou BE mas sim pela fraqueza do PS.
Os resultados destas eleições podem ser comparados aos de 2009 em que uma minoria com os seus interesses acautelados decidiu continuar a dar o poder ao ex-cela 44 com os resultados que se conhecem, também agora uma minoria com os seus interesses acautelados decidiu dar o seu apoio a uma coligação que não atingiu nenhum objectivo a que se propôs em 2011 mesmo vendendo tudo, governando contra a lei e criando fissuras sociais brutais entre grupos da população.
Obviamente que a solução de um governo de esquerda não é a ideal a não ser que o mesmo inclua representantes do BE e PCP e os 3 partidos façam acordos firmes e transparentes mas daí a considerá-los proscritos para sempre e desprezar um MILHÃO de votos só revela que o verniz da democracia estalou como disse Jerónimo de Sousa.
O que horroriza os apoiantes Paf mainstream é o facto de que poderão perder o poder de fazer arbitrariamente tudo o que pretendem quando sequer tiveram em vista o INTERESSE NACIONAL mas sim o de uma click que os suporta e obviamente eles mesmo.
Por exemplo esta semana a prova de avaliação de professores foi chumbada pelo TC e parece que uma vez mais ninguém vai responder pelas injustiças causadas.
Não sou professor e penso que qualquer profissional seja de área for pode ser avaliado mas contesto as formas / métodos para evitar que mais pessoas acedam a uma carreira profissional que está entupida, não é assim que se procede mas este foi o método mais usado por este governo que já FINDOU, ser forte com os fracos e fraco com os fortes.
As eleições estão realizadas, os resultados estão aí e cabe agora aos deputados pronunciarem-se individualmente sobre o que pretendem fazer a não ser que se opte pelas eleições (referendos) á Europeia que são feitos até o resultado ser o desejado por quem manda.
«O que lamento é que não haja comentários nesta rubrica que colidam com a linha de pensamento do Pedro Correia.»
Atendendo ao facto de comentários seus já terem sido seleccionados mais do que uma vez para esta mesma rubrica, das duas uma: ou você “não colide com a minha linha de pensamento” ou aquilo que agora escreveu não faz o menor sentido. t/o-comentario-da-semana-7676107 t/o-comentario-da-semana-6625748
Aqui ficam exemplos para os leitores avaliarem da justeza das suas palavras:
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.p
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.p
Grato pelo destaque mas esses comentários que fiz não colidem com nada, foram feitos sobre assuntos não estruturantes da linha de pensamento do Pedro Correia.
Cabe ao Pedro Correia assumir sem tibiezas aquilo que defende (e move) para todos os que aqui escrevem (anónimos ou não) saberem com o que contam da sua parte. Eu como já sei não me escandalizo, aliás honra seja feita, o DdO é bem mais plural que o Blasfémias ou o Insurgente no entanto a matriz dominante é a mesma. Não conheço blogs do outro lado da barricada, limito-me ao Aventar pela relevância da informação que partilha e pouco mais.
Não se amofine Pedro Correia, eu sei o que esperar de si e você de mim, é a vida.
Caro Pedro: v/Portugal%20-%204%20anos%20depois%20da%2 0Troika.docx?dl=0
Para si e também para a Tânia, se ela ler o meu comentário.
Discordo totalmente da pespectiva apresentada no comentário sobre o cenário governativo que paira no ar, até porque, na minha opinião, não tem a mínima hipótese de se concretizar.
Devo dizer, à cabeça, que sou radicalmente contra a efectivação desse cenário de um governo das esquerdas, mas por duas razões que não são as que normalmente as pessoas invocam.
1.ª razão – por mais que, genuinamente, o PCP (para mim, Os Verdes não existem) e o BE mudem, e é legítimo que possam a qualquer momento fazê-lo, não têm substrato político e técnico para serem capazes de suportar um governo que teria de tomar medidas desagradáveis, que iriam contra as expectativas que os 3 partidos criaram na campanha (e as quais fazem parte do seu discurso habitual).
O que está escondido, e ao qual o Costa se referia há dias, independentemente daquilo a que ele se estaria realmente a referir, pois não o explicitou, existe mesmo. E pode ser intuído a partir deste brilhante artigo de Alexandre Abreu (feito a partir de 8 quadros correspondendo a 8 parâmetros económicos fundamentais, selecionados, em 2011, por Álvaro Santos Pereira):
https://www.dropbox.com/s/fqjixocgir3rt8
A existência deste «gato escondido com rabo de fora» e as expectativas ilusórias que os 3 partidos da esquerda criaram no seu eleitorado inviabilizam um seu (deles) governo.
2.ª razão – um tal governo seria o golpe fatal que conduziria à pasokização do PS e ao reforço dos 2 partidos dos extremos da esquerda. E isso, ao contrário do que pensa muita gente, seria péssimo, pois bloquearia o sistema político, que já está bastante bloqueado com a formação da PàF, de que o CDS jamais sairá, senão desaparece de vez.
Agora as razões por que Costa fez o que está a fazer:
– apenas para ganhar espaço e fôlego para si e para o PS, senão ficava limitado a negociar com a PàF apenas nos termos em que esta quisesse.
Não porque tenha ilusões de chegar a um acordo aceitável pelo PR, pos têm a experiência do que lhe fizeram na CML.
Provavelmente, depois de gorado o governo da esquerda, chegará a acordo com a PàF para viabilizar o governo, pelo menos durante 2 anos (PSD não teve um acordo com o PS que Cavaco rasgou em 1985, quando a casa estava arrumada e cheirava a fundos europeus?)
E agora as razões porque o PCP e o BE aceitaram o diálogo:
– apenas para se «limparem» publicamente e mostrarem que não são só partidos de protesto. Ao não chegarem a acordo é por causa do PS, pois eles até dialogam.
Finalmente, o lado bom do que o Costa está a fazer:
– ajuda, embora ainda não o suficiente, para tornar os outros 2 partidos mais normais. Não nos podemos queixar de que são radicais, apenas de protesto, mas quando surge uma mudançazinha no bom sentido pomo-nos a criticá-la.
Oxalá saíssem do ostracismo a que se votaram, o eleitorado fará o resto: é a democracia.
Mais haveria a dizer.
Correcção ao meu comentário anterior: «pois tem a experiência do (o PCP e o BE) que lhe fizeram na CML.»
O comentário pode expressar uma opinião pematura, mas faz todo o sentido se atendermos à”palhaçada” que desde 4 de Outubro conseguiu ofuscar até a questão do refugiados e perseguidos. Houve quem se insurgisse hà umas semanas atràs e apontasse a vergonha alheia. E agora, hum? Nem alheia, nem vergonha, essa é que é essa.
Gostei de ler, Tânia Ferreira.
Em Portugal, não se escolhe o P.M.!! Mas o Parlamento!!!! E o Povo votou na maioria de esquerda nestas eleições!! Quando for a votação das leis no Parlamento, o P.M. não risca nada, mas sim os deputados!!!Não estão contentes??? Temos pena!! Eu também tive que gramar a maioria de direita 4 anos!!!!!!!!!!!!!!!!
“E o Povo votou na maioria de esquerda nestas eleições”
Uma palavra deve identificar coisas iguais ou pelo menos próximas.
É isso a linguagem.
Você corrompe a linguagem ao usar a palavra “esquerda” para identificar bolcheviques e mencheviques.
Há muuuuuuitoooos anos que digo: Isto só lá vai quando e se a abstenção corresponder no parlamento a cadeiras vazias, porque iam diminuindo os tachos. Assim não: mesmo que vão votar apenas 1000 eleitores, os deputados continuam a ser 230…NÃO DÁ!!!
Os totalitário da política querem construir um Muro de Berlim para impedir as pessoas de não quererem fazer parte da política.
Por exemplo um texto destes prossupõe que problemas só podem ser resolvidos pela acção política.
Não é verdade.
Além disso mais política é na maioria das vezes mais uso de violência organizada, pois quanto mais leis um país tem mais pretextos para uso de violência do Estado existe.
Logo uma sociedade deve ter liberdade de escolher se quer mais ou menos política.
Abstenção e votos nulos= lugares vazios no parlamento.
Que entende por política? Já viu que a frase “Logo uma sociedade deve ter liberdade de escolher se quer mais ou menos política. ” preconiza acção política com o objectivo de se decidir se se quer mais ou menos política. Se se escolher menos política essa escolha faz-se através de acção política!!! Por um lado escolhe-se menos política, por outro aumenta-se a acção política a fim de se poder fazer essa escolha. É auto-contraditório! Pode explicar melhor?
“quanto mais leis um país tem mais pretextos para uso de violência do Estado existe.” Bom, cuidado ou prefere a violência privada à violência do Estado?
“Que entende por política?”
A política deveria ser o que se decide deixar ao outro também julgar.
Eu por exemplo não aceito que outro julgue se eu devo viver ou não.
“por outro aumenta-se a acção política a fim de se poder fazer essa escolha.”
Como é que aumenta?
Só uma visão totalitária da política, uma que não lhe reconhece limites é que pode dizer semelhante coisa.
“Bom, cuidado ou prefere a violência privada à violência do Estado?”
Prefere a violência Nazi e Comunista em vez da privada? Se quer desconversar posso ir por aí. E pela História, sim, o Estado é muito mais eficiente a fazer violência que os privados. Especialmente onde tudo é Política, até o penteado burguês.
Qualquer lei feita sustenta-se na imposição de violência uma vez que não existe hoje reconhecimento direito de secessão, um País não é uma associação voluntárias de pessoas ou ao menos com relações variáveis com o Estado.
Você não pde dizer que não quer contribuir para isto e para aquilo e ficando em troca sem esses serviços – excepto o serviço militar obrigatório, advinhe porquê…-
É por isso que a partir de determinado grau mais Política implica mais perdedores, porque mais Política são quase sempre opiniões sobre mais coisas o que implica uma escolha política e uma escolha da sociedade implica perdedores nessa sociedade. Pois no estágio de desenvolvimento político em que estamos mais leis tendem a ser mais proibições, mais caminhos únicos.
“A política deveria ser o que se decide deixar ao outro também julgar.
Eu por exemplo não aceito que outro julgue se eu devo viver ou não.” Isto não é política? Deixe-me rir.
Então para si todos os actos da vida humana são políticos. Até mesmo viver, existir.
Para mim coisas diferentes devem ter nomes significados diferentes, discutir a extensão da política não é política. É antes da política, para mim a política só pode existir com legitimidade quando os lados acordam sobre as regras do jogo.
Tal como um jogo de futebol só existe depois de se discutir o que é o futebol. Mas discutir o que é futebol não é a mesma coisa que futebol.
Quer me parecer que estas duas importantes fases implicam nomes diferentes para a linguagem estar correcta, uma vez que são coisas diferentes.
“quando os lados acordam sobre as regras “. Acordam sem acordar e muito menos discutir, é que se discutem e tomam partido há o risco de estarem a praticar actos políticos.
Parece-me que estou a percebê-lo.Criar regras para o futebol não é futebol, de acordo. Mas criar regras para a Política é um acto político. É isso? De facto para criar regras para a Política terá de haver várias opiniões, portanto discussão. Provavelmente formar-se-ão partidos (ou outras organizações com outro nome) para defenderem as diferentes regras e terá de haver campanha eleitoral antes de se votar para aprovar as regras para a Política. Pode chamar-se meta-política (para satisfazer o lucklucky) mas parece ser, de novo, Política. Enfim a vida em sociedade parece impossível sem Política. Como já dizia o Aristóteles (o Homem é um animal político, foi ele, não foi?) há dois mil e tal anos.
Bem, há outra solução. As regras não se discutem, impõem-se. Quem as impõe? Ditadura. Bem mas ditadura e uma forma de política. Política não é só democracia. Quer dizer, há sempre política em tudo.
Quando se diz “Eu por exemplo não aceito que outro julgue se eu devo viver ou não.” está a praticar-se um acto político, não é? Até parece que está implícito que não aceita ditaduras.
Rendo-me.